Crítica: [•REC] 4 - Apocalipse (2014) - Sessão do Medo

17 de janeiro de 2015

Crítica: [•REC] 4 - Apocalipse (2014)

Aviso: Esse post contém spoilers sobre o filme.
Bem-vindos a bordo.

Lembro-me perfeitamente quando assisti o primeiro REC, há quase seis anos. Havia comprado uma cópia do DVD e assisti sem pretensão alguma. Mas a surpresa desse filme foi tão grande que quase não consegui esperar dois anos pela sequência. Felizmente, Possuídos não me decepcionou, e apesar das divergências na história, levando o vírus para um lado mais religioso, eu realmente gostei dele. O terceiro, vinha quase três anos depois, repleto de expectativa. E apesar da crítica ter o considerado uma bomba, Gênesis foi um filme que me agradou, por seguir um caminho diferente mas criativo da franquia, repleto de gore e zumbis! Quando o quarto filme foi anunciado, com o sobrenome poderoso de Apocalipse, todos apostaram suas cartas no desfecho da franquia. No final do ano passado, ele foi finalmente lançado e infelizmente, acabou a franquia de forma fraca.

O filme começa, claramente, após o final de Possuídos. Um trio de soldados entram no prédio para plantar uma bomba, após a equipe anterior ter sido aniquilada. Um deles é atacado e os outros dois tentam sair do prédio quando escutam uma voz de socorro. O soldado Guzmán (Paco Manzanedo) resolve ir atrás da pessoa, que logo se revela ser Ángela Vidal (Manuela Velasco), a sobrevivente dos dois primeiros filmes. Após essa cena inicial, Ángela acorda em uma sala médica, presa à sua cama. Ela tenta fugir, mas logo é alcançada por alguns soldados e se dá conta que está em um navio.

Além de Ángela, vemos de novo o soldado Guzmán, que também não sabe por que está no navio. Logo é explicado que além do surto no prédio de Ángela, houve outro caso de manifestação do vírus (o casamento do Gênesis), e o governo da Espanha resolveu pegar os sobreviventes e os isolarem em um navio, afastado da civilização, para impedir um verdadeiro "apocalipse". Porém, o vírus acaba voltando ao navio, criando uma nova infestação, enquanto Ángela e outros passageiros do navio lutem por suas vidas, enquanto a doença se espalha.


Apocalipse abandona completamente o found-footage, mostrando raramente imagens das câmeras de segurança do navio. O filme todo é filmado por câmeras normais, deixando todas as cenas de ação mais claras de se entender, apesar do formato found-footage passar mais realidade, se o mesmo for realizado de forma bem-sucedida. Os zumbis só não estão mais asquerosos do que os de Gênesis, mas estão bem-maquiados, sem aquela aparência putrefata os de The Walking Dead, mas sim com sangue por toda a cara, como os de Extermínio.

O filme em si é bem conduzido basicamente nos primeiros 60 minutos. Porém, Apocalipse decepciona por passar a propaganda enganosa mais descarada que já vi. O filme poderia funcionar, caso houvesse mais um, um quinto filme talvez. E nos primeiros 60 minutos, ainda mantive minhas esperanças. Porém, quando o tempo ia passando e, consequentemente, o filme ia acabando, eu percebi que não tinha jeito do filme acabar de forma decente.

Para mim, a maior decepção, vencendo até a ausência do "apocalipse" prometido, foi não ver Ángela possuída, como todos esperavam que ela estaria. Para quem não se lembram, vemos no Possuídos que a menina Medeiros passou o parasita do vírus para Ángela. E além disso, os posteres promocionais do filme mostra Ángela com olhos vermelhos e um rosto bastante sugestivo. Porém, nesse filme, como já dá para perceber pelo trailer, ela não está com o parasita. Coisa que deixaram de lado para tentar colocar uma reviravolta para impulsionar o final do filme, sem êxito.


Outra coisa que eu realmente achei meio ridícula foi o lance dos macacos. As cenas ficavam engraçadas, como o ataque na cozinha. Sério, não tem como não ruim com aquele macaco fritando, não é? A ideia até que foi boa, mas a construção dos bonecos infectados não ficou legal. Quando falaram sobre manter algo preso para testes naquela sala, imaginei algum personagem que apareceu nos filmes anteriores. Isso poderia ser possível, certo? Aquela velha do terceiro apareceu nesse, então por quê não? Talvez, algum daqueles garotos que invadiram o prédio no segundo filme?

Os pontos altos do filme é primeiramente Manuela Velasco, atriz que interpreta a principal Ángela Vidal. O talento da atriz é evidente desde o primeiro filme e nesse ela também não desaponta. Consegue segurar o filme todo em seus braços, pois o elenco não tem muito o que dar, além de um gordo simpático e um médico que é a cara do Tommy Lee Jones. O outro é o retorno daquele clima desconfortável presente nos dois primeiros filmes, clima essa que se desvaiu no terceiro filme.

É bastante evidente que Apocalipse queria ficar na sua zona de conforto, mas ao mesmo tempo, inovar. E o lance do navio parecia ser a saída mais viável. E até poderia, porém, não foi. O roteiro é fraco, apelaram para reviravoltas desnecessárias e desperdiçaram a personagem principal, deixando-a apenas como o primeiro filme, ao invés de usar algo como Alien 3, onde ela poderia infectar sorrateiramente a tripulação do navio. Além de tudo, o filme deixa um gancho para outro, porém, acho difícil isso acontecer. Infelizmente, o quarto filme tem seus charmes, porém não é o suficiente.

ATUALIZAÇÃO:
Falei anteriormente no post que os jovens do segundo filme poderiam ter voltado nesse quarto filme. Porém, pesquisando um pouco mais, acabei descobrindo que com o lançamento do terceiro filme, uma série de quadrinhos com histórias inéditas foi lançado. Uma dessas histórias mostra que os adolescentes foram mortos por um grupo de soldados que entraram para resgatar Ángela.

Nota: 5

por Neto Ribeiro

2 comentários:

  1. Eu sinceramente gostei do filme, apesar de algumas coisas "esquecidas" ou descartadas no filme... ele é recomendável. and F*ck the Hater$
    Se -por acaso- houver um 5º filme com o gancho do final... o que diremos ?

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  2. Mas apocalipse não significa final ou final dos tempos, significa revelação....

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