Crítica: Colheita Maldita III - Colheita Urbana (1993) - Sessão do Medo

11 de maio de 2012

Crítica: Colheita Maldita III - Colheita Urbana (1993)



Colheita Maldita, filme que adaptou de forma insatisfatória o curto conto As Crianças do Milharal de Stephen King ganhou uma continuação bem inferior ao primeiro filme quase 10 anos depois. Parecia que não haviam muitas chances de algo bom sair depois da continuação Colheita Maldita II: O Sacrifício Final, que ainda por cima tinha um subtitulo que indicava ser o último filme e a conclusão da história. Para a surpresa geral em 1993 foi lançado Colheita Maldita III: A Colheita Urbana de longe a melhor continuação da série e que assim como Sexta-Feira 13 - Parte 3 deu um pontapé para as seguintes continuações da séries. A partir desse filme a franquia deixou o lance de dar continuidade ao enredo do primeiro de lado e apostou em histórias isoladas com apenas o tema principal semelhante, como um reboot.



Stephen King disse que de todas as continuações do filme original, essa terceira parte é a melhor e a que ele mais gostou e de fato Colheita Maldita III é a melhor continuação da série.


O filme começa com dois irmãos, Eli e Joshua, que moram em Gatlin (cidadezinha do interior onde aconteceu os assassinatos do 1º filme), e estão sob ameaça do pai, que quando molha o bico desce o cacete nos dois irmãos, bêbado ele persegue Joshua, o irmão mais velho pelo milharal, então aparece o irmão mais novo Eli, um moleque que tem poderes sobrenaturais e um devoto de "Aquele que anda por trás da plantação". Eli pede a Joshua para continuar correndo, que ele ia falar com o Pai para convencer ele a não bater em Joshua. Joshua sem desconfiar de nada continua correndo e deixa Eli no milharal junto com o Pai, Eli então recorre a entidade para dar um fim ao Pai e de forma sobrenatural o Pai e crucificado como espantalho no milharal.


Órfãos, os dois irmão são levados para a cidade grande, bem longe da área rural de Nebraska, onde são adotados por William Porter, um empresário e a esposa Amanda. No primeiro dia na casa, Eli causa boa impressão se fazendo de educado e bom menino, já Joshua faz burradas e passa a idéia de ser um garoto problema, mas na verdade é o caso contrário. Eli encontra uma pequena fábrica abandonada no terreno ao lado da casa e lá planta um milharal com as sementes de origem demoníaca que ele trouxe de Gatlin em uma maleta. No primeiro dia numa escola nova os dois irmãos vão para salas diferentes e Eli fica com ciumes do irmão por ter arranjado alguns amigos e aos poucos os dois vão se distanciando. Eli então logo começa a se estabelecer como um pregador na escola, juntando "discípulos" e desdenhando o Padre da escola que desconfia que o moleque e do mal.


Amanda encontra a plantação de Eli e pede para que William dê fim e fale com Eli, mas ele acaba se surpreendendo com a qualidade do milho e da plantação e do rápido crescimento, mesmo numa terra de qualidade ruim para plantio, então William vê as sementes que Eli trouxe de Gatlin como um sinal de dinheiro e pensa em exportar as sementes. Eli se torna cada dia mais retraido e com maior influencia sobre os jovens dá escola, coisa que ele usa a seu favor, colocando idéias na cabeça deles, falando que os adultos são o pecado e que a terra estaria melhor sem eles. Aos poucos Joshua vai estranhando o comportamento do irmão e começa a se perguntar o quê teria acontecido ao pai deles e passa a enfrentar o irmão.


Sem dúvida a melhor continuação da série, o enredo desse é bem conduzido e prende bastante atenção. Um dos pontos mais criativos dessa continuação foi terem mudado um pouco o argumento, com uma história diferente da original e em um ambiente urbano e usando os elementos sobrenaturais de forma certa e com mais destaque.

O personagem Eli seria facilmente um personagem insuportável se não fosse pela excelente atuação de Daniel Cerny que constrói o personagem de forma certa. Com olhares demôniacos e um tom de deboche e uma cara de sádico. Uma versão melhorada de Damien Thorn adolescente de A Profecia 2, Eli é quase o anticristo do filme.

Colheita Maldita III mesmo sendo uma continuação é um filme que se destaca e que se sustenta como um filme a parte.O segundo filme tentou dar continuidade ao primeiro filme e usou o mesmo estilo, já em Colheita Maldita III vai em uma nova direção como uma história independente e que não se prende aos outros dois filmes da série.


O jeito como o filme se desenvolve também é bem bacana, tem um ritmo bom, nunca fica chato como o segundo e tanto a história quanto os personagens prendem a atenção. Uma hora e outra o público é pego de surpresa por uma boa cena de terror, com destaque para as cenas que Eli atormenta o Padre da escola, mata a assistente social e coloca baratas na comida.



A trilha sonora também vale a pena ser destacada como uma das melhores, tão boa, ou até melhor que a do primeiro filme, a cena de abertura com os créditos e a música alta consegue ser melhor do segundo filme inteiro.



Assim como o primeiro filme, Colheita Maldita III perde vários pontos pela parte final. No primeiro o elemento sobrenatural não caiu bem no filme e foi mal usado, já nesse terceiro o elemento sobrenatural era bem trabalhado até chegar a parte final e estragar tudo com um dos finais mais exgerados, toscos, fantasiosos e mal feitos que eu já vi.



"Aquele que anda por trás da plantação" entra em cena pra fuder (mais uma vez) o filme. O erro no primeiro foi mostrar que ele era real, mesmo que ele não se mostre, já nesse ele deixa de ser uma entidade oculta para ser apresentado como um monstro gigante tosco pra cacete. A parte final exagera e usa efeitos especias a torta e a direita e todos de péssima qualidade. Deu a impressão que o orçamento do filme foi cortado e a produção deve que se virar para gravar as cenas que estavam na parte final do roteiro, algo que poderia ter sido resolvido com uma mudança no roteiro. Se tivessem feito um final mais sutil e menos exagerado esse filme seria um clássico. Os efeitos especiais na parte final é tão risivel quanto Amityville 3, na parte final onde surge um demônio no poço.

Algo que os fãs vão notar na cena final é que a cena onde vários personagens são mortos no milharal é que é muito parecida com a cena do massacre na casa noturna de Hellraiser III, o diretor de Colheita 3 é irmão do cara que dirigiu Hellraiser 3 e deve ter pego algumas idéias do irmão, também tem algumas homenagens a Evil Dead que só os fãs vão notar, na rápida cena que uma das moças é estuprada pelo milharal e parece que gostou tanto quanto a Sheryl em Evil Dead.


Outra coisa que alguns vão notar é a atriz Charlize Theron fazendo uma ponta como uma das discípulas de Eli.



Assim como o primeiro filme, Colheita Maldita III tinha tudo para ser um clássico, mas acabou indo por ladeira abaixo quando chegou na parte final. Vale a pena uma conferida, principalmente pela nostalgia de quem assistiu em VHS e na TV aberta nos anos 90.

Postado por: Marcelo

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