Crítica: Amargo Pesadelo (1972) - Sessão do Medo

15 de junho de 2013

Crítica: Amargo Pesadelo (1972)


Como eu já tinha comentado, os anos 70 foram os responsáveis por trazer a tona filmes corajosos e pessimistas. Filmes sujos, sem apelo comercial, violentos e corajosos, dentre os mais conhecidos estão Aniversário Macabro (1972), O Massacre da Serra Elétrica (1974), A Vingança de Jennifer (1978), Quadrilha dos Sádicos (1977). Entre os menos conhecidos está Amargo Pesadelo (Deliverance) de 1972.

O filme é baseado no livro de mesmo titulo, escrito pelo autor James Dickey, que também escreveu o roteiro do filme, adaptando a história, sem muitas alterações.

Demorou um tempão para eu conferir o filme, só conhecia pelo nome em que em dois filmes é citado. Em Pânico na Floresta, antes dos personagens invadirem a casa dos mutantes, um dos personagens pergunta: "Você já viu um filme chamado Deliverance?", em A Bruxa de Blair, depois de entrarem na floresta, Mike pergunta para Heather: "Você já viu Deliverance?". Isso já mostra que Amargo Pesadelo tinha sido um dos pioneiros a mostrar sobreviventes em lugares afastado na civilização, tendo que enfrentar o desconhecido. e mesmo tendo inspirado vários outros filmes com o mesmo tema, continua se destacando como um dos melhores nesse estilo.

A história é simples e direta, mas se desenvolve de forma espetacular, tensa e com um suspense gradual, onde os personagens se encontram em uma situação de vida ou morte, tendo que lutar para sobreviver.

A história é focada em quatro personagens, que são amigos de trabalho da cidade grande. Entre eles, Lewis (Burt Reynolds de Tubarão, No Limite da Loucura), Ed (Jon Voight de Missão Impossível, A Arca de Noé), Bobby (Ned Beatty de O Exorcista II e Superman) e Drew (Ronny Cox de Robocop - O Policial do Futuro e O Vingador do Futuro), estão indo em direção a um rio, num local isolado, para passar o fim de semana em contato com a natureza. Os quatro amigos decidem descer as corredeiras do rio antes da construção de uma represa no local. Ao redor do rio, há uma pequena população de caipiras locais. Tudo de boa, até surgirem dois caipiras e atacam Ed e Bobby. Um deles é amarrado a uma arvore por um cinto, enquanto o outro é estuprado e humilhado, até que são salvos por Ed, que acerta um dos sujeitos com uma flecha certeira, que o mata na hora. O outro sujeito consegue fugir e o grupo entra em desespero, sem saber o quê fazer. Depois de muita discussão, o grupo decide esconder o corpo do caipira e descer o rio. Ao descer a correnteza, a canoa é atingida e quebra, matando um dos 4, que ficam sem saída, a não ser procurar o responsável e tentar sair vivos dali.

Amargo Pesadelo segue o estilo dos filmes já citados, é tenso, sujo e pessimista. A tal cena do estupro é bizarra e crua ao extremo, embora seja quase cômica pela situação apresentada na tela, é impactante da mesma forma. O jeito como o diretor filma as cenas é outro destaque, a câmera fica muito próximo aos personagens, fazendo o público testemunhar tudo quase do mesmo ponto de vista que os personagens. Nas cenas em que os personagens descem o rio é como estar dentro da canoa, junto com eles, embaixo da água, no penhasco... São poucas as cenas em que a câmera mostra os personagens num ângulo afastado, quando faz é só para mostrar a imensidão da selva em que eles se encontram.

Os atores estão ótimos em cena, Burt Reynolds se destaca, tanto o ator quanto o personagem tem uma grande presença de cena. Jon Voight despensa comentários, ele até chegou a ser indicado ao Globo de Ouro de melhor ator pela atuação nesse filme. O filme teve 3 indicações ao Oscar, melhor filme, melhor direção e melhor edição.


Há alguns problemas no desenvolvimento, como o personagem Bobby, que mesmo depois de estuprado e humilhado reage a situação de forma completamente normal, sem nenhuma carga dramática sendo que o mais certo seria se o personagem ficasse perturbado, em choque ou revoltado, age como se nada tivesse acontecido. Embora esse detalhe não chegue a ser um defeito do filme, poderia ter sido trabalhado com mais cuidado.

Outro ponto que não me agradou foi o terceiro ato e o desfecho da história, que mesmo sendo conclusivo não me pareceu completo. Por mim a parte da investigação e possível descoberta dos corpos deveria ter ficado de fora. No meio de várias qualidades e alguns defeitos o filme merecia sim mais reconhecimento. Faz parte da boa safra de filmes dos anos 70. Uma boa pedida!

Postado por: Marcelo

4 comentários:

  1. Nossssa, faz tempo que eu não vejo esse filme, eu tinha o VHS. Muito bom mesmo!

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  2. Anônimo12/23/2013

    O melhor comentário que já li sobre o filme, bem como as críticas.
    Parabéns,

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  3. Nos anos 1980 havia uma sessão de filmes na madrugada chamada "Versão Original".Acho que na TV Manchete, não tenho certeza. Em uma época que mesmo com o VHS não havia tanta oferta de filmes nem internet, era uma super oportunidade de ver grandes filmes legendados. Pois, eu com uns 11 anos,assisti ao Amargo Pesadelo e amargos foram os pesadelos que me atormentaram por semanas! Só assisti novamente há poucos anos.

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  4. Entre os menos conhecidos???Desculpe amigo mas Deliverance é um classico!!!Fala serio....posso te indicar literatura sobre classicos do cinema!!

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