Crítica: True Blood | 1ª Temporada (2008) - Sessão do Medo

16 de fevereiro de 2015

Crítica: True Blood | 1ª Temporada (2008)


Atenção: Este post contém spoilers.

Em 2007, o canal HBO resolveu adaptar a franquia de livros "The Southern Vampires Mysteries" em uma série, intitulada True Blood. Um ano depois, a série estreou, fazendo um sucesso imenso. Infelizmente, só comecei a assistir a série antes da sétima e última temporada começar, portanto, não tive tempo suficiente para me considerar um "truebie" ou seja lá como o fandom da série se chame, ou seja, não consegui acompanhar.

A história de True Blood é a seguinte: Os vampiros finalmente assumiram sua existência para o mundo. Ganhando associações e direitos, iguais aos humanos, os vampiros começam a viver do mesmo jeito que nós. Para facilitar a nossa vida, um sangue sintético chamado Tru Blood foi fabricado para saciar a sede das criaturas, para que as mesmas não se alimentem de nós.

No estado americano da Louisiana, na pequena cidade de Bon Temps, conhecemos a garçonete Sookie Stackhouse (Anna Paquin, a Vampira dos filmes X-Men) que tem o incrível dom de ouvir os pensamentos das outras pessoas, ganhando com isso a fama de louca nas bocas da cidade. Sookie trabalha no bar de Sam Merlotte (Sam Trammell, A Culpa é das Estrelas), e um dia, ela encontra o primeiro cliente vampiro do bar: Bill Compton (Stephen Moyer, Evidências).

Após salvar a vida dele de dois oportunistas, Sookie cria um vínculo com o vampiro, que recebe o apoio de sua avó Adele, apesar da rejeição de seu irmão Jason (Ryan Kwanten) e de sua melhor amiga Tara (Rutina Wesley). Quando mulheres começam a ser assassinadas na cidade, Sookie é arrastada para o meio do caso quando o seu irmão é acusado dos crimes. A única ligação entre essas mulheres, além de terem dormido com Jason antes de serem mortas, é que todas eram ligadas a vampiros. Será Sookie a próxima?

Apesar da história "crepusculiana", coisa que me fez demorar tanto para assistir a série, True Blood é mais do que é isso, principalmente nessa primeira temporada. Esse mistério sobre quem é o assassino é algo que te pega e não solta até a season finale. A trama dos vampiros é algo que briga com o tema anterior na tela, tudo dividido também com a evolução de personagens como Tara e Sam, em uma hora de episódio.

Anna Paquin foi a escolha perfeita para o papel de Sookie. Vencedora do Oscar quando era criança ainda, Anna interpreta uma jovem que apesar da aparência ingênua é bastante provocadora. Podemos ver um exemplo disso com o fato de Sookie só aparecer de shortinhos e sainhas, com um beeeelo decote para delinear seus seios - e que seios! Ryan Kwanten não podia ser um Jason melhor, burro para caralho e com a cara de lerdo. Stephen Moyer não nos entrega nada a não ser um vampiro chato e sonolento. Sam Trammell tem muito a melhorar, também.

Como falei dos personagens, devo ressaltar a ótima interpretação da história deles. O desenvolvimento deles é algo que não apressa muito nem se arrasta ou se apoia em outros. O principal deles é a Tara. Ela nos faz sentir pena e ao mesmo tempo vontade de rir litros com seus "coices", os usuais "mother-fuckers", "fuck you's", "bitches" (que é dividido com Lafayette) e"shit's" e que sai da boca dela e sua atitude. Enfim, Tara tem uma mãe alcoólica, Lettie Mae (Adina Porter, que já deve ter participado de quase todos seriados que assisto), que alega estar possuída por um demônio que a faz beber demais. Vemos que a vida de Tara é difícil, mas ela exagera às vezes, certo? Gostei de Rutina no papel, mas só eu que acho os olhos dela muito esbugalhados? Sei lá, exagerados. Não sei.

Assim como toda série da HBO, True Blood aposta descaradamente no sexo. Cada vez mais ousadas (tem uma na terceira temporada que chega a ser doentia!), as cenas que às vezes são desnecessárias (como aquela em que Bill estava enterrado, e quando sai já começa a trepar com Sookie, todo sujo de terra!) meio que constroem a identidade da série. Só acho que tem um certo limite, principalmente nas cenas de Jason, que parece mais um ator pornô! Tudo bem ter um personagem pegador na série, mas dos 12 episódios da temporada, 12 tem uma cena de Jason transando ou pelo menos pelado. Disso, a única coisa boa que saiu foi conhecer mais a Anna Paquin e a Lizzy Caplan, se é que vocês me entendem.


Outra coisa que faz parte da série é aquela crítica social disfarçadas de vampiros. Os vampiros representam várias minorias sociais, mas em principal os homossexuais. A série usam "sair do caixão" como uma expressão, assim como "sair do armário". Não sei se perceberam, mas na abertura da série, aparece uma cena rápida de uma placa de igreja em que está escrito "God Hate Fangs" (algo como "Deus odeia vampiros"), uma clara referência à "God Hate Fags", uma certa expressão usada por homofóbicos que significa "Deus odeia bichas". Uma sacada bem inteligente.

E se não bastasse os vampiros representando os gays, ainda há o Lafayette, uma grande figura da série. Ele é um gay assumido que trabalha como cozinheiro no bar de Sam e é primo de Tara. Lafayette nos proporciona várias risadas nos episódios, assim como um grande coice nos preconceituosos, como naquela cena em que ele dá um rala em três caras que se recusaram a comer hambúrgueres feitos por ele por dizer que contém Aids.

Porém, apesar dos pontos altos, a série muitas vezes mostra suas fraquezas, suas falhas. Uma coisa irritante são os ganchos para o próximo episódio. Fazer isso de vez em quando ainda vai, mas todos os episódios da temporada não se concluem, deixando espaços em branco no final de cada, nos "forçando" a assistir o próximo, para saber o que acontece. Outra coisa chata são os 58 minutos de cada episódio. A HBO já é conhecida por fazer episódios relativamente grandes, mas pelo menos nessa temporada, muita coisa podia ser jogada fora. Felizmente, em algumas temporadas a frente, e repare no "algumas", esse ponto se torna uma coisa boa, mas por enquanto...

Por fim, devo dizer que a temporada foi mais do que eu esperava e ao mesmo tempo, menos. Só que, apesar das falhas, True Blood é algo singular que deve ser conferido. Entendo quem não gosta da série, pois os motivos são válidos. Porém, a diversão é algo que vale a pena. E talvez, se você for daqueles dependentes da série, poderá até ver a segunda, depois do gancho deixado na season finale. E na verdade, eu recomendo assistir a segunda, pois é outro nível. Falando nela, em breve faço uma crítica! Até mais, pessoal!

Ps: A abertura é sensacional! Uma das minhas favoritas.

Nota: 7

por Neto Ribeiro

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