Crítica: O Monstro do Ártico (1951) - Sessão do Medo

23 de novembro de 2013

Crítica: O Monstro do Ártico (1951)


Uma equipe de resgate da Força Aérea estadunidense é enviada ao Alasca numa missão de salvamento com o objetivo de averiguar um suposto acidente envolvendo um avião, próximo da base científica localizada no Pólo Norte, onde estão um grupo de pesquisadores chefiados pelo Dr. Carrington. Mas, quando a equipe chega ao local do suposto acidente, descobre que os destroços não pertencem a um avião comum, mas tarde descobrem uma criatura alienígena cuja nave se chocou no círculo polar ártico e é descoberta por exploradores americanos, cientistas e soldados. eles trazem-no para a base em um bloco de gelo, porém ele é descongelado e se mostra bem vivo, hostil e anti-social ao extremo, interessado nos seres humanos apenas como seu alimento. Seria a criatura indestrutível?
Sinopse bem bacana, né? Se notou semelhanças com o clássico O Enigma de Outro Mundo de John Carpenter não é atoa, O Monstro do Ártico (The Thing from Another World) é um "clássico" (Notem as aspas) do Horror-Scifi, oficialmente lançado em 1951, dirigido por Christian Nyby e Howard Hawks. O roteiro foi baseado em uma história de John Wood Campbell Jr  publicada em 1938 com o nome de "Who Goes There?", na revista Astounding Stories, sendo assim, esse foi a primeira adaptação do conto que originou mais doIs filmes; Um em 82 e outro em 2011. Ouvi muitos comentários na internet de que O Enigma de Outro Mundo é na verdade um remake desse aqui, assisti esperando semelhanças entre os dois filmes, mas não houve nenhuma, a não ser o foco da história, tudo, tudo mesmo é diferente das duas outras versões. O jeito como se desenvolve, a tal criatura, os personagens, as falas, é tudo muito diferente da versão do John Capenter. Quem afirmou que essa é a versão original do Enigma de Outro Mundo, certamente não viu as duas versões, que são adaptações diferentes do mesmo conto.
Reta Final. "Alguém quer café?"
O Monstro do Ártico é considerado por muitos como um dos melhores filmes dos anos 50, tendo a revista Time considerado este longa como o maior filme de ficção científica já produzido. Sim, esse aqui é mais puxado para o sci-fi do que para o terror e pode-se dizer que envelheceu muito por conta disso. Antes de assistir o filme eu li algumas críticas sobre o filme na internet e todas as críticas que eu li eram aquelas bem genéricas em que os críticos não davam a opinião, falavam falavam e não diziam nada. "O Monstro do Ártico é um sci-fi assustador e inovador", "Um clássico do sci-fi", "Continua sendo o melhor filme de terror com ficção cientifica" . Tudo exagero, o filme só é bom para a época em que ele foi lançado, envelheceu e envelheceu mal, tanto que ao ver o filme, temos que ver com a mentalidade do povo daquela época, tem muita ingenuidade no roteiro. Uma criatura alienígena acaba de invadir o local e qual a reação do pessoal na base?! Tudo suave, "Talvez essa forma de vida possa ensinar alguma coisa ao povo da terra". Hã?! Na boa, chegou a ser incomodo a forma que os personagens reagiam a situação, nenhum deles reage a situação de forma normal, tudo calmo como se estivesse debatendo politica, um blá blá blá interminável.


[Alerta de Spoilers]

O desenvolvimento do filme deixa muito a desejar, não há construção de clima de suspense, nenhum um mesmo, chega a ser chato. As 1 hora e 15 de filme uma das personagens entra em cena e pergunta sorrindo se alguém quer café! WTF?! Os cientistas arranjam um jeito de acabar com a criatura e 2 minutos depois que o monstro morre, volta a moça de novo sorrindo perguntando se alguém quer café. HAHAHAHAHAHA Puta merda hein!
[Fim dos Spoilers]
A concepção da criatura descrita como "Monstro Cenoura" é muito diferente a forma de vida mostrada no filme do Carpenter, aqui o mostrengo é quase uma versão pirateada do monstro Frankenstein e pouco aparece em cena e não dá muito trabalho, ri em algumas cenas do monstro, parece que saiu de algum episódio do Chapolin Colorado. Uma curiosidade que vale a pena ser destacada é que o ator que fez o monstro era um cara muito famoso, tendo feito vários filmes de westerns antes de aceitar participar desse aqui, embaixo de uma maquiagem pesada. James Arness morreu de causas naturais em 2011 aos 88 anos.
Acho que eu errei o cenário, é aqui que é o set de Frankenstein?

Antes que nego venha de mimimi porque eu to sendo sincero, eu digo que eu sei a importancia desse filme para o gênero e para a época também, inovou em algumas coisas e foi o primeiro filme da história do cinema a mostrar um dublê tendo o seu corpo inteiro envolvido pelo fogo, algo que o cinema usou a exaustão depois desse filme e em 2001, o filme foi considerado "culturalmente significativo" pelos Estados Unidos e selecionado para fazer parte do National Film Registry, mas ainda acho que a melhor contribuição desse filme foi ter inspirado John Carpenter, que é um grande fã desse filme, a readaptar o mesmo conto dando origem a um dos maiores clássicos do terror.


Assista por conta própria, vale mais pela curiosidade do que pelo filme em si, continuo achando muito superestimado pelos críticos por ai, parecem que todos tem medo de admitir que o filme envelheceu mal. Obra prima do cinema? Menos, bem menos!

Postado por: Marcelo

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