Critica: Tubarão 2 (1978) - Sessão do Medo

15 de julho de 2014

Critica: Tubarão 2 (1978)


Não é novidade para ninguém que um filme de tremendo sucesso gere sequências. Não importa se o filme teve criticas negativas, se fez lavagem cerebral ou se ele é um filme exemplar. Se fez bem nas bilheterias, pode contar que continuações virão.

O grande problema dessas continuações é que raramente elas conseguem ser tão boas quanto o original. O filme esplêndido de Spielberg intitulado "Tubarão" não foge disso, em 1978 fora lançado nos cinemas "Tubarão 2", filme que daria um novo capítulo ao gigantesco assassino dos mares. 

Roy Scheider (1932 - 2008) volta a interpretar o policial da pacata cidade litorânea de Amity, Martin Brody. Só três atores do original voltaram a interpretar os seus papéis aqui, além de Roy, voltaram também a Lorraine Gary (a mulher de Martin) e o Murray Hamilton (interpretando o idiota do prefeito Larry Vaughn). Entretanto, Steven Spielberg e Richard Dreyfuss iriam participar desta sequência, mas resolveram abrir mão dela para trabalharem juntos em 'Contatos Imediatos em 3º Grau'.

O diretor escalado para comandar a produção do filme foi John D. Hancock, mas por causa de problemas criativas com o roteiro e de divergências com a produção, ele foi demitido em meio ao desenvolvimento do projeto, então Jeannot Szwarc acabou sendo contratado em seu lugar.

O filme começa com o de costume, dois mergulhadores encontram o 'ORCA' (barco usado para matar o tubarão do filme original) no fundo do mar, e enquanto eles batem fotos e exploram o local, uma criatura gigantesca os ataca e os mata. Bom, não precisa ser esperto para saber que é um tubarão fazendo as suas primeiras vitimas e ascendendo o estopim que daria inicio a história do filme.


Após matar o tubarão do primeiro filme, Martin seguiu com a sua vida normalmente durante três anos. Apesar do tempo ter passado ele não entra na praia a menos que seja de extrema necessidade. No dia seguinte após o primeiro ataque do animal, Martin é alertado de que dois mergulhadores sumiram e que Free Willy uma Orca foi encontrada morta a dentadas por alguma criatura maior do que ela. Não demora muito para Martin suspeitar de que outro tubarão está rondando as praias de Amity... E mais, ele começa a achar que esse novo tubarão quer se vingar pela morte do tubarão do filme original. 

Não me perguntem como o animal pensou em fazer a vingança e nem porque ele demorou três anos para começar a atacar. Isso não chega a ser um erro do roteiro visto que isso é apenas uma ideia que vem na cabeça de Martin e que essa ideia de vingança não é aprofundada na história sendo esquecida no decorrer do filme. Que bom.

Diferente do primeiro filme que tentava dar um tom de suspense e mistério acerca do animal. Aqui nós ficamos logo sabendo do tamanho e da ferocidade do peixe. A principal diferença física entre esse tubarão e o tubarão do primeiro é que metade da face do tubarão desse filme é desfigurada por uma explosão que acontece numa lancha durante um de seus ataques. A produção optou por fazer isso porque eles acreditavam que com a face um pouco desfigurada poderia dar ao animal um tom maior de vilão.

Aparência do tubarão.

Martin passa boa parte do filme tentando provar ao prefeito que existe um novo tubarão na área, todas as vezes essas tentativas acabam sendo frustradas pela arrogância do homem. Aliás, boa parte do filme é Martin se preparando para matar o novo tubarão e tentando provar que o bicho existe. Ele chega até a mostrar fotos que os mergulhadores da introdução tiraram do bicho antes de morrerem. As únicas pessoas que acreditam nele são a sua mulher, Ellen e o seu parceiro de trabalho. 

Em determinado momento do filme, Martin fica vigiando os banhistas na praia, até que ele vê uma espécie de sombra 'andando' perto dos banhistas. Sem pensar, ele pede para todos saírem da água e cria pânico. Quando ele atira naquela 'sombra', é descoberto que aquilo era nada mais do que Anchovas. A ideia nessa parte era de certa forma mostrar o 'declínio' de Martin em cima de sua ideia de um novo predador nas redondezas... Mostrar que ele está louco e que não existe tubarão nenhum. Mas cá entre nós, eu não lembro de nenhuma ave que sai nadando em conjunto embaixo da água formando uma enorme sombra, a não ser o pinguim (mas não eram pinguins)... Achei um pouco ilógico essa cena. 

O grande clímax do filme começa quando um grupo de jovens, incluindo os dois filhos de Martin, Mike e Sean, resolvem ir velejar. Os ataques do monstro em cima de um grupo de 12 pessoas que ficam a deriva, é muito legal. Nesse filme o tubarão chega até a puxar um helicóptero de pequeno porte para o fundo do mar, é surreal, mas isso não quer dizer que não seja divertido de se ver. A medida em que o tubarão ataca, o "barco" remendado em que o grupo está vai se desfazendo.


