Crítica: Black Christmas (1974) - Sessão do Medo

31 de dezembro de 2014

Crítica: Black Christmas (1974)


Olá a todos, depois de um tempo sumido eu resolvi terminar o ano com chave de ouro e escrever sobre um filme que vi recentemente e que me surpreendeu bastante. Sim, estou falando de 'Black Christmas' ou 'Natal Negro' ou 'Noite do Terror' como ficou conhecido no Brasil. É um filme bem interessante visualmente de se ver e para os nostálgicos que gostam dos ambientes escuros e daquele clima dos anos 70 e 80, ele é de 1974.

"Chegou o Natal! As garotas de uma fraternidade fazem planos para o feriado, mas estranhas ligações anônimas começam a incomodá-las. Quando Clare desaparece, elas ligam para a polícia, que não dá muita bola. Enquanto isso, Jess está planejando um aborto, mas seu namorado Peter é radicalmente contra. A polícia finalmente começa a se preocupar quando uma garota de 13 anos é encontrada morta no parque. Eles grampeiam o telefone da fraternidade, mas será que isso será suficiente para impedir a morte das garotas da fraternidade?"

A  sinopse acima do filme basicamente o resume. o filme começa com uma comemoração entre as meninas da fraternidade. Enquanto elas festejam, um pessoa do lado de fora está observando, nós não vemos quem é, aliás, a câmera se movimenta como se ela fosse os olhos da pessoa que observa tudo, é uma técnica de primeira pessoa muito conhecido no primeiro filme de 'Halloween' de Carpenter. Enfim, aquela pessoa ronda a casa e encontra uma escadaria onde ele sobe até chegar no sótão

Enquanto as meninas se divertem, o telefone toca e quem atende é Jess. O conteúdo do telefone, para mim, é um dos pontos altos do filme, a pessoa do outro lado da linha fala coisa com coisa, solta gemidos e gritos, faz comentários, na maioria das vezes, sem ligação com as pessoas daquela irmandade. Ainda quero descobrir como o psicótico conseguia fazer mais de uma voz no telefone. Alguns dizem quem são os gritos de suas vítimas, mas a menos que ele tenha gravado os gritos delas, não tinha como isso ser feito, outros dizem que o homem insano não estava sozinho. Vale mencionar que essa questão sobre várias vozes diferentes no telefone são comentadas mais tarde no filme, mas não tem um desfecho. Um detalhe interessante que vi aqui foi a forma de como a câmera girou em torno da meninas enquanto Jess ouvia os gemidos e barulhos pelo homem insano por trás do telefone.

Após a festa, Clare vai para o seu quarto, para a sua infelicidade, o maluco estava lá a esperando. É aí que o filme começa.

No dia seguinte com a Clare desaparecida, o pai dela junto com duas amigas da irmandade, Phyl e Jess e o seu namorado Chris, vão a policia que não liga muito para o caso. Então todos voltam para a irmandade a espera de Clare. Depois disso, o tenente Ken Fuller (interpretado por John Saxon, mais conhecido por seu papel como Donald Thompson, o pai de Nancy em 'A Hora do Pesadelo'), passa a dar ênfase nas ligações que Jess anda sofrendo, pois para ele essas ligações podem ter relação com o desaparecimento de Clare.

Mas tarde o grupo fica sabendo de um grupo de busca que vai para o parque da região atrás de uma menina de 13 anos que estava sumida. Todos se mobilizam e vão ajudar com a esperança de encontrarem Clare também. Enquanto isso, o psicótico continua fazendo aquelas ligações perturbadoras para Jess e começa a aumentar a sua contagem de corpos. 

E por falar em Jess, existe uma subtrama, ela está grávida de Peter, mas quer abortar, mas Peter ao saber da gravidez, é totalmente contra o aborto, ele até diz que quer se casar com Jess, mas ela não aceita... Talvez porque durante boa parte do filme ela demonstra não estar interessada nele como ele está nela.

Voltando para a busca pela desaparecida, o grupo encontra a menina morta. Isso dá um alerta vermelho para a cidade que fica sabendo que existe um assassino nas redondezas.

