Crítica: Basket Case (1982) - Sessão do Medo

17 de novembro de 2013

Crítica: Basket Case (1982)

Já ouvi em algum lugar que a falta de grana numa produção em hollywood é o pai da criatividade; Se pararmos para pensar em boa parte dos clássicos dos anos 70 e 80, quase todos foram feitos com pouca grana e muita criatividade. Diretores iniciantes criando clássicos como Evil Dead, O Massacre da Serra Elétrica com pouco dinheiro e uma equipe iniciante, é o mesmo caso do pequeno filme cult Basket Case, filme de estreia do diretor Frank Henenlotter, que mais tarde dirigiria perolas como Brain Damage e Bad Biology... O diretor teve inspiração direta em exploitations dos anos 70, foi assim que ele começou a filmar curtas independentes. Basket Case foi o primeiro longa metragem do diretor, que também assinou o roteiro e a produção, feita com uma equipe limitada e iniciante filmado em 1981 e lançada em circuito limitado em 1982 em sessões da meia-noite (reservada para filmes B), o filme só ganhou status de cult depois de ser lançado em VHS.


A história de Basket Case é focada em Duane Bradley (Kevin Van Hentenryck), que acaba de se hospedar num hotel meia estrela em Nova York localizado na Times Square, carregando um misterioso cesto com algo vivo no interior. Antes da metade do filme descobrimos que o que mora dentro do cesto é o irmão gêmeo siamês de Duane, chamado Belial. Um ser deformado que tem apenas o torço e que só se comunica através da mente de Duane. Ambos foram separados na infância, já que o Pai não aceitava Belial e queria que Duane tivesse uma vida normal. Pensando nisso ele contratou médicos para fazer uma operação clandestina de remoção. Após a cirurgia, Belial foi jogado numa lixeira e descartado como lixo cirúrgico, onde mais tarde é encontrado por Duane. Anos se passam e depois de todo o flashback mostrando a história da infância dos dois, ficamos sabendo o motivo dos dois estarem ali. Belial convenceu Duane que matar os médicos responsáveis pela separação era o certo a fazer. Belial executa o plano e Duane faz parte do mesmo, mas perde o rumo depois de se apaixonar por uma secretária gostosinha. Belial tem sede de vingança, enquanto Duane fica divido entre o certo e o errado.





Basket Case é um autentico trash da melhor qualidade, feito com um orçamento muito baixo e com muita criatividade. Tudo funciona bem em conjunto, o gore, a história absurda, os efeitos especiais, os personagens.  



O que mais me surpreendeu e me agradou no filme, além dos aspectos técnicos de produção e o estilo do filme, foi a história em si. Mesmo sendo uma história de terror, o foco principal do filme é o amor incondicional, compaixão e devoção por alguém da família sem se importar com a aparência ou com os defeitos! A relação de Duane com o Belial é exatamente isso.


Parece que eu to puxando o assunto pro lado sentimental, mas é a verdade, o público ganha a simpatia dos personagens antes da metade do filme. Nunca torci tanto pra um personagem de filme de terror como eu torci para o Belial matar todos os médicos responsáveis pela separação da dupla.



A concepção do Belial também é bem trabalhada por sem simples, ele é um ser deformado e sanguinário que não pode ser responsabilizado pelo fato de ter nascido assim, e as pessoas normais querem se livrar dele por causa disso. A relação dos dois irmãos é bem trabalhada e tem um drama bacana. Gosto dessa mistura, o filme tem momentos de humor trash, momentos sérios e tudo isso é no momento certo. As cenas no hotel são hilarias, com destaque para o Belial tacando o terror no quarto e roubando a calcinha da vizinha do quarto ao lado. 


A mistura de horror, comédia e drama é acertada demais, deixa o filme bizarro, insano e muito divertido, um daqueles filmes que é impossível não amar.

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