Crítica: O Albergue (2006) - Sessão do Medo

4 de fevereiro de 2013

Crítica: O Albergue (2006)


Vamos falar hoje de um dos filmes de terror mais conhecidos dos anos 2000 e também que mais dividem opiniões entre todos: O Albergue. Dirigido por Eli Roth (Cabana do Inferno, ao qual eu nunca vi o primeiro mas a continuação é sofrível) e produzido por Quentin Tarantino (Kill Bill, Pulp Fiction) o filme é um daqueles casos bem 8 ou 80: ou você ama, ou você odeia. Hoje vamos penetrar (no bom sentido) a fundo nesse filme e no final vou dar meu veredito sobre ele. Vamos então.

O filme conta a história de dois mochileiros, Paxton (Jay Hernandez) e Josh (Derek Richardson) que estão viajando pelo Eurocontinente a procura de drogas e mulheres para eles catarem. Logo conhecem o islândes Oli (Eythor Gudjonsson), que fala pra eles sobre um lugar estilo American Pie que os faria completamente satisfeitos. Logo também convencidos por outro turista que encontram (esse um tipinho bem suspeito) os indica um lugar numa cidade da Eslováquia. Quando chegam lá se vêem perdidos de tesão por Natalya (Barbara Nadeljakova) e Svetlana (Jana Kaderabkova). Após uma noite com as garotas, ao acordar, Paxton não encontra Josh em lugar algum, o que logo ele descobre que faz parte de uma trama macabra.


É bem difícil analisar O Albergue. Mas vamos lá. Ao mesmo tempo que o filme pode ter um roteiro vazio, ele também passa uma mensagem de quem é o maior inimigo do ser humano. Não são demônios, espíritos, filmes ruins de espíritos ou nada desse gênero. O maior inimigo do ser humano é ele mesmo. Muita gente acha o filme "loco" só por ter muita violência e mulher pelada. O filme tem esses dois elementos ? Tem, mas ele é muito mais que isso.

Eu já perdi as contas de quantas criticas eu falei aqui que os melhores filmes de terror são aqueles que exploram o fato dos personagens estarem em lugares desconhecidos. O Albergue explora bem esse fato, Paxton e Josh desconhecem totalmente a Eslováquia (assim como 99% dos que estão assistindo) e quando eles (no caso, o Paxton) descobre que todos ao seu redor estão envolvidos num grande esquema tudo piora.


Vamos falar dos elementos que mais se destacam no filme. Primeiramente eles conseguiram uns europeus com cara de europeus mesmo (isso não acontece em todo filme...), além disso os cenários dentro do "clube de caça de elite" ficaram muito bons, a cenografia está de parabéns. A fotografia também está boa. A câmera se sobrepõe entre primeira, e terceira pessoa, mas sempre bem dinâmica. O filme todo na verdade é bem dinâmico e no ritmo certo. Nem muito enrolado, nem muito rápido. Muito desse dinamismo se deve a atuação de Jay Fernades que consegue passar as emoções certas nos momentos certos, ótima atuação. O resto do elenco é indiferente. O Paxton é o único personagem que eu torci, os outros por mim nem faria muita diferença.


Chegamos aos efeitos especiais. Algumas cenas, eles se destacam, mas outras são sofríveis. Tipo a cena do corte dos dedos, do corte da perna ficaram legais. Mas algumas vezes como na cena do olho, você tem vontade de destruir a tela da TV.

(O PRÓXIMO PARÁGRAFO CONTÉM SPOILERS, SOBRE O FINAL DO FILME)

Se um dia eu for fazer uma lista com as 10 melhores vinganças finais de filmes, com certeza O Albergue estaria presente na lista. O fim do filme sem dúvida é o seu ápice com a vingança do último sobrevivente com um dos "caçadores". Ótimo final.
(AQUI TERMINAM OS SPOILERS)

Encerrando, O Albergue é um filme bom? É sim. Vale a pena vê-lo e se você captar a mensagem provavelmente vai gostar. Se você não gosta de filmes com cenas fortes, ou se só gosta de filmes com roteiros inteligentes/complicados não vai gostar, mas serviu ao menos para reduzir o turismo para a Eslováquia (ou aumentar né, tem louco pra tudo nesse mundo).


Curiosidades:

- Possui duas continuações: O Albergue 2 (2007) e O Albergue 3 (2011)
- Jay Fernandes também atuou na continuação (O Albergue 2) e no remake de REC (Quarentena).
- O Albergue foi escrito, produzido, rodado e lançado nos cinemas em apenas 12 meses. Trata-se de um período 3 vezes mais rápido que a média das produções feitas em Hollywood;
- Em O Albergue nove línguas diferentes são ditas, sem que haja qualquer legenda. Trata-se do filme americano com o maior número de línguas diferentes sem ter legenda;
- Mais de 150 galões de sangue foram usados durante as filmagens. Trata-se de aproximadamente 3 vezes mais sangue que o filme de estréia de Eli Roth como diretor, Cabana do Inferno (2002);
- O diretor Eli Roth contratou verdadeiros meninos de rua para interpretar os integrantes da Bubble Gum Gang;
- As músicas tchecas e eslovacas presentes em O Albergue fizeram grande sucesso na República Tcheca entre 1982 e 1989;
- Eli Roth pediu perdão oficial ao presidente da Islândia, por ter feito com que os islandeses parecessem maníacos por sexo e drogados através do personagem Oli. Ao saber do pedido o presidente riu e concedeu o perdão, dizendo que aquele era um lado pouco visto dos islandeses em filmes. O diretor também pediu perdão ao Ministério da Cultura da Islândia, por quaisquer danos que O Albergue possa ter causado à reputação do país.

Postado por: Igor Afonso