Critica: A Bolha Assassina (1988) - Sessão do Medo

14 de junho de 2014

Critica: A Bolha Assassina (1988)


Aviso: Esta critica contém revelações importantes sobre a história do filme. Se você ainda não o viu, não leia!

Sabe aqueles filmes em que parece que a produtora ficou sem criatividade e inventou qualquer troço para ver se gerava algum lucro? Pois é, foi o que pensei quando ouvi falar num filme chamado "A Bolha Assassina". O que se pode esperar de um filme com esse nome?... Para a surpresa de muita gente, tal película tem mais sentido e história do que vários filmes mais notórios do que esse na atualidade. 

A história é simples, uma 'geleia' de cor rosa avermelhada cai do céu e vai crescendo cada vez mais na medida que ela se alimenta. A criatura vai se alimentando de tudo que vê pela frente, inclusive de pessoas. O interessante da criatura é que ela é quente como ácido, então tudo em que ela se envolver vai se derretendo dentro dela. Daí você já tem uma ideia das cenas bem loucas que o longa trás.

Uma coisa que tenho que mencionar é o clima do filme, ele possui mortes e cenas grotescas é altamente violento e não poupa a vida nem de crianças (coisas um tanto raras num filme de terror até então). O ambiente oitentista e o clima são muito bons, eram anos em que o cinema lançava obras primas do terror que marcariam os fanáticos do gênero, a história em si até que convence. Mas vamos começar desde o começo de tudo e não falo de "A Bolha Assassina de 1988".


A Bolha de 1958 

O ano em questão é 1958, nesse período fora lançado o filme "A Bolha". Dirigida por Irvin Yeaworth, ela foi distribuída pela Paramount e continha famosos no seu elenco como: Steve McQueen. 

O roteiro e criatividade ficou por conta de Burt Bacharach. Nesse filme a bolha tem um formato arredondado e tinha cores mais fortes. O que ninguém esperava era que o sucesso do filme fosse enorme.

Tal fato fez com que o filme ganhasse uma sequência e um remake. A sequência veio em 1978 com o título "Beware the Blob", contudo ele foi mais para o lado da comédia do que para o terror, é bom dar uma conferida. Esse filme está disponível na internet em sites como o próprio youtube.

Em 1988 foi a vez do lançamento do remake, intitulado em português de "A Bolha Assassina", filme esse da qual essa critica será destinada.

Diferente da bolha de 58, essa criatura no remake está mais dinâmica e mais fatal, ela pode criar tentáculos para fazer seus ataques, entrar e passar por lugares pequenos. Em prol disso, a intensidade das cenas do filme aumentaram consideravelmente em relação ao original.

Mesmo assim, o remake rendeu um garnde prejuízo para a paramount, pois a receita não supriu o custo dos gastos usados para a criação do filme. Com um orçamento de 19 milhões, ele teve um receita de um pouco mais de 8 milhões.

Vamos ao filme!


Um meteorito cai perto da cidade de Arborville, Califórnia, um morador de rua que morava nas redondezas de onde o meteorito caiu mexe com um graveto numa 'coisa' que estava dentro da esfera, uma substância gelatinosa, é a bolha. A coisa gruda em sua mão. Daí o terror começa.

Brian Flagg, um punk encrenqueiro que não está ligando para ninguém e ficava se divertindo na floresta com a sua moto, encontra o morador de rua tentando decepar a sua mão envolvida pela bolha com um machado, para tentar ajudá-lo, ele sai correndo atrás do homem, em meio ao desespero, o homem corre para a rua onde é atropelado. Quem estava no voltante do veículo era Paul Taylor,um jogador do time de futebol americano da sua escola, exemplo de aluno e de rapaz. Ele estava saindo com a sua namorada, Meg Penny, a filha do farmacêutico da cidade, ela é inteligente e sensata. 

Brian, Meg e Paul

O trio leva o morador de rua para um hospital. Paul testemunha o poder daquela coisa na mão do morador de rua, aquela geleia o corrói completamente, quando ele vai pedir ajuda por telefone numa sala, a bolha cai em cima dele, ela estava quatro vezes o seu tamanho original. Meg ao ouvir os gritos vai até a sala e chega a ver Paul sendo devorado pela criatura, e ao tentar libertá-lo seu braço é arrancado de seu corpo, Meg é jogado contra uma parede e fica inconsciente, a bolha escorre para fora do hospital. A cena do Paul sendo devorado é muito bizarra, e de certa forma agoniante. 


A bolha passa a circular pelos arredores da cidade onde ela acaba encontrando um casal que namorava no local. A morte dos dois é muito legal, a forma de como a bolha comeu a moça e atacou o rapaz é bem... Assustadora, a impressão que dá é que a criatura possui artimanhas e é altamente letal. Se você for pego pela bolha, independente do local que for, você está morto. 

Depois disso, Meg vai atrás de Brian porque ele é o único que viu com mais clareza aquela coisa na mão do morador de rua e a policia não acredita na sua versão. Numa lanchonete ela tenta convencê-lo de que o que ela viu é real e está a solta, ela explica com muita certeza, objetividade, mesmo assim ele custa a acreditar nas palavras da colega:

"...Aquela coisa na mão daquele homem o matou e depois matou Paul. E seja lá o que for, está ficando maior!" - Meg.