Quando Martin descobre que seus filhos estão velejando, ele imediatamente pega um barco e vai em busca deles. Essa é a parte que eu acho que muita gente queria ver desde o começo do filme, o encontro de Martin com o tubarão. Infelizmente, essa cena só acontece lá pelos 10 minutos finais do filme. 

Eu acho que todos os filmes que eu já vi sobre tubarões, eles morrem com uma explosão. Todos que eu vi, exceto esse. Por esse motivo eu acho que ele ganha pontos, afinal, é difícil criar uma morte boa para um animal como esse e mesmo que a cena seja altamente ineficaz visivelmente falando, é curiosa de se ver. 


De modo geral o filme é neutro e possui tanto pontos negativos quanto positivos. Ele é mais parado em relação ao original cuja ação é mais dividida no decorrer do filme e o animal mostrado aqui é surreal sendo mais rápido do que uma lancha, em contrapartida o tubarão está da mesma forma que o seu antecessor, está relativamente bem feito e realista (levando em conta o ano em que ele foi feito), também existe a presença de um clima de tensão além de Szwarc também tentar mostrar o poder de um ataque de tubarão em determinadas cenas.

A trilha sonora do filme continua impecável, a famosa musica tema de apenas dois tons ressurge aqui de uma forma remixada muito boa de se ouvir. 

O filme também peca em querer mostrar uma grande quantidade de pessoas lutando para sobreviver do tubarão. O desejo do espectador é que a maioria daqueles garotos típicos de vitimas de filmes de terror, morram. A garota que não para de gritar é a primeira da lista.


Para completar, digo que esse 'Tubarão 2' teve um enorme sucesso de bilheteria (um pouco mais de 200 mil dólares de receita) por causa da lenda que o primeiro filme se tornou. De qualquer forma ele é uma boa sessão pipoca para algum fã sem compromisso e com paciência. 

Em 1981 foi lançado um filme italiano chamado de "O Ultimo Tubarão", curiosamente, esse foi considerado por muitos como a verdadeira continuação da obra de Spielberg. Embora o longa seja assumidamente um filme pastelão, ele garante uma boa diversão na maior parte de sua projeção. 


Acreditem quando eu digo que esse filme é um clássico comparado com os outros filmes que viriam. Tubarão 3D de 1983, embora seja ruim, eu gosto hahaha... Não me julguem! É mais pelo valor sentimental do que pelo que é mostrado. Mas 'Tubarão 4 A Vingança' de 1987... Não tem como gostar desse filme nem como terrir, passar longe dele é a melhor forma de evitar raiva e irritação. Por isso se deve aproveitar o 'Tubarão 2' pois ele ainda é o momento em que o Tubarão ainda estava nos seus melhores dias. Nota: 7,0.

por Michael Kaleel

Título Original: Jaws 2
Ano: 1978
Duração: 116 minutos
Direção: Jeannot Szwarc
Roteiro: Carl Gottlieb, Howard Sackler.
Elenco: Roy Scheider, Murray Hamilton, Lorraine Gary

5 comentários:

  1. tbm dou nota 7 , 10 só para o original clássico ! ótima critica !

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  2. Anônimo7/16/2014

    Ótima crítica. Não gosto muito desse filme. E da franquia, só gosto do primeiro.

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  3. Aliás, quando eu era criança e assisti esse filme nunca consegui entender por quê o tubarão tinha essa ´mancha` na cara.rs
    Mas o 1º filme é melhor, sem dúvida.

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  4. Eu tenho a resposta ideal para a sua dúvida sobre a sede de "vingança" do tubarão, mais patente no último filme do que neste, que só durou uns instantes. Sempre imaginei que sendo um animal, ainda algo misterioso e com uma capacidade tremenda para detectar, a centenas de quilómetros de distância no meio do oceano uma gota de sangue, que tem lógica que existam tubarões-descendentes do primeiro que saibam reconhecer, pelo olfato, o cheiro do sangue dos descendentes e genes de Brody, principalmente se estes andarem na água com um pequeno corte. E foi assim também que souberam de imediato o local e o momento de morte do seu "paizinho e mãezinha", no primeiro e seguintes filmes.

    Se as orcas, golfinhos e baleias são capazes de ter uma comunicação, porque não os tubarões? Telepática ou por sinais de ondas energéticas que não entendemos? Era outra forma além do cheiro do sangue que explicaria que uns e outros saibam onde cada qual anda na imensidão do oceano. Pessoalmente tornaria as coisas mais difíceis e na trama faria com que fosse mais do que um tubarão a andar pelas águas a reclamar vítimas humanas. Afinal, só um? Parece pouco...

    Que tal? Por isso nunca me preocupei com essa parte menos "fácil" de engolir.

    Quanto a este filme só posso dizer: ainda bem que o Spilberg e o Dreyfuss foram fazer os encontros imediatos de 3º grau.

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  5. Só uma observação: na verdade, Brody não atira num bando de pássaros, mas num cardume de anchovas (com as quais as gaivotas fazem a festa).

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