Crítica: Mensageiro da Morte (1979) - Sessão do Medo

25 de junho de 2014

Crítica: Mensageiro da Morte (1979)


Atenção: O post contém spoilers! 

Poucos conhecem esse filme e poucos sabem que ele foi o filme que originou o mediano Quando um Estranho Chama (2006). Mensageiro da Morte era, a princípio, um curta denominado "The Sitter" (A Babá) com os 20 primeiros minutos do filme. Porém, quando viu o sucesso estrondoso de Halloween - A Noite do Terror (1978), o diretor Fred Walton resolveu-o estender para um filme de uma hora. Sinceramente, o filme funcionaria melhor como um curta.

Jill Johnson (Carol Kane) é uma jovem que vai trabalhar de babá para um casal enquanto os mesmos saem para jantar fora. Durante a estadia, Jill recebe ligações estranhas com um homem falando: "Você já checou as crianças?". Após a ligação ser rastreada pela polícia, Jill descobre que elas vem de dentro da casa. Quando a polícia chega, as duas crianças que ela cuidava estavam mortas e o assassino foi preso. Sete anos depois, o assassino foge do manicômio, onde pretende terminar o que havia começado.

O início do filme é repleto de suspense. Acompanhamos a babá dentro da casa recebendo ligações de um estranho que a fica perguntando: "Já checou as crianças?". Nesse momento, você acaba ficando com aquela velha mania de filmes de terror de chamar as personagens de burra por não fazer a escolha mais sensata. Apesar das ameaçadoras ligações, Jill, em nenhum momento vai checar as crianças! Poxa, nem uma olhadinha. Não é por pouco que quando a polícia chega, as crianças já estavam mortas a muito tempo.


Após os 20 minutos iniciais, a trama avança 7 anos, onde o detetive do caso de Jill descobre que o assassino fugiu do manicômio. Como ele virou um detetive independente, ele é contratado pelo pai das falecidas crianças para pegá-lo. Ai o filme desanda. Não há nenhuma ação, nem suspense, nem terror. Somente o assassino brisando pelas ruas da cidade enquanto o detetive procura-o, armando armadilhas inúteis. Aí você se pergunta: E a Jill?

É somente nos minutos finais do filme que Jill retorna, agora casada e mãe de duas crianças. Quando um dia resolve sair com o marido para jantar fora, deixando suas crianças com uma babá, vemos uma das cenas mais previsíveis do cinema. O restaurante recebe um telefonema direcionado para a Jill, que quando o atende ouve a voz do assassino dizer: "Você já checou as crianças?"

Após um desespero que causa tumulto no restaurante, Jill volta para casa. Quando vai dormir, Jill acaba percebendo que não é seu marido deitado ao seu lado na cama, mas sim o assassino. A cena é curta e num piscar de olhos, o assassino pega Jill, que cai no chão lutando com o mesmo, até um tiro ser ouvido e vermos o detetive com uma arma na porta. Mas como, no céu e no inferno, aquele detetive foi parar lá?

Mensageiro da Morte é um filme fútil, com um roteiro que perde o controle no meio do caminho e deixa a história cansativa. O único bom momento do filme são seus minutos iniciais, que cria um ótimo suspense no melhor estilo Pânico (1996) com a Casey na casa. As atuações são mais do mesmo, sem nada que se possa ser chamado incrível. Não se tem dúvidas que se tivesse sido um curta, poderia ter inspirado mais filmes de terror além de Pânico e seu remake Quando um Estranho Chama (2006), pois o suspense contido no início do filme é ótimo, e apesar de todos nós já conhecermos a história, não diminui a perspectiva da tensão contida na cena.

Ps: O filme tem uma continuação bacana lançada na TV americana em 1993 chamada Um Estranho à Minha Porta (When A Stranger Calls Back). Carol Kane e Charles Durning retornam aos seus papéis.
por Neto Ribeiro

Título Original: When A Stranger Calls
Ano: 1979
Duração: 97 minutos
Direção: Fred Walton
Roteiro: Fred Walton, Steve Feke
Elenco: Charles Durning, Carol Kane, Colleen Dewhurst, Tony Beckley

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