Crítica: O Massacre da Serra Elétrica 2 (1986) - Sessão do Medo

27 de maio de 2013

Crítica: O Massacre da Serra Elétrica 2 (1986)

Os filmes de terror ganharam muita popularidade nos anos 80, muitas das continuações de clássicos e filmes novos que saíram na época eram garantia de sucesso e algo que estava em alta nos anos 80 eram os filmes de terror com humor negro, no estilo A Hora do Espanto, Uma Noite Alucinante, A Volta dos Mortos-Vivos, as continuações de A Hora do Pesadelo entre vários outros. Foi em 1986 que Tobe Hooper, responsável pelo maior clássico de terror já feito, assinou contrato com a pequena produtora chamada Cannon para dirigir uma continuação do clássico O Massacre da Serra Elétrica. A tal continuação era planejada para seguir os passos das várias produções que estavam saído naquela época com muita violência, sangue e uma dosagem alta de humor negro, tendo um estilo diferente do primeiro, que era um filme pesado e sério. O resultado foi um filme que ficou muito abaixo do primeiro, mas que se destacou por ser diferente.

São muito poucas as pessoas que gostaram dessa continuação, que chegou a ser taxado como bomba e indicado como uma das piores continuações de todos os tempos, status que mantem até hoje. Considero o primeiro filme o maior filme de terror de todos os tempos e concordo que essa continuação está muito abaixo do puta filmaço do caralho que é o primeirão, mas também não tem como negar o quanto essa continuação é boa e o quanto ela se destaca como um filme próprio, não tem como comparar, é mais ou menos como A Casa dos 1000 Corpos comparado a Rejeitados pelo Diabo, só que nesse caso, não é a continuação que está acima do primeiro como é o caso de Rejeitados. Acho que o próprio Tobe Hooper se deu conta que não poderia fazer um filme a altura do primeiro e decidiu fazer uma continuação que é uma versão exagerada e caricata do primeiro e o resultado foi uma das continuações mais divertidas já feitas. Tobe Hooper fez com essa continuação o mesmo que Sam Raimi fez com Evil Dead II, inserido muito humor, sangue, violência, além de ter um estilo próprio. A diferença é que Evil Dead II teve ótima recepção, enquanto O Massacre II foi rejeitado.



O enredo da continuação se passa 12 anos após os eventos do primeiro filme. Na cena inicial é narrado que Sally, a sobrevivente do massacre conseguiu contar a policia sobre os eventos que aconteceram no filme anterior. A policia fez uma busca, mas não conseguiu localizar a tal casa de fazenda descrito pela moça, que um pouco tempo depois entrou num estado de catatonia. Mesmo sem pistas dos crimes e fatos concretos a policia com o passar dos anos investigarão alguns crimes relacionados a tal caso, onde pessoas foram misteriosamente mortas por moto-serras em alguns lugares do Texas. Fora isso, a história mostra uma DJ chamada Stretch (Caroline Williams), que trabalha numa rádio local do Texas chamado de Kaokla, onde os ouvintes ligam para o programa para escolher  músicas para serem tocadas na rádio. Num dia qualquer, Stretch recebe a ligação de dois caras que estão numa estrada rumo a um jogo de futebol. A dupla liga para a rádio só para perturbar a moça. Uma caminhonete segue os dois sujeitos, que mesmo assustados deixam o telefone ligado. Leatherface aparece em cima do carro, junto com a moto-serra e vestindo o cadáver do irmão caroneiro e ataca a dupla, serrando a cabeça de um deles, numa das cenas mais divertidas do filme. Stretch escuta tudo pela rádio, até o carro bater, matando o outro cara que estava no carro.

