Crítica: Palhaço Assassino (1988) - Sessão do Medo

28 de dezembro de 2013

Crítica: Palhaço Assassino (1988)



Todo mundo tem aquele filme em especial de terror que assustou na infância, pode ser até um filme sobre um tomate assassino ou um cortador de gramas vivo, para uma criança, se um filme assustou na infância, ele é lembrado até na fase adulta. Posso contar na mão quantos filmes me assustaram quando eu era moleque, mas quase nenhum passa no teste de tempo. Boa parte dos filmes que eram o meu terror na infância envelheceram mal. Dentre os primeiros que eu vi nos tempos do VHS, estão O Rato Humano, um filme trash bagaceiro ao extremo que eu tinha maior cagaço, tinha também A Volta dos Mortos Vivos 2, que era muito exibido no Cinema em Casa, mas que é muito mais voltado para a comédia do que para o terror, algo que eu só depois notei depois de adulto, e um filme chamado Clownhouse, que no Brasil ganhou o titulo picareta “Palhaço Assassino” mesmo sendo 3 palhaços e não só um, como sugere o titulo, também foi exibido nos anos 90 no Cine Trash com o titulo “Máscaras do Terror”. Lembro que a primeira vez que eu vi, achei um filme tenso, sério e assustador. Ficou na memória, mesmo não tendo ganhado status de clássico ou Cult do terror.

Esses dias decidi rever o filme, ver se eu tava certo pelas minhas lembranças de ser um filme assustador e tenso e mais uma vez cai naquela cilada, alguns filmes tem que ficar no passado, assim como foi decepcionante rever Rato Humano, foi decepcionante rever Clownhouse. O filme que pela minha lembrança era assustador, mas pela segunda vez me dei conta de como esse filme é bobo; não pelo roteiro ou pela história, pela direção fraca de ninguém menos que Victor Salva, o criador, roteirista e diretor de Olhos Famintos 1 e 2.  O que aconteceu aqui foi o inverso do que acontece a maioria dos diretores em Hollywood, diretores começam bem e depois vão decaindo, nesse caso aqui é o contrário, o primeiro filme de Victor Salva é o pior da carreira e nem sei como ele conseguiu dirigir mais filmes depois da direção fraca e do fato dele ter molestado um dos moleques do filme. (!!!)


O filme conta a história de 3 irmãos, Casey (Nathan Forrest Winters, o segundo e ultimo trabalho com o diretor Victor Salva, que o molestou durante as gravações desse filme), Georgy (Timothy Enos) e Randy (o hoje famoso, Sam Rockwell, com o mesmo jeito de maluco de sempre), que vão passar uma noite sozinhos em casa depois que o pai deles foi viajar e a mãe foi visitar a avó. Eles deixam o irmão mais velho, Randy, responsável pelos outros dois, mas ele é tão fanfarrão que não liga para os irmãos mais novos e só quer saber de assustar o caçula, Casey, que tem medo exagerado de palhaços. Indo ao circo, eles notam a fuga de alguns pacientes de um hospital psiquiátrico ali perto e no fim da noite, 3 fugitivos do hospício matam os palhaços que estavam no circo e se vestem como eles. Saindo para matar algumas pessoas, eles acabam achando a casa dos 3 irmãos, que estão sozinhos e desprotegidos...

Imagine o que um diretor com mais talento e criatividade poderia fazer com esse filme! Pode ter certeza que se um John Carpenter dirigisse esse filme, seria um clássico do terror. Se tivessem explorado o suspense, como John Carpenter fez em Halloween A Noite do Terror, Palhaço Assassino seria um ótimo filme, mas a direção é fraca demais, o desenrolar é fraco, as atuações são fracas e algumas cenas são mal dirigidas. O grande problema é que parece que o diretor não sabia ao certo se estava fazendo um filme sério ou não. Certamente os atores que interpretam os palhaços não estavam levando o filme a sério, fazendo várias caras e bocas para as câmeras, parecendo programa infantil do Patati Patatá. A reação dos personagens em algumas cenas parece de filme infantil da Sessão da Tarde, nenhum demonstra medo ou desespero de forma certa, tudo é muito forçado. Pensem comigo: Você tem medo mortal de palhaços, palhaços assassinos invadiram a sua casa, você consegue fugir de lá depois de muita correria acha uma porta aberta. O quê você faz? Corre?! Pois não é isso que o moleque mais novo faz, ele decide voltar para procurar o irmão mais velho. E o medo, onde foi parar?

Além dessa reação ser forçada, tem também cenas que forçam humor, mas não ficam legal e fazem o filme ficar com aquele clima “bobão”. Em uma das cenas um dos palhaços tá sufocando um dos irmãos, estrangulando ele no chão e chega o caçula e joga um abajur na cabeça do palhaço que desmaia. O recém estrangulado que quase morreu sufocado manda a perola: “Esse era o abajur favorito do Mamãe, Casey!!!” O tal humor não funciona, não faz rir e quebra o clima de terror, que já não é grande coisa.


