Crítica: O Massacre da Serra Elétrica (1974) - Sessão do Medo

24 de novembro de 2012

Crítica: O Massacre da Serra Elétrica (1974)

Aviso: (O texto contém spoilers contando partes do filme)

Em 1974, Tobe Hooper criou a maior obra prima do terror de todos os tempos, O Massacre da Serra Elétrica, com pouca grana, filmada no Texas com uma equipe iniciante, atores desconhecidos e com roteiro baseado levemente na história real do assassino Ed Gein.  O filme não só se tornou um dos maiores clássicos do terror como serviu de inspiração e influência para inúmeras produções, além de inovar o gênero, dando um pontapé inicial em produções de assassinos em série com mortes violentas e muito terror.


Tobe Hooper mostra logo na cena de abertura o inferno que vira em seguida, onde conta que os eventos que se seguiram foram baseados em relatos de uma tragedia que aconteceu com um grupo de 5 jovens, levando a um dos crimes mais hediondos da história americana chamado de "The Texas Chainsaw Massacre". A primeira cena mostra corpos em decomposição em rápidos flashes fotográficos, em seguida corta para uma cena onde é mostrado um cemitério vandalizado, onde um cadáver foi posto em cima de uma lapide, segurando uma cabeça, como se fosse uma obra de arte. Uma voz anuncia num rádio que está havendo vandalização em vários cemitérios do Texas, onde alguns cadáveres são roubados dos túmulos e outros são simplesmente vandalizados.


Um grupo de 5 jovens formados por Sally, o namorado Jerry e o irmão paraplégico Franklin, além do casal Kirk e Pam estão indo até o cemitério onde os Avós de Sally e Franklin foram enterrados, para ver se os túmulos foram vandalizados. Depois de se certificar que os corpos não foram roubados, eles continuam a viagem e dão carona a um sujeito estranho que aparece na estrada pedido carona e logo se mostra ser completamente maluco depois de se cortar com uma faca e atacar Franklin. O grupo consegue tirar o maluco da van e mesmo assustados seguem viajem até pararem no posto de gasolina para abastecer a Van que está quase sem gasolina. Ao chegar lá o dono do posto diz que o tanque de Gasolina está vazio e que só será abastecido no dia seguinte. O grupo então decide passar a noite na casa abandonada que era dos Pais de Sally e Franklin e que fica perto dali.


Chegando ao local o casal Pan e Kirk decide dar uma volta pelas propriedades, encontram por acaso uma casa isolada perto dali. Kirk tem a ideia de negociar o velho violão por um pouco de gasolina com os moradores do lugar. Ele bate na porta, mas ninguém atende e depois de ouvir o gruindo de porcos decide entrar na casa, onde se depara com grandalhão com uma máscara de couro e roupa de açougueiro que acerta Kirk com força na cabeça com uma marreta, fazendo ele ter espasmos como um porco sendo abatido. É a primeira aparição do icônico Leatherface em cena numa das cenas mais impactantes do filme, onde o assassino mostra frieza depois de abater o pobre infeliz que se debate como um animal em agonia, ele ainda acerta a cabeça do cara mais duas vezes antes de levar o corpo. 

Notando o sumiço de Kirk, Pam decide entrar na casa também, sem saber que o pior está por vir. Ela tropeça e cai dentro da sala, onde se assusta ao ver móveis feitos de ossos, esqueletos humanos, crânios usados como abajur entre várias outras bizarrices. Assustada, ela chama por Kirk, mas quem dá as caras é o Leatherface que agarra a moça e leva ela até um gancho na cozinha, onde a pendura viva e em seguida corta Kirk com uma motosserra  na frente da moça que grita de dor e agonia. A cena é muito bem feita e impressiona pelo realismo que passa. A violência nessa cena não chega ser explicita, mas consegue ser impactante e mais forte do que se fosse. Destaque também para a atuação da atriz que consegue passar a agonia da personagem para o expectador, e o ator Gunnar Hansen completamente assustador como Leatherface.

Com a demora de Pam e Kirk, Jerry decide procurar os dois. Ele chega até a casa e acha o casaco do Kirk na varanda e achando que os dois estavam escondidos decide entrar na casa. Depois de ouvir um som estranho entra na cozinha da casa, chegando até um frigorífico ele abre e encontra Pam agonizando lá dentro, num piscar de olhos Leatherface aparece e acerta Jerry com força na cabeça, em mais uma cena surpresa e impactante. Completamente perturbado Leatherface se mostra preocupado achando que mais pessoas invadiram a casa. A noite cai e Leatherface decide caçar os que restaram, sobrando para Sally e Franklin.

O Massacre da Serra Elétrica é um filme brutal, sujo, impactante e chega ao ponto de ser chocante e doentio. Tobe Hooper inovou e criou um dos filmes mais influentes da história do cinema e que mesmo com várias produções que tentaram copiar essa obra continua se destacando como o melhor. O trailer original do filme promete a experiência de horror absoluto, dizendo: "Esse é o filme que é tão real, tão próximo e tão aterrorizante quanto fazer parte de tudo". E isso é verdade. Lembro bem de quando assisti pela primeira vez em VHS nos anos 90, a sensação que tive foi de fazer parte de tudo aquilo. Nenhum outro filme que eu vi depois dele foi capaz de tal feito. Talvez pela mistura perfeita de atmosfera, clima bizarro, fotográfica precária e documental, somado com a atuação dos atores e a falta quase total de trilha sonora ajudem a passar um puta realismo ao filme.

