Crítica: The Green Inferno (2013) - Sessão do Medo

8 de novembro de 2013

Crítica: The Green Inferno (2013)


Autor: Alexander Ribeiro

Eli Roth, quando surgiu com seu primeiro filme, o terror carregado de humor negro Cabana do Inferno, foi tido como uma das promessas do gênero. A boa repercussão do longa lhe valeu até o apadrinhamento de Quentin Tarantino, que produziu o seu segundo filme O Albergue, e, dizem, deu uma mão no roteiro e ainda dirigiu algumas sequências. O filme recebeu boas críticas e fez boa bilheteria, e Roth ficou famoso. Em seguida, ele lançou O Albergue-parte II, que dividiu o público e a crítica. Posteriormente, o cineasta passou um longo hiato sem dirigir nada, e só atuando como produtor e ator. Nessa última função, o trabalho mais digno de nota é Bastardos Inglórios, do padrinho famoso.                     


Quando Roth, após anos sem sentar na cadeira de diretor, anunciou que dirigiria um filme de canibais, muita gente ficou empolgada, afinal, as características mais marcantes vistas em seus três filmes eram a predileção pelo gore, humor negro, personagens caricatos, e as referências ao cinema exploitation do qual Roth é fã confesso (tanto que dirigiu o trailer falso Thanksgiving no longa Grindhouse). Como o ciclo de canibais do cinema italiano era legitimamente exploitation, e tinha quase todas as características tanto valorizadas pelo cineasta(a única exceção era o humor negro) os fãs acreditaram que o projeto estava na mão da pessoa certa. Isso sem contar o fato de Roth ter afirmado em várias entrevistas que seu filme favorito é Cannibal Holocaust, simplesmente o mais famoso e celebrado filme de canibais já feito. Ou seja , tudo levava a crer que era o cara certo fazendo o filme certo. Mas infelizmente, as expectativas não se cumpriram… 





O filme conta a história de um grupo de estudantes ativistas de Nova Iorque, que viaja para a Amazônia a fim de ajudar uma tribo que está morrendo, mas uma vez que eles caem na selva, são feitos de reféns pelos próprios nativos que eles foram salvar.

Apesar de acertar ao ambientar seu filme de canibal num contexto moderno(ativistas que lutam pelos direitos dos índios e da natureza hoje em dia é algo comum), assim evitando fazer um filme datado, Roth fez um filme fraco . O longa começa como um filme sério , mas com toques leves de humor. Após a captura dos estudantes pelos índios canibais, o filme descamba pra um gorefest com momentos de humor besteirol que parecem saídos de comédias adolescentes da pior qualidade, como, por exemplo, “American Pie -O Último Stifler Virgem”. Trata-se de um humor tão over e forçado que ao invés de causar risos, provoca tédio e vergonha alheia ... talvez se você tiver 13 ou 14 anos, consiga rir… os filmes de Roth sempre tiveram um humor com tons juvenis, mas naqueles o humor aparecia em momentos pontuais, assim não interferindo nos momentos de horror e tensão , que eram legítimos. Aqui a relação horror/tensão/humor foi muito mal estabelecida, e acaba, muitas vezes, quebrando a tensão criada e diminuindo o impacto pretendido com as sequências de horror. 
             
Outro problema do filme é a decupagem sem criatividade. Roth fez um filme com excesso de planos médios, o que faz com que fique parecendo uma produção vagabunda destinada ao mercado de DVD. A fotografia também reforça essa impressão, uma vez que é completamente genérica, sem marca autoral, graças, em parte, a uma pós-produção preguiçosa. Os créditos iniciais também não trazem nada de novo, com letras verdes sombreadas, isso num filme chamado The Green Inferno … mais óbvio que isso, impossível, não ? Já a trilha sonora não é ruim, mas não tem ousadia … ela nem cita as clássicas trilhas dos filmes de canibais italianos e nem traz algo de novo ou criativo ao gênero… trata-se apenas da repetição da repetição da repetição do que já foi visto em zilhões de filmes…




E como exploitation ou tributo a este, The Green Inferno também decepciona. Apesar do gore estar excelente e ser old school(feito pelo mestre Gregory Nicotero), não há nenhuma cena de nudez feminina, característica comum tanto aos clássicos do subgênero “canibal” quanto aos filmes anteriores de Roth. Portanto se você espera ver seios como em O Albergue, pode perder as esperanças. 


