Crítica: Citadel (2013) - Sessão do Medo

25 de junho de 2013

Crítica: Citadel (2013)


Depois de uns dias sem assistir nada de novo, só revendo os clássicos, decidi assistir um filme desconhecido chamado Citadel, já tinha publicado o trailer e a sinopse aqui no Sessão do Medo. Não cheguei a ler a sinopse, nem ver o trailer, algo que eu faço muito. Vejo o poster, o titulo e pronto... Se me interessar eu parto pra dentro. Fazer isso, as vezes, é atirar no escuro, o filme pode ser ou muito ruim, ou uma boa surpresa. Vendo o filme, fiquei feliz em não saber nada sobre ele, acho que o filme não funcionaria tão bem se eu soubesse de cara sobre o que se tratava. O filme foca muito num clima de paranoia, conduzido pelo protagonista que, assim como o público, não faz ideia do que está acontecendo e isso ajuda no clima de suspense, que é o ponto alto do filme. Quem não quiser saber detalhes do enredo também é bom parar por aqui...


O filme segue Tommy (Elijah Wood Aneurin Barnard), um sujeito que tem estresse pós-traumático e adquire agorafobia (Medo de locais abertos), após a mulher grávida ser atacada por um grupo de moleques encapuzados, que a ferem gravemente e aplicam uma seringa em sua barriga. Mesmo gravemente ferida, ela consegue dar a luz ao bebê, e em seguida entra em coma. Após um ano em coma, os médicos decidem desligar os aparelhos que a mantêm viva. Tommy fica abalado, nada mais resta a não ser cuidar da filha, mas as crianças voltam a atormentar Tommy, em busca da sua filha...

É impossível não notar a semelhança entre Citadel e Os Filhos do Medo de David Cronenberg, que vão desde o argumento, até as cenas e as tais crianças encapuzadas, que parem ter saído do filme do Cronenberg. Assim como Os Filhos do Medo, o filme opta por não dar detalhes de onde saíram as tais crianças, são só alguns diálogos e pistas espelhados em algumas partes, mas nada concreto sobre as origens. Isso é um defeito? Não mesmo! É exatamente em esconder as informações que o filme acerta. O filme todo tem um clima de paranoia, conduzido pelo protagonista que está constantemente com medo de tudo que o cerca. Detalhes mínimos na produção ajudam na qualidade do filme, como o visual escuro e sombrio e cenários assustadores, como o prédio habitado pelas tais crianças, ou as ruas vazias e escuras, tudo parece tão deserto, feio e abandonado, que parecia um filme pós-apocalíptico. Ponto para a ambientação do filme! Somem isso com um clima de paranoia durante o filme temos um grande acerto na construção de um clima assustador.

A atuação de Aneurin Barnard, que faz o papel principal é excelente, conseguiu transmitir bem o medo do personagem em todas as cenas. O resto do elenco faz sua parte, mas sem o mesmo destaque.

O grande problema de Citadel é o roteiro que poderia ter sido mais bem trabalhado. A primeira metade é focada no drama do personagem principal, parece que faltou tempo para desenvolver a parte envolvendo as crianças. A curta duração de apenas 80 minutos não ajudam, quando o filme chega ao fim, você pensa: "Já terminou? É só isso?!"

O filme não segue aquele padrão de filme que assusta, o diretor opta por criar um clima de suspense o filme todo e deixa os sustos de fora. Todo o clima vem pelo ponto de vista do personagem, nada de trilha sonora de suspense e efeitos sonoros. Dei uma pesquisada sobre os trabalhos anteriores do diretor Ciaran Foy, e li que Citadel foi o primeiro trabalho dele como diretor. O cara tem futuro, não é todo diretor que tem o mesmo cuidado com uma produção de baixo orçamento como esse, nas mãos de um diretor errado, seria um desastre. 

Citadel é uma boa surpresa para quem não espera nada, como foi comentado, o ponto fraco é roteiro que poderia ter sido mais bem trabalhado. De resto é um filme que merece ser visto.

Postado por: Marcelo

Um comentário:

  1. Assisti ontem, o principal lembra o Frodo do Senhor dos Anéis.

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