Contudo, a descrença de Brian é quebrada quando um empregado da lanchonete, George, é agarrado e puxado pela cabeça para dentro do ralo da pia. Gente, que cena legal, é sério, é muito boa e tensa, assim como a morte de Paul e a do casal que namorava, a morte de George é muito sinistra, para um filme de 1988 em com um orçamento de 19 milhões de dólares, os efeitos não decepcionam e as mortes são grandiosas.

A criatura persegue Meg e Brian pela lanchonete até que os dois resolvem se abrigar numa câmara frigorífica, a bolha ao sentir o frio, vai embora. 

Francine, a dona do restaurante foge por uma janela e corre até uma cabine telefônica para ligar para o xerife, essa parte também é muito bem bolada. A cabine inteira é envolvida pela bolha que havia acabado de comer o xerife, a cabine estou e Francine é morta pela criatura. A técnica de tal cena nessa parte é bem curiosa, não temos a presença de efeitos especiais, mas sim de jogo de câmeras, o que faz a morte de Fran ser bastante realista. 


Depois de comer a dona do restaurante e o xerife da cidade, a bolha entra nos esgotos, o reverendo da cidade presencia a criatura descendo pelo bueiro, ele se aproxima e coloca em frascos de vidro pedras rosas, são as partes da bolha que ficaram congeladas quando ela tentou comer Brian e Meg no frigorífico.

Meg e Brian vão até o local onde Brian encontrou o morador de rua, eles descobrem uma operação militar liderada por um cientista, Dr. Meddows, que ordena que a cidade fique em quarentena alegando que existe um vírus contagioso no local. Brian não gosta do que está acontecendo e escapa da van militar que os levava para a cidade, Meg preferiu voltar porque a sua família estava na cidade. 

Na cidade durante a organização da quarentena, Meg descobre que seu irmão mais novo, Kevin, está no cinema da cidade com o seu amigo, Eddie para ver um filme de terror. A moça vai atrás dele.

Curiosamente, a bolha também está no cinema, ela come os trabalhadores do local e começa um enorme ataque em cima do publico, o caos e pânico é geral. É muito legal porque a bolha é um ser praticamente invencível, tacar fogo não adianta, atirar não adianta, molhar não adianta. O frio é a única coisa que a incomoda.

Apesar do caos e da correria, Meg consegue encontrar o seu irmão e Eddie, a bolha está gigantesca em relação a ultima vez em que a moça a vira no restaurante. O trio sem saída foge para os esgotos, a bolha os persegue.


Em outra parte, Brian, ao recolher a sua moto, descobre que o meteoro que trouxe a bolha é artificial, pois metade dele é de metal, ao ouvir uma conversa de Meddows com um de seus assistentes, Jennings, ele descobre que a bolha é uma bactéria gigante fruto de uma experiência realizada pelo cientista para criar armas biológicas para a guerra fria (lembrando que o filme é de 1988). Ele é perseguido pelos cientistas que querem matá-lo por saber a verdade, mas ele consegue fugir.

Na cidade, Brian ouvi Anthony o lanterna do cinema e irmão de Eddie, dizer que ele viu a bolha perseguir Meg, Kevin e Eddie para dentro dos esgotos. 

O trio está caminhando com cuidado pelo ambiente completamente inundado até a que presença da bolha se faz presente no local. Como eu disse acima a bolha não perdoa nem crianças, Eddie é pego pela criatura e em questões de segundos é mostrado apenas o que sobrou de seu corpo, um garoto queimado e com a sua pele sendo corroída pelo ácido da bolha. 


No local também tem cientistas que procuram a bolha a mando de Meddows, rapidamente eles se tornam vitimas da criatura, exceto um. 

Kevin consegue correr para a rua, Meg vai para outro canto do esgoto, ela é encontrada por Brian e por um dos cientistas que sobreviveu ao ataque. Meddows tem a 'brilhante ideia' de trancar todos no esgoto, assim a bolha mata Brian e ele matem a criatura sobre vigilância. Da tudo errado. 

Com uma bazuca, Brian explode a entrada do esgoto e revela para todos da cidade a verdade sobre o meteoro e a origem da Bolha. Bom, mesmo que a discussão seja interessante, sentido e coerência. Nada adianta visto que a Bolha está saindo dos esgotos e passa a atacar a cidade que se torna cada vez mais pequena para o seu tamanho gigantesco. 


Os habitantes da cidade se abrigam na câmara municipal da pequena cidade. Enquanto isso Brian tenta afastar a criatura do local com um caminhão fabricador de neve que possui grande concentração de nitrogênio liquido. Numa luta mutua entre a bolha, Brian e Meg. O caminhão acaba explodindo e a bolha é congelada. Finalmente a população da pequena cidade está a salvo da criatura.