The Green Inferno até serve de entretenimento num dia sem maiores opções. Mas como representante de um subgênero tão cultuado é uma decepção. E a quem esperava que esse fosse um retorno do ciclo de canibais, resta dizer, infelizmente, que ainda não foi desta vez …

10 comentários:

  1. poxa vida, que bela bosta então!!! :/ uma pena...

    ResponderExcluir
  2. Eu tava animado pra ver esse filme, tinha tudo para ser bom. Mais um filme pra eu reforçar a ideia que o Eli Roth é um diretor muito superestimado!

    ResponderExcluir
  3. quero muito assistir esse filme ainda nao tem link para baixar

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O filme ainda não foi lançado em circuito comercial, só foi exibido em alguns festivais de cinema.

      Excluir
  4. Excelente crítica , você parece entender bem do assunto e eu já esperava isso do Eli Roth, mesmo em O albergue e cabana do inferno ele tentou homenagear filmes dos anos 70 e 80 e não conseguiu . Não mãos do diretor certo seria facilmente uma grande homenagem ao Holocausto Canibal , acho que o Eli Roth mesmo sendo um fã, ele não é um bom diretor, Exploitation como dos anos 70 e 80 são raros no cinema , ainda mais no cinema comercial que é o caso desse filme . Vou assistir o filme quando sair, mas com baixa expectativa!

    ResponderExcluir
  5. Anônimo9/15/2015

    Está me parecendo mais texto de hater.

    "A fotografia também reforça essa impressão, uma vez que é completamente genérica, sem marca autoral, graças, em parte, a uma pós-produção preguiçosa."

    Qual o motivo da fotografia ser genérica e sem marca autoral? E o que diabos é uma "pós-produção preguiçosa"? Assim fica fácil escrever uma resenha! Está me parecendo uma leitura muito mais particular do que imparcial. Apenas mais uma opinião.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Anônimo, não tem problema algum uma crítica ter seu lado particular. E suas perguntas se auto-respondem dentro da própria resenha. Qual o motivo da fotografia ser genérica e sem marca autoral? Devido a uma pós-produção preguiçosa, o que é uma pós produção preguiçosa? é um filme ficar pronto em 2013 e só ser lançado agora. Assim fica fácil meter o pau na crítica dos outros.

      Excluir
    2. Anônimo4/10/2016

      Em primeiro lugar, eu não meti o pau em nada, apenas expus as minhas impressões sobre o texto. Segundo, não me surpreendo com essa sua atitude típica de brasileiro(a) que não consegue encarar uma crítica (construtiva, diga-se de passagem) sobre algo que tenha feito e publicado. Se não sabe lidar com as naturais críticas que todo tipo de trabalho relacionado à arte está sujeito, então não faça esse trabalho, oras! Simples.

      Outra, o filme ficou pronto, sim, em 2013, entretanto não foi lançado na época por problemas com distribuição. Tanto é, aliás, que o filme correu vários festivais ao redor do mundo sendo passado inclusive no de Toronto naqueles idos 2013.

      E para terminar, uma "pós-produção preguiçosa" não é necessariamente responsável por uma "fotografia genérica e sem marca autoral", uma vez que a fotografia é feita enquanto se filma, e não por filtros em programas de computador após a conclusão das filmagens.

      E não quero entrar no mérito de como uma crítica deve ser escrita. O que posso dizer é que quero saber se vale a pena ou não vê-lo pelo que ele representa como filme, e não se apenas o autor gostou ou não daquilo que viu. Procurar chifre em cabeça de cavalo apenas para justificar o gosto pessoal não é legal, não,

      Excluir
  6. Alexandre, ficou legal a resenha! Ainda mais que falou mal dessa nova bomba do diretor de tranqueiras que vive queimando o filme do horror.

    Como um sábio aí já disse uma vez:

    ''Eli Roth é um pornógrafo que não manja porra nenhuma de horror, e que deveria manter distância do nosso gênero favorito.''

    Não é a toa que Roth é trutão do Tarantino: dois eternos adolescentes fazendo filmes bestas e superestimados metidos a cool.

    ResponderExcluir
  7. Anônimo4/13/2016

    Tá, entendo pq detonam o filme, mas como vc disse, ele é pra se ver em um dia sem muitas opções e eu até que esperava menos desse filme!

    ResponderExcluir