Crítica: [•REC] (2007) - Sessão do Medo

5 de dezembro de 2012

Crítica: [•REC] (2007)


Em meados de 2007, um filme trouxe de volta o estilo found footage, o famoso ''Filmagens encontradas'', subgênero já utilizado antes em Cannibal Holocaust, A Bruxa de Blair e Cloverfield - Monstro. O filme é o espanhol [•REC], que deu novo folego a esse subgênero, mas que infelizmente também fez com que qualquer diretor achasse que podia fazer seu filme nesse estilo. Mas voltemos a REC.

O filme mostra a repórter Ângela Vidal (Manuela Velasco), que juntamente com seu câmera Pablo (Pablo Rosso), vão até um quartel de bombeiros de madrugada (o nome do programa é ''Enquanto você dorme''), para mostrar a rotina deles. Então o filme mostra tudo lá: de uniformes, até um momento em que Ângela joga uma partida de basquete para descontrair, até que os bombeiros são chamados para uma emergência. Como Ângela e Pablo querem mostrar TUDO o que acontece na rotina desses bombeiros eles vão também. Chegando lá descobrem que a emergência se trata de uma mulher que está gritando sem parar em seu apartamento, possivelmente porque tem problemas mentais. Porém ao chegar lá, logo descobrirão que o perigo é bem maior.

Diferente de casos de filmes que já começam quase fazendo você desistir de assisti-los, [•REC] já começa muito bem. A protagonista, e apresentadora do programa Ângela Vidal é extremamente carismática e consegue prender a atenção numa boa, mesmo enquanto não começa o terror mesmo do filme. Outra coisa que me chama a atenção nela é que, quando todo mundo fica preso no prédio, ela não manda o Pablo gravar tudo só por gravar, ela repete várias vezes no filme que ``tudo que está acontecendo ali tem que ser mostrado ao público´´, quando diz isso, ela se refere ao fato de que foi juntamente com Pablo, os bombeiros e os moradores, isolada naquele prédio porque poderia haver uma possível contaminação ali dentro. Mas ninguém que está lá fora lhes dá alguma satisfação.

As atuações dos outros personagens ficaram muito boas, bem naturais. Não teve superficialidade, ou personagens indiferentes a tudo que está acontecendo ao redor. Ponto positivo para o filme. E mais ainda para a Ângela. A direção do filme ficou muito boa para um found footage, a câmera fica balançando em alguns momentos (para dar um ar verídico a trama) e mais parada em outros, além do que uma característica positiva nesse ponto é que o filme não tem cortes bruscos de uma hora pra outra. Várias tomadas são bem longas.


O começo do filme é bem agradável, depois melhora, quando começa um pouco do terror. Mas o filme perde toda a força quando Ângela começa a entrevistar os moradores do prédio, perguntar a quanto tempo moram ali e tudo mais. Aquela parte poderia ter sido reduzida ou retirada do filme. Sorte que o diretor Jaume Balagueró conseguiu contornar isso e após aquela parte, ele prende sua atenção até o fim do filme. Os últimos quinze minutos de filme são os melhores, com um nível de suspense difícil de ser alcançado que prende facilmente o telespectador. Diferente por exemplo de Atividade Paranormal em que só os dois últimos minutos são os melhores.

[•REC] é sem sombra de dúvida, a prova de que nem só de boas produções americanas vive o cinema do terror contemporâneo, que veio depois e criou o remake descarado Quarentena. O filme é muitíssimo recomendado a qualquer um que nunca viu. Não importa se você já viu filmes parecidos que vieram depois como Atividade Paranormal e Desaparecidos. Veja [•REC], porque vale a pena.

Curiosidades: 
= Foi rodado em locações verídicas, sem que fosse necessária a construção de quaisquer sets de filmagens. 
= Durante as filmagens da cena em que um jovem bombeiro cai da escada nenhum ator sabia o que estava realmente acontecendo, o que fez com que as reações gravadas fossem as dos próprios atores naquele instante. 

Postado por: Igor Afonso

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