A policia então grampeia o telefone da irmandade para descobrir a origem das ligações. Só que para isso acontecer, Jess tem que manter o psicótico no telefone por pelo menos 10 minutos. E vamos encarar, não é nada fácil. Enquanto isso, as meninas que ainda estão na irmandade vão morrendo e todos passam a suspeitar de Peter, o namorado de Jess, afinal ele tinha motivo aparente para surtar. 

As pessoas que forem mais detalhistas irão reparar que a cada ligação é uma pessoa que morreu. O porquê do assassino que se auto chamava de 'Billy' fazer isso, não é revelado, mas o filme tentar dar ênfase na loucura do homem. E eu particularmente gostei muito disse, o que dá a impressão é que Jess realmente está lidando com alguém perturbado que não se controla e não tem noção das coisas ao seu redor.

Além disso, o jogo de luz que é feito durante o filme, é muito interessante. Billy, sempre está num lugar escuro, não conseguimos ver o seu rosto por inteiro, apenas partes dele, como um olho, as costas ou um vulto com uma respiração ofegante. E o ponto é que o local em que as pessoas geralmente acham que estão seguras (a própria residência, no caso), é o local mais perigoso que tem. A irmandade é grande, tem quatro andares incluindo o sótão e o porão, mas é cheio de portas e corredores, e isso deixa tudo com mais suspense: "O que tem atrás da porta?"... E por fim o final do filme, quando o diretor Bob Clark resolve fazer uma pegadinha com o publico, tanto com relação à identidade do assassino quanto a própria segurança da única sobrevivente, sendo que os últimos frames mostram o final com uma reviravolta e com um aroma exclusivamente para esse filme, principalmente pelo fato de terem optado por não utilizar uma música de encerramento enquanto sobem os créditos, apenas o telefone tocando enquanto a câmera se afasta da irmandade.



No filme também existe um certo humor negro, na maior parte da trama esse humor envolve o policial sargento 'Nash' (interpretado por Doug McGrath). E ainda temos a música de Carl Zitter que ainda por cima é muito bizarra.

O  nome original do filme, “Black Christmas”, é ideia de Clark, que queria que o filme se chamasse inicialmente “Too Drunk”, (eu sei, não tem sentido), mas preferiu o título por misturar essa sensação incômoda de uma série de assassinatos numa das datas mais família, feliz e pura do ano. 

Peter, namorado de Jess
A Warner Bros, quando lançou a película nos Estados Unidos, ela teve medo que 'Black Christmas' fosse confundido com um filme feito só para ganhar lucro, então foi pensando nisso que ela alterou o seu nome para “Silent Night, Evil Night”, lembrando que existe uma franquia composta por 6 filmes chamado 'Silent Night Deadly Night', que poderia ser facilmente confundido. A recepção não foi nem um pouco boa nas bilheterias e os chefões do estúdio voltaram atrás, relançando-o com o título original.

Também não podia deixar de comentar a semelhança mais notória de 'Black Christmas' com 'Silent Night', o nome do psicopata de ambos os filmes se chama Billy. 

Outra curiosidade é que quando o filme foi exibido na tv americana pela NBC, ele recebeu o título 'Strangers in the House', algo como 'Estranhos na casa'  no horário nobre, foi tirado do ar por ser considerado muito assustador.

 Então é isso gente, o filme não fala de papai Noel do mau  e nem nada disso. Aliás, se não fosse pelos enfeites de natal, pelo coro cantando nas portas das casas, o filme poderia se passar em qualquer outra época do ano, apesar disso, a neve, o clima natalino do filme trás uma sensação a mais de desconforto pelos motivos ditos acima. Então vale a pena vê-lo, ele está muito acima da qualidade de filmes feito nos dias atuais.

Nota: 08.



Elenco: Olivia Hussey, Keir Dullea, Margot Kidder, John Saxon, Marian Waldman, Andrea Martin, James Edmond.
Diretor: Bob Clark.
Roteiro: A. Roy Moore.
País: Canada. 

Por: Michael Kaleel.

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