Existem várias produções que são mais chocantes como é o caso de Holocausto Canibal por exemplo, porém o grande diferencial do Massacre da Serra Elétrica é que ele não é um filme forçado com cenas de violência explicita. A situação em que os personagens se encontram é tão aterrorizante e macabra que o torna chocante. A família de psicopatas formada pelo Caroneiro, o cozinheiro do posto e o próprio Leatherface é a mais bizarra da história do cinema. É incrível como Tobe Hooper consegue manter o terror e o clima pesado em todas as cenas, até mesmo em algumas cenas bizarras como a do vovô cadáver da família, que não fica claro se está morto ou vivo. Assim como Sam Raimi fez em Evil Dead, Tobe Hooper faz bom uso das câmeras para construir boas cenas de terror. A cena em que Sally entra em desespero e vemos tudo pelo ponto de vista dela, além dos closes nos olhos dela são espetaculares.


A trilha sonora é quase ausente, sendo apenas alguns sons estranhos e altos em algumas cenas que funcionam e combinam com as cenas de terror. A precaridade da produção ajudou muito a deixar o filme no tom certo. O jeito como o filme foi filmado foi completamente apropriado, a gravação 16mm deixou o filme no tom certo, além do estilo quase documental. Se o filme erra em algo é apenas em criar suspense na primeira metade, isso não chega a ser um defeito, já que a falta de suspense no começo torne algumas cenas mais impactantes como aquela que eu já tinha comentando, onde o Leatherface dá as caras pela primeira vez, em que não há construção de suspense e a cena é completamente inesperada, sendo assim mais impactante e surpreendente.


A atuação de Marilyn Burns é digna de um Oscar, ela se entrega a personagem como nenhuma outra atriz já fez. Em todas as cenas ela expressa desespero e passa toda a agonia da personagem para o expectador.


Diferente dos filmes slashers que vieram um tempo depois, as mortes não estão ali para divertir, não são bonitas, estão ali para chocar e surpreender. Não é nada bonito ver um aleijado sendo cortado com uma motosserra, nem uma moça inocente sendo pendurada em uma gancho ainda viva, sem falar no cara que é abatido com uma mareta, onde se contorce de dor, enquanto leva mais algumas pancadas na cabeça.

O filme ficou proibido por mais de 10 anos no Brasil e outros 10 Paises, incluindo a Inglaterra. Quando saiu em 1974 quase foi banido dos cinemas por ser considerado muito perturbador. Há quem diga que o filme perdeu um pouco do impacto, eu discordo. Com tantas produções limpinhas, com direção incompetente e atores ruins nos dias de hoje, esse filme é uma verdadeira aula de como se faz um filme de terror de verdade e ao contrário do que dizem só melhorou com o passar dos anos.


É um filme que pode ser considerado radical, chocante, visceral, sujo, tenso, corajoso e principalmente o maior filme de terror da história do cinema.

Postado por: Marcelo



Sinopse: Levemente baseado em fatos reais, conta a história de um grupo de jovens que, durante uma viagem de carro, acabam caindo no caminho de uma família de pessoas insanas, cujo filho utiliza uma serra elétrica para matar as pessoas, tratando-as como carne animal.


FICHA TÉCNICA

Diretor: Tobe Hooper
Elenco: Marilyn Burns, Gunnar Hansen, Edwin Nael, Allen Danziger, Paul A. Partain, William Vail, Teri McMinn, Jim Siedow, John Dugan.
Produção: Tobe Hooper
Roteiro: Kim Henkel, Tobe Hooper
Fotografia: Daniel Pearl
Trilha Sonora: Wayne Bell, Tobe Hooper
Duração: 83 min.
Ano: 1974
País: EUA
Gênero: Terror

12 comentários:

  1. otima critica marcelo ...realmente o filme émuito foda. ja as continuações eu passo longe

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  2. Mauricio Filho11/28/2012

    Filme Clássico Massacre de 74, muito foda...tb detesto as continuações, mas gosto muito do remake de 2003 e do massacre o início de 2006. Parabéns, mais uma crítica foda Marcelo.

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  3. Valeu Ron, Valeu Mauricio. Vou escrever sobre as continuações também. Abraços!

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  4. De longe a melhor critica do sessão do medo.

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    1. Do melhor filme do Sessão do Medo. hehehe

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  5. Adoro suas criticas , voce sabe prender atenção de quem está lendo suas criticas , parabéns virei sua fã .

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  6. Opa valeu, elogio não tem preço e é sempre bem vindo ;)

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  7. Eu tive a audácia de ver esse filme dublado, não gostei da dublagem, tosca e ...argh, não curti =/ Legendando é bem melhor rs. Mas, com relação ao filme, ele tem uma característica bem pesada e suja, o que deixa esse clássico, arrepiante. O filme em si é ótimo! *o* O que me decepcionou foi a dublagem brasileira kkkk

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  8. Excelente crítica de um excelente blog!

    Queria compartilhar um trailer moderno do filme editado por um fã:
    https://www.youtube.com/watch?v=LkHjQ4ZRebE

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