Nem tudo é ruim, tem sim algumas cenas tensas e bem filmadas, o filme funciona mais quando brinca com o suspense, com os palhaços andando pela casa, sem ninguém notar e observando o trio, infelizmente quando a perseguição começa é que o filme começa a desandar.  A falta de violência chega a incomodar, é um filme limpinho sem sangue, tá longe de ser considerado um slasher ou um filme gore, porque não tem sangue e quase não tem mortes.

Uma parada que eu não pude deixar de notar que o diretor expõe o ator Nathan Forrest Winters, ele aparece em várias cenas só de cueca e tem uma cena rápida que ele fica com a bunda de fora. Pra que isso? Pedófilo FDP!

Palhaço Assassino é um filme que caiu muito no meu conceito, rever não foi uma boa idéia, deveria ter ficado na memória como um filme que marcou minha infância e não como um filme fraco e mal conduzido, não é de todo ruim, tem algumas qualidades no meio dos defeitos. Apenas mediano!

por Marcelo Alves

Título Original: Clownhouse
Ano: 1988
Duração: 114 minutos
Direção: Victor Salva
Roteiro: Victor Salva
Elenco: Nathan Forrest Winters, Brian McHugh, Sam Rockwell

9 comentários:

  1. A meu ver, é um filme quase de terror infantil. Mas que algumas cenas dão um certo medo quando a gente é criança, dão.rsrs
    Também vi esse filme quando era criança.

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    1. Ele bem momentos tão bobos que realmente parecem ser de um filme infantil.

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  2. Anônimo5/25/2014

    Olha esse e um bom filme quando era criança tinha medo hoje olho e vejo que e uma pena hoje nao ter filmes legais como esse pois hoje em dia filme de terror e uma porcaria com cenas de sexo so isso antigamente filmes de terror eram bom e esse ai e legal da pra ver e rever

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  3. O FILME É BEM TENSO E MUITO BEM CONDUZIDO, AO MEU VER, ELE NUNCA PERDEU A FORÇA E AINDA DÁ MEDO... E A FRASE DO ABAJUR, QUALQUER CRIANÇA SE PREOCUPARIA COM ISSO TAMBÉM, MESMO EM MOMENTOS DE HISTERIA, ACHEI FANTÁSTICO!! O CHEEZO É ASSUSTADOR E A CENA FINAL É MUITO FODA. VICTOR SALVA FEZ UM FILME MUITO BOM. NOTA 9

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    1. Concordo com vc, ele me assustou na infância mas ainda funciona para os coulrofóbicos até hoje, não tem gore, mas acho q a intenção inicial era essa mesmo, e o suspense funciona bem.

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  4. O FILME É BEM TENSO E MUITO BEM CONDUZIDO, AO MEU VER, ELE NUNCA PERDEU A FORÇA E AINDA DÁ MEDO... E A FRASE DO ABAJUR, QUALQUER CRIANÇA SE PREOCUPARIA COM ISSO TAMBÉM, MESMO EM MOMENTOS DE HISTERIA, ACHEI FANTÁSTICO!! O CHEEZO É ASSUSTADOR E A CENA FINAL É MUITO FODA. VICTOR SALVA FEZ UM FILME MUITO BOM. NOTA 9

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  5. O FILME É TENSO E MUITO BEM CONDUZIDO, CHEEZO É ASSUSTADOR E A FRASE DO ABAJUR CAIU BEM, POIS SE TRATA DE UMA CRIANÇA QUE ALÉM DA HISTERIA, SE PREOCUPOU COM A BAGUNÇA NA CASA (NO MEIO DA CONFUSÃO E HORROR)... OS ATORES MIRINS DERAM UM BANHO DE INTERPRETAÇÃO, AS CENAS DO BONECO PENDURADO NA ÁRVORE SÃO MUITO TENSAS, POIS NAO SE SABE SE É O BONECO OU UM DOS MENINOS, ACHEI FANTÁSTICO A TÁTICA DO HORROR. VICTOR SALVA FEZ UM PEQUENO CONTO MACABRO SOBRE O HORROR E A FOBIA POR PALHAÇOS. NOTA 9

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  6. Um dos meus preferidos! Nota 10

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  7. Matéria legal, curto esse filme até hoje, ele também me marcou muito na infância, não é forte mas trabalha mais no psicológico focando na fobia por palhaços, isso e o bom clima de suspense já é suficiente para se considerar um bom filme para mim.
    Mais arrepiante ainda é saber o que esse garoto sofreu durante as gravações, esse medo reflete até no olhar dele mais realisticamente, eu mesmo senti isso durante o filme, não sei se foi coincidência.

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