Crítica: Os Estranhos (2008) - Sessão do Medo

24 de dezembro de 2011

Crítica: Os Estranhos (2008)


Grande parte dos filmes que tentam vender a ideia de que são baseados em fatos reais não causam o efeito desejado no expectador, são poucos os que conseguem surpreender o público e passar o realismo necessário pra fazer o público acreditar que tudo aquilo é real. Dois bons exemplos são os ótimos Wolf Creek e o clássico O Massacre da Serra Elétrica, mesmo que a essa altura o público saiba que a história de O Massacre da Serra Elétrica foi apenas levemente inspirada na história de Ed Gein.

Na cena inicial de Os Estranhos um locutor (que lembra muito a voz do John Larquette em O Massacre da Serra Elétrica), fala que o filme a seguir é baseado em eventos reais é mostra uma estatística anual de violência nos Estados Unidos. O filme tenta passar a ideia de ser um filme baseado em fatos verdadeiros que ocorreram em 2005, mas não consegue passar o realismo pra fazer o público acreditar que aquela história seja real. 

Não existem provas de que o filme seja de fato baseado em eventos reais, a não ser a palavra do diretor.

O filme começa numa noite onde o casal Kristen (Liv Tyler de Senhor dos Anéis) e James (Scott Speedman de Anjos da Noite) voltam de uma festa, ambos parecem chateados (Coisa que é mostrada depois em um rápido flashback), alguns minutos depois uma garota bate na porta e pergunta por alguém que não mora ali, o casal informa que não tem ninguém ali com aquele nome e a garota vai embora. Depois de um tempo James sai para comprar cigarros pra Kristen e ela fica sozinha na casa, a garota volta perguntando pela mesma pessoa, Kristen repete que não mora ninguém ali com aquele nome e que ela já tinha passado por ali. Com medo ela tenta ligar para o namorado, mas percebe que a linha telefônica foi cortada e que há mais de uma pessoa por lá fora, querendo transformar sua noite em um pesadelo.


A primeira metade do filme é muito boa, o diretor consegue criar um clima inquietante, com uma fotografia escura e cheia de sombras. O clima de tensão é bem construído e lembra um pouco o Halloween de John Carpenter com aquele clima de perigo constante. Os assassinos também lembram o Michael Myers de John Carpenter, assassinos misteriosos e mascarados que somem de um lugar e aparecem em outro e parecem ser onipresentes.

Não precisa ser um gênio pra notar que o filme foi bastante influenciado pelo ótimo filme francês Eles que mostrava um casal numa casa isolada sendo atormentados por estranhos.

O cenário usado no filme ajuda a criar o clima, uma casa de fazenda escura no meio do nada. A falta de trilha sonora também ajuda a criar um clima bacana, em vez de trilhas sonoras musicais o filme opta por silencio e efeitos sonoros de sons ambientais, com barulhos de passos, batidas nas portas...

Explorar um medo comum foi algo certeiro para a criação do terror. Todo mundo tem medo de que algum estranho invada a sua casa e faça mal a sua família e o filme explora esse medo de forma certa, já que os estranhos estão ali para atormentar o casal sem motivos aparentes.

O diretor tenta manter o clima atmosférico até o final, mas quando chega à metade do filme o clima é desgastado pelo uso excessivo de clichês conhecidos do gênero. A sensação de perigo é diminuída e o filme se arrasta com os assassinos brincando com suas vitimas. Assim como o Halloween de John Carpenter, Os Estranhos tem violência minima, o filme foca somente no suspense e deixa as mortes e a violência de lado.

Um dos grandes defeitos do filme são os dois personagens principais que o filme todo tomam atitudes idiotas do tipo sair da casa, ou ir para a garagem pegar um rádio que não funciona...

As cenas de terror do filme são mais paradas do que deviam, o diretor não se esforça para tornar as cenas dinâmicas. Nem mesmo em cenas de correria o diretor consegue criar um ritmo frenético, tudo é parado demais. 

Tem momentos que parece que o ritmo do filme vai aumentar, mas não aumenta e fica naquele clima de suspense o filme quase todo.

Um dos pontos altos do filme é não criar explicações e motivos para os assassinos, coisa rara nas produções atuais, que sempre tentam explicar tudo ao espectador. Os motivos dos três mascarados são um mistério.

Nada de soluções ao estilo Pânico, com o assassino se revelando e contando o porque daquilo tudo. O fato de não sabermos quem são, ou porquê estão fazendo aquilo, deixa o filme mais assustador e estranho. Tem até uma fala no filme que eu acho genial. 

Kristen pergunta: - "Por quê vocês estão fazendo isso com a gente?"

E um dos estranhos responde: - "Porque vocês estavam em casa!"


Os Estranhos tinha tudo pra ser um terror acima da média, mas acabou se perdendo da metade pro final, sendo tornando em um filme mediano.

Postado por: Marcelo

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