Crítica: Halloween 4 - O Retorno de Michael Myers (1988) - Sessão do Medo

15 de março de 2014

Crítica: Halloween 4 - O Retorno de Michael Myers (1988)


Em 1978 um filme de baixo orçamento se tornara um dos maiores fenômenos de terror de todos os tempos. Fenômeno esse que influenciara em outros fenômenos que viriam posteriormente como “Sexta-Feira 13” e “A Hora do Pesadelo”. “Halloween - A Noite do Terror”, custara apenas 350 mil dólares de orçamento e teve uma receita de aproximadamente 45 milhões de dólares, um sucesso. Nem o próprio diretor, John Carpenter, poderia imaginar do sucesso que esse filme trouxera.

O filme de 1978 seguia uma premissa básica: um assassino chamado Michael Myers que havia assassinado a sua irmã mais velha quando ele tinha seis anos, fugira do sanatório ‘Smith's Grooveem’, que estava internado há 15 anos e volta para a sua cidade natal fazendo uma trilha de sangue. Enquanto isso, o doutor Loomis, médico cujo Michael era o seu paciente, sabendo que Myers é simplesmente o ‘mal’, também volta para Haddonfield, Illinois para evitar uma tragédia.



É claro que com tamanho sucesso e com o gancho dado pelo final desse filme. Foi inevitável fazer uma sequência. Intitulado como “Halloween 2 O Pesadelo Continua”, o filme continua exatamente de onde o primeiro acabou, agora sobre a direção de Rick Rosenthal e Carpenter ficando com o cargos de roteirista e produtor. Com um orçamento maior que o primeiro (2,3 milhões de dólares), o filme tem muitos furos no roteiro, talvez seja porque John Carpenter (agora sendo apenas roteirista), revelou que bebia enquanto escrevia a história. Entretanto isso é só um mero detalhe, o filme continua sendo tão bom quanto o original e de certa forma dando um ‘fim’ ao sociopata Michael Myers, tendo seus eventos ocorridos em maior parte no Hospital da cidade.



Como eu disse no parágrafo acima, Halloween 2 fechava a saga do Psicopata Michael e de seu médico, Dr. Loomis. Então, um ano depois fora nos apresentado um novo filme chamado, “Halloween 3 A Noite das Bruxas”, um filme que não tinha nada a ver com os seus antecessores. Dirigido por Tommy Lee Wallace, o filme não é ruim, mas também não obteve sucesso como os outros filmes da franquia tendo um orçamento de 2,5 milhos e um lucro estimado em 14,4 milhões. A história do filme envolve uma conspiração de um empresa contra a humanidade, conspiração essa que tem o ponta pé inicial com a venda de máscara para o dia das Bruxas. 



Bom, finalmente eu cheguei ao propósito dessa critica. 

Com o as criticas negativas do filme anterior, em 1988, Moustapha Akkad resolveu continuar a fazer filmes com o titulo “Halloween”, entretanto ele sabia que o publico não aceitaria outro filme que não tivesse em seu roteiro a lenda que o serial killer Michael Myers se tornara. Então é em “Halloween 4 O Retorno de Michael Myers” sobre a direção de Dwight H. Little, que vemos o assassino descrito como a ‘personificação do mal’ atacar outra vez. 

Michael não havia morrido na parte 2 como todos achavam. O filme começa com a transferência de Michael. Não existe um aprofundamento sobre como ele sobreviveu a explosão, mas notamos que ele ficara bem machucado, as suas mãos estavam cheias de cicatrizes, provavelmente por causa das queimaduras que sofrera. 
Na ambulância em que ele estava sendo levado acontece uma conversa entre os médicos sobre a história de Michael, nessa rápida parte nós ficamos sabendo que Laurie Strode havia morrido, e mais, ela deixara uma filha, Jamie Loyde. 

Michael era tio, tudo o que ele precisava saber para voltar a atacar. Todos sabem que o assassino tinha por objetivo matar as suas irmãs. Mas eu não consigo entender algumas coisas. Tipo, Michael tinha pai e mãe, ninguém sabe o que aconteceu com eles ao longe desse período. Se Michael Myers quisesse matar toda a sua família, porque não o fez quando teve a chance ainda na introdução do primeiro filme?... A minha ideia é que Michael quer matar Jamie justamente por ela ser filha de Laurie, sua irmã. Talvez o assassino pense que parte de Laurie viva em Jamie, afinal estamos falando de mãe e filha. Se a pequena Jamie fosse prima de Michael, nada iria acontecer. Posso estar errado, mas é o que percebi.

Ainda no começo do filme nós ainda temos outra surpresa, Dr. Loomis também estava vivo, seu rosto e mãos estavam com grandes cicatrizes ocasionadas pela explosão no final da parte 2. Ele sabia para onde Michael, Haddonfield em busca de sua sobrinha. Sem pensar duas vezes, Loomis parte rumo à cidade que fora palco do massacre do assassino há exatos 10 anos. Durante o caminho, o velho homem vai vendo um massacre pelo caminho. 

Enquanto isso, a pequena Jamie (interpretada por Danielle Harris), tem pesadelos com o seu tio. Ela vive na casa dos Corrunthers, família que a adotara. Jamie tem uma irmã mais velha, Rachel que embora seja rebelde, se preocupa com a irmã e com seus problemas. E por falar em problemas, Jamie sofre bastante, ela sabe quem é o tio dela e quem foi a sua mãe. Todo mundo sabe. Aí já viu. Ela praticamente tem trauma e é zombada pelos amigos da escola só porque ela é filha da Strode. 