No dia seguinte um sujeito vestido que Cowboy, investiga o caso indo até o local do acidente. O tal sujeito se chama Lefty (O falecido Dennis Hopper, que já declarou que esse foi o pior filme da sua carreira) e é o tio de Sally e Franklin, que a anos está procurando os assassinos responsáveis pelo assassinato de Franklin. A policia ignora os fatos e Lefty decide investigar o caso por conta própria. Depois de conhecer Stretch ele convence a moça a passar a gravação de áudio com as mortes na rádio. No fim da noite Stretch fica sozinha na rádio, passando a gravação. Um sujeito estranho (Bill Moseley, o Otis de A Casa dos 1000 Corpos e Os Rejeitados pelo Diabo) aparece na rádio e é ninguém menos que um dos membro de família de psicopatas e irmão do Leatherface que também dá as caras, perseguindo Stretch com a moto-serra, Leatherface se apaixona a primeira vista e deixa Stetch viva, sem que o irmão Chop Top saiba. O quê acontece depois? A Stretch procura a policia? Não senhores! A moça é tão esperta que decide ir atrás da dupla, seguindo os dois de carro até o lugar onde a dupla se esconde. Numa antiga mina abandonada embaixo de um parque de diversões fechado. Chegando lá, ela acaba caindo num burrado e indo parar no subterrâneo, mas por sorte a moça é avistada por Lefty, que está disposto a se vingar da família de assassinos e resgatar Stretch.

O Massacre da Serra Elétrica 2 é um filme de excesso, no melhor estilo anos 80. Excesso de violência, sangue, humor, bizarrices. Se você conseguir entrar no clima desse filme é diversão garantida. Embora não seja um filme trash, tem muito do estilo trash, seja pelo exagero ou pelo humor, ou até mesmo pelo clima pastelão da produção. Chop Top é um dos grandes destaques desse filme, um dos personagens mais bizarros da história dos filmes de terror, com falas sem sentido, mas muito boas como: "Isso é como a morte comendo bolachas, não é?". Além do Chop Top temos o Drayton Sawyer, pai da dupla, interpretado mais uma vez por Jim Siedow e o ícone Leatherface, dessa vez nenhum pouco assustador, chega a ser engraçado em várias cenas. Bill Johnson não teve o mesmo cuidado com o personagem que Gunnar Hansen e trocar o ator não foi uma boa ideia, esse Leatherface perde e muito para o do primeiro.

Os efeitos especias de maquiagem e gore foram criados por Tom Savini (Sexta-Feira 13, Despertar dos Mortos, Maniaco entre outros...) que se disse decepcionado pelo cortes feitos em uma das cenas mais violentas do filme, onde a família matava um grupo de pessoas que iam ao estadio de futebol. A cena foi deletada e pode ser vista no Yotube. A violência apresentada na continuação é maior que a do primeiro filme, com muito gore e cenas pesadas, mas sem o mesmo impacto. Dentre as melhores cenas uma que um sujeito leva várias pancadas na cabeça e tem a pele arrancada. O numero de mortes é uma das mais baixas de um filme de terror, além do sujeito que tem a cabeça serrada no começo, o filme só tem UMA morte, só uma...

O grande mérito dessa continuação é o enredo, que foge completamente dos padrões da série. Todos os filmes da série seguem o padrão de enredo do original, com um grupo de jovens indo parar na casa de fazenda da família assassina e sendo mortos e torturado pela família. Já nesse aqui o roteiro segue outro padrão, algo que nenhum outro filme da série além desse fez. Quem acompanhou o filme pela TV aberta em sessões do TV Terror e Cine Sinistro, deve lembrar também da excelente dublagem brazuca, onde o Chop Top é dublado pelo Nelson Machado Filho (Dublador do Kiko) e a Stretch é dublada pela Cecília Lemes (Dubladora da Chiquinha), a dublagem é excelente e merece uma conferida.


O filme pode ser considerado também uma versão exagerada, caricata, até uma parodia do clássico original, mas consegue ser muito melhor que essa continuação de 2013, que se diz a continuação original. Não to dizendo que o filme é excelente,  todo mundo odeia, então eu não vou recomendar a não ser que você tenha gostado das características que eu citei, com humor pastelão, excesso de cenas bizarras, violência e bizarrice. Se você curte filmes assim então sigam-me os bons e conheça a continuação original do clássico de 1974.
por Marcelo Alves

Título Original: The Texas Chainsaw Massacre 2
Ano: 1986
Duração: 101 minutos
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: L. M. Kit Carson
Elenco: Dennis Hopper, Caroline Williams, Bill Moseley, Jim Siedow, Bill Johnson

2 comentários:

  1. Anônimo9/04/2017

    Gosto mt desse filme, acho mt divertido, e hj esse filme tem ate um bom reconhecimento, e classificado como um filme cult

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  2. Eu curto muito esse filme,pq parece um desenho animado bem violento

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