Crítica: Carrie, A Estranha (2013) - Sessão do Medo

22 de outubro de 2013

Crítica: Carrie, A Estranha (2013)


Em 1974 Stephen King lançou o primeiro livro de sua carreira Carrie (Carrie - A Estranha no Brasil), livro que dois anos depois foi adaptado para as telas no clássico dirigido por Brian DePalma em 1976, considerado até hoje uma das melhores adaptações pras telas da carreira do escritor e um clássico do terror. A regra em hollywood continua a mesma, não importa o quanto um filme seja apreciado e comentado, se é considerado um clássico com uma base de apreciadores, uma nova versão sempre aparece. Depois de ganhar uma continuação e uma refilmagem feito direto para a TV americana em 2002, a MGM conseguiu os direitos sobre um novo remake.

A direção ficou a cargo da diretora Kimberly Peirce de Meninos Não Choram, que afirmou em várias entrevista que o filme não seria um remake e sim uma nova adaptação fiel ao livro e diferente das outras versões. Ela mentiu, o filme é um remake com vários takes, cortes de cena, posicionamento de câmera, cenas e falas exatamente iguais a versão do DePalma, desde Quarentena e A Profecia que eu não via um remake tão parecido com o original, "Remake Xerox" como dizem alguns. A promessa de algo diferente e inovador e fiel ao livro original não foi mantida.


A história do filme para quem ainda não conhece é exatamente a mesma do filme de 76 e do livro: Carrie é uma menina tímida e pacata que sofre bullying na escola e é mal tratada pela Mãe, uma fanática religiosa que acha que tudo é pecado e considera a filha uma pecadora. Carrie desenvolve poderes telecinéticos que se manifestam em momentos de medo e ódio, algo que mais tarde é usado como arma. Sim, como arma, já que nessa versão a personagem tem controle sobre a telecinese e usa os poderes por vontade própria como arma, umas das poucas alterações dessa nova versão.

Há uma tentativa de modernizar a história incluindo uma subtrama desnecessária de cyber bullying, na cena que Carrie é humilhada depois da primeira menstruação que é filmado por uma das moças e minutos depois vai parar no Youtube (!) Exagero? Sem dúvida! 

O aspecto religioso tão explorado no primeiro filme e no livro não teve o mesmo destaque nesse aqui, a personagem Margaret White nessa versão age mais como uma mulher com problemas mentais, do que uma fanática religiosa, algo que foi levado ao extremo na versão de 76 e já não tem destaque nesse aqui. O ponto alto nisso tudo é a atuação excelente da atriz Julianne Moore, roubando as cenas com olhares e expressões insanas, o roteiro deu um pouco mais de espaço a insanidade da personagem e deixou o fanatismo em segundo plano, com destaques para as cenas em que ela fica batendo a cabeça na parede (tá no trailer, então não é spoiler!!!) e se cortando. Já a Chloe Moretz, eu sempre achei a atriz gata demais pro papel, não achei que fosse convencer como Carrie e eu tava certo, não convenceu mesmo. A atuação é boa e só, ela sabe atuar, mas não constrói a personagem bem como a Sissy Spacek fez no original, não passa a carga dramática nem convence como uma garota estranha e tímida. Ficou claro desde o começo que ela foi escolhida pelo sucesso que teve nos últimos anos em filmes como Kick Ass


Quem achava que a tal cena do baile ia ser a carta na manga dessa versão, se enganou também. A tal cena do baile é corrida demais, tudo acontece num ritmo acelerado comparado ao original. A tal cena do banho de sangue de porco é péssima, chega ser cômica, usam replay na cena em velocidades diferentes, como num lance de um jogo de futebol. Vemos uns 4 replays da cena em ângulos e velocidades diferentes. Pra quê?! Se era pra sentir o drama da cena, falharam e falharam feio! E as mortes são melhores que a do original? São sim, mas não causam o mesmo efeito, pela classificação de 18 anos eu esperava muito mais, o filme tem medo de mostrar violência extrema. Na tal cena do baile os efeitos especiais de CGI correm soltos, sem motivo nenhum. Tudo aquilo poderia ser feito de forma prática, sem apelar pra computação gráfica.

Como trailer deixou claro, a personagem tem controle total dos poderes nessa nova versão, no original Carrie não matava por vingança, já nesse aqui ela mata porque quer se vingar. Foi uma diferença bem vinda e só nesse detalhe que o filme ganha uma identidade própria. O tal lance da cidade destruída tão prometida no trailer passou batida no filme, sem destaque, e o tal final diferente da versão original que a diretora tanto prometeu ficou de fora dessa versão, pelo que saiu esses dias o adiamento do filme foi devido a alterações no roteiro e refilmagens de cenas a pedido dos executivos do estúdio, a tal cena com o final modificado ficou de fora. Não se sabe ainda se num futuro aparecera em alguma versão em DVD ou se ficara perdida como as cenas do Evil Dead.

Ao total o o filme é decepcionante por prometer algo e não cumprir, não é uma adaptação fiel do livro como foi prometido, nesse caso o remake de 2002 se supera nessa parte, entre os 3 a versão de 2002 é a mais fiel ao livro. Assim como foi o caso de A Profecia em 2006, a refilmagem de Carrie, A Estranha é completamente desnecessária e sem proposito, a não ser comercial. Não é um filme ruim exatamente por ter algumas das qualidades do original, tudo que esse filme tem de bom já foi mostrado de forma melhor em 1976.

por Marcelo Alves

9 comentários:

  1. Anônimo10/24/2013

    Poxa, esperava bem mais desse remaike, sou uma grande fã do livro e esperava que fosse a melhor adaptação, mas infelizmente é assim que o cinema americano anda nos últimos dias, puramente comercial como já era de se esperar. Ainda vou assistir, mas com expectativa baixa.

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  2. ótima critica Marcelo... confesso que vc mencionou uns pontos ai que fiquei umpouco decepcionado... Agora é esperar para assistir e ver ser concordo com sua opinião!

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  3. Pois é, o filme é decepcionate mesmo. Só vendo pra ter uma ideia!

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  4. Anônimo11/14/2013

    boas de portugal gosto muito das criticas que faz dos filmes muito conciso. tens de fazer mais ;)

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    1. Opa, valeu mesmo. Vou fazer sim. Abraço!

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  5. Anônimo11/26/2013

    Eu concordo plenamente com sua critica marcelo, o remake ''Carrie, a estranha'' de 2002 é Otimo e muito fiél ao livro.

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  6. Anônimo11/26/2013

    Você deveria ter mencionado algumas coisas sobre a versão de 2002 pois eu acho que ela ta sendo muito ignorada ultimamente.

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  7. Ainda não assisti, quando me contaram sobre o remake eu pensei "Pra que outro remake?". Pesquisei de curiosidade para saber quem interpretaria Carrie, e também pensei a mesma coisa que você, gata demais pro papel. '-'
    Vi apenas a versão de 2002, mas gostei muito.

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  8. Anônimo9/29/2014

    Eu amei. Minhas únicas criticas são a respeito da curta duração do massacre no baile, a atriz bonita demais para ser Carrie e exageros com a cena do voo e o pisão pra rachar o asfalto. O uso de CGI pra mim foi ótimo. Não achei nada desnecessário. Exagerado nas cenas que citei, mas muito bem usado no baile.Se Brian de Palma tivesse acesso aos mesmos recursos em 76 ele também os teria usado.

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