Em certo momento do filme, Jamie vai com Rachel a uma loja procurar uma fantasia para ir atrás de doces na noite que estava chegando. Nesse momento, Jamie vê Michael pegando uma mascara e a colocando. A menina se assusta e acaba quebrando o espelho... Algumas pessoas se perguntaram: Por quê Michael não matou Jamie ali quando teve a chance? A resposta é simples, ele não sabia que a menina na sua frente era Jamie, ele só foi saber depois quando ele invadiu a casa do Corrunthers e viu as fotos a menina e de sua mãe, a ‘falecida’ Laurie. 

Bom, no decorrer do filme, você sabe o que vai acontecer. Michael vai fazendo vitimas pela cidade e quando o xerife Ben Meeker e o Dr. Loomis, tentam abafar o caso para evitar caos, pânico e de ver baderneiros usando a máscara do psicopata por toda a região. Um grupo de moradores locais se une para caçar o maníaco pela cidade soturna e deserta ocasionada pelo toque de recolher. Jamie e Rachel se abrigam com algumas pessoas na casa do xerife, entre elas o ex-namorado de Rachel e a sua rival, a filha do xerife, Kelly Meeker.

Jamie e Rachel sofrem bastante nas mãos de Michael, Jamie principalmente. O filme ganha ponto por mostrar algo que não é tão comum, uma menina de 8 anos sendo perseguida sem piedade, é importante ressaltar que Jamie é uma criança mesmo, não é uma atriz de 20 anos interpretando uma menininha de 8. As perseguições envolvem o teto da casa do xerife, uma escola e uma perseguição envolvendo um carro em movimento.



Os últimos minutos antes dos créditos finais estão carregados de tensão e de uma situação inusitada dando a entender que a franquia iria seguir outro ritmo a partir dali. Foi o mesmo que aconteceu com “Sexta Feira 13 parte 5 Um Novo começo” onde o final sugere um reinicio para a franquia. A cena tem um clima pesado e com certeza deu uma boa brecha para uma possível parte cinco. Então podemos dizer que o filme não possui um fim, pois não sabemos se Michael realmente morreu, não sabemos o que aconteceu com Jamie e não sabemos o que aconteceu com o Dr. Loomis. Essas dúvidas seriam respondidas em 1989 com “Halloween 5 A Vingança de Michael Myers”.


O clima e tensão são fortes existindo cenas que envolvem o psicológico da Jamie, na maioria delas envolvendo pesadelos. Nós percebemos uma mudança na estrutura do filme também, ocorrem mais mortes e existe um foco no massacre provocado pelo assassino, o clima de suspense não mudou muito, mas percebemos a diferença de tempo, lembrem-se! 10 anos se passaram desse para o original.

A trilha sonora também está muito boa, algumas clássicas como a criada por Carpenter exclusivamente para o filme também retorna.

A atuação do elenco está muito boa, principalmente a de Danielle que surpreende, o seu papel de vitima não é fácil e ela consegue fazê-lo muito bem. Ellie Cornell também está ótima como Rachel e nem preciso mencionar o grande Donald Pleasence que nos brinda com sua presença impactante e dando um nó na ligação com os dois primeiros filmes da franquia. 


Eu acho que o que vai fazer a diferença na sua avaliação é justamente nas pequenas falhas e na personalidade dos personagens, tipo. Grande parte do filme está centrada num enredo clichê. O assassino fugindo, matando e morrendo. A irmã mais velha boazinha e traída pelo namorado ajudando a irmã casula adotiva a sobreviver, os policiais que na maior parte do tempo ficam indo e vindo de carro com as sirenes ligadas, e a burrice dos moradores da cidade que chega a irritar, principalmente no final. Esses fatores podem incomodar um pouco porque diferente do primeiro filme, nada que mencionei é novidade num filme de terror. 

No fim, Halloween 4 O Retorno de Michael Myers é um filme bom, não ótimo. Não é melhor que o primeiro e o segundo, entretanto é melhor que o terceiro. É um filme que você verá tranquilamente em sua casa e vai fazer o tempo passar rapidinho, ou seja, ele vale a pena, mas você não se surpreenderá com o que verá aqui.

Nota: 7,0



Direção: Dwight H. Littler.
Produção: Moustapha Akkad, Paul Freeman.
Roteiro: Alan B. McElro, Danny Lipsius, Larry Rattner, Benjamin Ruffner.
Elenco: Donald Pleasense, Ellie Cornell, Danielle Harris, Michael Pataki, Sasha Jenson.
Ano: 1988.

Por: Michael Kaleel 

4 comentários:

  1. curto mais esse do que os antecessores .. alias é meu preferido da franquia.

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  2. Só em ter donald pleasence vale a conferida.

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  3. Sou fã da serie, mas confesso que fiquei confuso nas sequências dos filmes. O terceiro parece que nao tem nada a ver. E o H20 ? Vem em que sequencia?

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    1. A cronologia da franquia é realmente confusa e na verdade há duas:

      - Halloween > Halloween II > Halloween 4 > Halloween 5 > Halloween 6
      - Halloween > Halloween II > H20

      O terceiro filme é independente e não tem relação com os filmes de Michael Myers, foi uma ideia dos produtores de fazer a franquia com filmes no Halloween mas o público rejeitou e trouxeram o Michael de volta. O H20 ignora os filmes 4, 5 e 6.

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