Crítica: O Bebê de Rosemary (2014) - Sessão do Medo

2 de junho de 2014

Crítica: O Bebê de Rosemary (2014)


Aviso: Esta crítica possui revelações importantes sobre
a história do filme. Se ainda não o viu, não leia!

Em 1968, o renomado diretor Roman Polanski dirigiu um dos maiores clássicos do terror de todos os tempos: O Bebê de Rosemary. Conhecido pelo clima pesado e pelo suspense psicológico, o filme se tornou um marco na história do cinema. Estrelado por Mia Farrow no papel da Rosemary, o longa – baseado no livro de Ira Levin -, conta a história de um casal, Rosemary e Guy Woodhouse, que se mudam para um novo apartamento em Nova York, onde pretendem construir sua vida. Guy é ator e ultimamente não vem ganhando muitas oportunidades de trabalho. Quando misteriosamente fica grávida, Rosemary nem imagina que seu filho é o herdeiro de Satã, e que todos em sua volta fazem parte de um culto satânico para a vinda do filho do Anticristo.

Agora, mais de 45 anos desde o lançamento do filme, uma minissérie de 2 episódios com 1 hora cada foi produzida pela NBC. Dessa vez, a talentosa Zoe Saldana pegou o papel de Rosemary em uma reiventação da clássica história de Ira Levin, dessa vez deixando Nova York por Paris, França.



Três meses após perder seu bebê, Rosemary Woodhouse (Zoe Saldana) e seu marido escritor Guy (Patrick J. Adams) se mudam para Paris. Com um contrato com uma editora, Guy tenta escrever seu livro, porém, acabou ficando com um bloqueio criativo após a perda do bebê. Quando conhece Margoux Castevet (Carole Bouquet), uma socialite francesa que a convida para uma festa, Rosemary e Guy veem sua vida mudar. Margoux e seu marido Roman (Jason Isaacs) parecem ser uma luz no fim do túnel. Porém, com o passar dos dias, Rosemary percebe que com esmola demais, se desconfia.

Apesar de não ter sido criada pras telonas, essa adaptação de O Bebê de Rosemary foi, sem dúvidas, uma das produções mais aguardadas do ano. Todos estavam apreensivos para assistir essa reinventação, por motivos que – pra mim – óbvios. Além de ter a bela Zoe Saldana liderando o elenco composto por Carole Bouquet (ex-Bond Girl) e Jason Isaacs (Harry Potter), ainda tinha a diretora indicada ao Oscar pelo drama In Darkness. Porém, tenho que admitir que o remake não aquilo que esperávamos, apesar das expectativas não terem sidos muito altas por ser um remake.



Zoe Saldana nos entregou uma interpretação incrível que acho que Mia Farrow aplaudiria de pé. Todos sabemos que Rosemary é um papel difícil de interpretar por conter uma carga dramática gigante. Mas Zoe matou essa em menos de 1 segundo, demonstrando a delicadeza e inocência de Mia Farrow em 1968 junto com a força da mulher moderna. Sem dúvidas, Zoe foi a melhor coisa que aconteceu nessa produção.

O roteiro foi assinado por Scott Abbott e James Wong. Isso mesmo. James Wong. Wong escreveu Premonição (2000) e Premonição 3 (2006), além de ser escritor presente de alguns episódios da série American Horror Story. Mas, confesso que fiquei meio decepcionado. Os filmes de Wong são, no mínimo, divertidos (Natal Negro pode não ser bom, mas te dá boas risadas.) Achei que, nesta adaptação, eles mudaram muita coisa. Tipo, muita coisa mesmo. Tanto que acabou ficando desnecessário.

Isso sem falar do Satã. Aquela criatura abominável com olhos assustadores e garras asquerosas que estuprou Mia Farrow em 1968 foi substituída por um ator com lentes de contatos mais azuis que o tema inicial do Windows 7. Essa foi uma das minhas primeiras decepções em relação ao longo.



Além de terem cortado várias cenas (a série foi divulgada com 4 horas de duração, tendo somente 2:50) que poderiam ter funcionado pelo menos como homenagem ao longa de Polanski, os roteiristas ainda deformaram um pouco a história, deixando-a parecida com os filmes de terror sem graça de hoje em dia, apelando para sustos previsíveis e um pouco de gore. Isso mesmo. Gore. O brilhante terror psicológico construído no filme de 68 foi tensionado em uma corda bamba com o gore dançando acima dele.

Como Sidney Prescott em Pânico 4, “nunca se destrói o original.” Essa é a expressão perfeita para descrever essa produção. Começa indo bem, só que decai ao decorrer dos episódios, nos entregando um final calmo e curto – diferente do filme original -, e ainda destruindo o suspense do desfecho do filme que Roman Polanski quis deixar aberto por décadas.

por Neto Ribeiro

Título Original: Rosemary's Baby
Ano: 2014
Duração: 240 minutos
Direção: Agnieszka Holland
Roteiro: Scott Abbott, James Wong
Elenco: Zoe Saldana, Patrick J. Adams, Jason Isaacs, Carole Bouquet

6 comentários:

  1. Anônimo6/07/2014

    A onde posso assisti-lo?

    ResponderExcluir
  2. Anônimo7/05/2015

    No telecine play

    ResponderExcluir
  3. Anônimo8/14/2015

    Eu vai só o 1,agora estou a procura da segunda parte.

    ResponderExcluir
  4. Muito boa a crítica, realmente gostei muito da atuação de Zoe Saldana, mas o remake deixou a desejar...

    ResponderExcluir
  5. Anônimo9/20/2015

    Eu não gostei da atuação de Zoe Saldana. Ela vomitou a carne crua que comia. Aí me perguntei porque ela comeu? A Mia comeu na primeira versão como se fosse petisco. Sem regurgitar e eram pequenos. A Zoe socou um pedação. O cabelo curto ficou horrível na Mia. Significava que ela não tava bem. O da Zoe ficou mais lindo que o comprido. Hã? A Minnie era chata e boa. Tanto que ela levou o Oscar. A Margoux é uma mulher admirável. Hã?

    ResponderExcluir
  6. Na verdade, é uma nova adaptação dos LIVROS de Ira Levin (isso aparece nos créditos iniciais) e não um remake do filme de 68. Assim, achei incoerente fazer comparações entre os filmes. Esquecendo então o clássico, é possível assistir numa boa.

    ResponderExcluir