Crítica: Os Vivos Serão Devorados (1980) - Sessão do Medo

8 de outubro de 2013

Crítica: Os Vivos Serão Devorados (1980)


Nos anos 70, o cinema italiano produziu uma leva de filmes sobre índios canibais com bastante gore e até cenas reais de assassinatos de animais. Com o passar dos anos, esses filmes se tornaram objeto de culto e ganharam muitos admiradores, alguns até famosos, como o músico Phil Anselmo, e os cineastas Quentin Tarantino e Eli Roth. O último tem como filme favorito Cannibal Holocaust de Ruggero Deodato, e até homenageou o subgênero em seu mais novo filme , The Green Inferno. Um dos filmes mais memoráveis do ciclo de canibais é Os Vivos serão Devorados de Umberto Lenzi . Trata-se de um longa interessante, um thriller envolvente, e recheado de cenas fortes.



O filme começa mostrando um índio matando homens em Nova York com dardos envenenados, até que foge da polícia, é atropelado e morre na hora. Num de seus bolsos a polícia encontra um filme em 8MM , que mostra um ritual de uma seita pagã, tendo como espectadora uma jovem mulher, que está desaparecida. A policia então procura a irmã dela, Sheila , que resolve ir até o local onde se deu o ritual (Nova Guiné, na Ásia) para procurar a irmã, junto com um mercenário desertor da guerra do Vietnã.   


Os Vivos Serão Devorados é um bom exemplar de cinema exploitation, com todos seus elementos básicos: nudez feminina, violência, cenas chocantes, personagens caricatos. As apelativas cenas de violência contra animais, e destes sendo devorados por outros, apesar de incômodas, acabam reforçando o tom cru e realista do filme. O longa tem um ritmo bem dinâmico, e Lenzi é muito bem sucedido em criar tensão graças também a atmosférica trilha sonora. Todas as cenas de canibalismo são muito boas, não economizando no gore, com ênfase à cena das duas mulheres sendo devoradas no final. O casal de protagonistas tem química e é bem carismático (o clone de James Caan Robert Kerman e a bela Janet Green). Ivan Rassimov tem uma boa atuação como o vilão Jonas, o líder da seita a que a irmã de Sheila pertence. Como o nome sugere,  o personagem é uma clara referência a Jim Jones, o pastor do diabo, homem que fez todos os membros de sua seita cometerem suicídio coletivo em 1978, e que inspirou outros filmes e documentários, como “Jonestown: The Life and Death of Peoples Temple”, de 2006.           

O roteiro do filme tem furos, mas como um bom exploitation nunca é focado no roteiro , mas no choque causado pelas cenas e no entretenimento, isso pouco importa. Um bom filme de canibal deve entregar o que satisfaz os nossos instintos mais básicos: violência, sexo, nudez. Assim o canibal dentro de cada um de nós tem a sua fome aplacada.

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