Anos depois durante um culto, o padre Meeker , agora desfigurado por causa do ataque da bolha, fala sobre o fim dos tempos. Ele ficou louco com os acontecimentos passados. Quando ele é questionado sobre a data do ajuste de contas, ele responde: "Logo, Madame... logo. O Senhor vai me dar um sinal.". Ele segura um frasco de vidro que contém um pequeno pedaço da Bolha, que se move lentamente. Fim.


Mesmo se tratando de um remake, o filme possui um tom de originalidade, tanto nos movimentos da bolha quanto nas mortes. 

O fato é que o filme tem uma grande fluência no publico em geral e ainda consegue assustar crianças e adultos. Com um elenco grandioso, não poderíamos esperar nada abaixo do aceitável. Meg é Shawnee Smith, a Amanda de Jogos Mortais. Brian é Kevin Dillon, ator de Poseidon 2006 e da série Entourage. 

A História da bolha assassina também se faz presente na cultura popular. Desde 2000, a cidade de Phoenixville promove o evento anual chamado "Blobfest". As atividades incluem uma reencenação da cena "cult" do pânico à saída do cinema (o Colonial Theatre, restaurado recentemente), essa cena está presente tanto no original quanto no remake, embora tenha sido no remake que a bolha tenha ganhado mais destaque e fama em rede nacional e internacional.

Cenas do filme original aparecem no musical de 1978 "Grease: Nos Tempos da Brilhantina" (outra produção Paramount) estrelado por John Travolta.

E ainda, no filme de animação da "Dreamworks Animation" de 2009 "Monsters vs. Aliens" a bolha assassina é satirizado, assim como vários monstros dos anos 50, a versão satírica "B.O.B." (Bicarbonato de Ostilizeno de Benzoato) possui as mesma características que a bolha original, mas possui um olho e pode falar, e como não possui cérebro, cria conversas absurdas e hilárias.


Temos algumas curiosidades que cercam o filme, são elas:

• Mais de uma centena de modelos da bolha foram usados nas filmagens, todos compostos por seda, látex, silicone e Methocil, um agente químico usado para tornar fast foods mais consistentes. 
• O diretor Chuck Russell aparece em uma pequena ponta, como o patrono do cinema. 
• Todas as cenas externas foram rodadas na cidade de Abbeville, na Louisiana. 
• Estas cenas externas não foram rodadas na verdadeira Arbeville porque, na época das filmagens, a cidade estava coberta de neve.


É claro que o filme não é só elogios. Cenas 'convenientes' também acontecem em vários momentos durante o longa. O fato de Brian conseguir encontrar a Meg no esgoto, ou como a parte em que Brian e Meg passam por cima da bolha de moto, ou aquela velha história de que as pessoas boas tem que viver e as malvadas tem que morrer... É algo que faz o filme ter o que chamamos de cenas clichês.

A cena em que a bolha persegue os habitantes até a câmara municipal é muito boa, mas para um bom detalhista, da para perceber falhas nos efeitos de computação que modelam a gigantesca criatura. 

Enfim, no geral a Bolha Assassina de 1988 é um filme agradável, criativo e muito divertido, a sua história, mesmo sem muito conteúdo, prende do começo ao fim e possui ótimas cenas grotescas. Entre os anos de 2007 e 2009 um novo remake era planejado por Rob Zombie, o homem chegara a mencionar que ele estava vendo como seria o formato da nova bolha assassina, mas isso só ficou nas especulações e nunca saiu do papel. 

Mesmo que o final de "A Bolha Assassina" deixe um gancho para uma sequencia, o mais provável é que no futuro nós passemos a ouvir notícias sobre o remake desse filme que merece ser visto e revisto. Fiquem de olho!

Nota: 7,5.


Direção: Chuck Russell.
Produção: Jack. H. Harris, Elliott Kastner.
Roteiro: Chucky Russell, Frank Darabont.
Elenco: Kevin Dillon, Shawnee Smith, Donavan Leitch, Jeffrey DeMunn, Candy Clark, Joe Seneca. 
Orçamento: 19 milhões de dólares.
Receita: 8 milhões de dólares.

Por: Michael Kaleel.

5 comentários:

  1. Anônimo6/15/2014

    Esse filme é um clássico , adoro assistir quando estou de bobeira.

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  2. Esse filme é um clássico² do saudoso e inesquecível "Cinema em Casa" [leia com a voz do narrador daquela época *---*]
    A geração de crianças que cresceu e se desenvolveu culturalmente nos anos 90 vendo esse filme e tantos outros, recebeu de herança um legado inesquecível na memória *o*
    "Entre os anos de 2007 e 2009 um novo remake era planejado por Rob Zombie", ainda bem que não aconteceu, já não bastasse o filme das Bruxas de Salem, ele queria fazer esse? *~*

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  3. Anônimo7/10/2014

    Salem é um filme muito bom, eu curti. Sobre a bolha assassina, tinha muito medo, Hahaha. Toda vez q passava no sbt, entretanto, eu assistia. Muito bom relembrar. Parabéns pelo blog

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  4. Muito bom! O editor captou muito bem os detalhes do filme.

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  5. Cinema em casa que saudade adorava quando passava a volta dos mortos vivos,a hora do lobisomem e outros filmes que marcaram a época!

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