Void - Sessão do Medo

3 de abril de 2010

Void


ficha técnica

Titulo Original: The Void
Ano: 2016 • País: Canadá
Direção: Jeremy Gillespie e Steven Kostanksy
Roteiro: Jeremy Gillespie e Steven Kostanksy
Produção: Jonathan Bronfman, Casey Walker
Elenco: Aaron Poole, Kenneth Welsh, Daniel Fathers, Kathleen Munroe, Ellen Wong, Mik Byskov, Art Hindle, Stephanie Belding, James Millington, Evan Stern, Grace Munro, Trish Reinone, Matthew Kennedy


Em 2015, um trailer viralizou na internet, despertando o interesse de muitos dos apreciadores do gênero. The Void começou como um trailer conceitual, mostrando a ideia central da produção, que precisava de investidores para seguir em frente. À frente do projeto estavam Jeremy Gillespie (Father's Day) e Steven Kostanski (ABCs da Morte 2), que desde o começo falaram sobre as influências que o filme teria, sendo tanto um terror Lovercraftiano, quanto um terror nostálgico ao estilo de produções de horror dos anos 80, de filmes como Príncipe das Sombras (1987), O Enigma de Outro Mundo (1982), Hellraiser - Renascido do Inferno (1987), Do Além (1986), entre outros...

Com a atenção do público alvo, o projeto seguiu com financiamento coletivo via Indiegogo, arrecadando 82,510 dólares e posteriormente foi produzido e exibido nos festivais Fantastic Fest e no Toronto After Dark Film Festival com boa recepção de público e crítica, levando o filme a sair também em circuito comercial em abril desse ano, simultaneamente com o lançamento em Video on Demand. 

The Void é exatamente aquilo que foi prometido pelos idealizadores, um filme de terror fortemente influenciado por H.P. Lovecraft com vários elementos de suas obras e também muito influenciado pelos filmes de terror dos anos 80 já citados, o quê por si só já vale uma conferida.

O filme começa com uma cena enigmática mostrando um casal fugindo de uma casa isolado no meio da noite, onde a mulher é baleada e queimada em frente a tal casa por dois homens - que mais tarde descobrimos que são Vincent (Daniel Fathers) e seu filho Simon (Mik Byskov) - enquanto um culto com pessoas encapuzadas está observando de longe. Mesmo conseguindo matar e torrar a mulher, eles deixam escapar o cara que estava com ela, James (Evan Stern), que minutos depois é avistado machucado e se arrastando na estrada pelo policial Daniel (Aaron Poole de A Conspiração), que decide leva-lo até o hospital local ali perto, hospital esse com um numero relativamente pequeno de pessoas devido a um incêndio recente.

Chegando ao local descobrimos que Daniel é casado com a enfermeira Allison (Kathleen Munroe, do horrível Ilha dos Mortos), que está grávida. Somos apresentados também ao pai de Allison, médico chefe do hospital, um avô acompanhando a neta, que está em trabalho de parto, mais duas enfermeiras...Tudo está aparente bem, até o momento em que uma das enfermeiras mata um paciente enfiando uma tesoura em seus olhos em uma especie de transe e arranca a pele do próprio rosto e indo em direção à Daniel, que é obrigado a atirar na mesma.

À partir desse momento o caos se inicia, ao tentar pedir ajuda, Daniel descobre estar sem comunicação e membros do culto estão parados e encapuzados do lado de fora do hospital (no mesmo esquema do grupo de pessoas em Príncipe das Sombras de John Carpenter). Ao voltar para o interior do Hospital, Daniel descobre que o corpo da enfermeira sofreu uma "metamorfose", numa clara alusão ao clássico O Enigma de Outro Mundo, o corpo sofre deformidades e se transforma em um monstro grotesco.. As coisas ficam ainda mais tensas quando entram em cena Vincent e Simon com o proposito de matar James.

Quem são as pessoas do lado de fora? O quê está havendo naquele local? Qual o motivo de Vincent e Simon quererem matar James? Qual a relação das pessoas encapuzadas com o trio apresentado na primeira cena? Já nos 20 primeiros minutos de projeção estamos com essas perguntas em mente e o filme não perde o ritmo momento algum.

Talvez o único "problema" no jeito em que se desenvolve é não gastar tempo em estabelecer os personagens, são apresentados de forma corrida e sem foco, e isso leva à falta empatia com os mesmos. Isso não chega a ser demérito, já que personagens carismáticos nem sempre foram o foco em filmes de terror desse tipo, mas certamente contribuiria pra um envolvimento maior para com eles, contribuindo ainda mais com a tensão criada no filme.

O maior mérito de The Void é justamente fugir do padrão de cinema de terror atual que é mais sutil, explicado e mais puxado pra realidade, esse filme segue um padrão muito parecido com os filmes dos anos 80, onde os diretores e roteiristas não tinham medo de ousar e criar filmes estranhos, grotescos, exagerados ou ambíguos, que na maioria das vezes só caiam no gosto dos apreciadores do gênero e não eram bem vistos pelo grande público, como é o caso dos filmes de terror mainstream atuais que agradam muito mais o público casual que os próprios fãs do gênero.

Além de momentos inspirados em "crássicos" dos anos 80 que todos nós amamos, o filme traz referencias sutis aos filmes da época como Hellbound - Hellraiser 2 (1988), Terror Nas Trevas (1981)Re-Animator (1985), entre outros, incluindo os já citados acima...Vale destacar que tais referencias não soam gratuitas ou sem propósito, já que todas elas possuem importância dentro da trama e por si só são de encher os olhos como o desfecho que é não só uma referencia como uma homenagem a um dos clássicos do Fulci.

The Void é um presente aos apreciadores e fãs do clássicos do terror dos anos 80, e poderia facilmente ser rotulado como "Um dos melhores filmes dos anos 80, que não foram lançados nos anos 80"e também como um dos melhores filmes throwback atuais.

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