Crítica: We Are Still Here (2015) - Sessão do Medo

6 de junho de 2015

Crítica: We Are Still Here (2015)

Crítica sem spoilers.

Ainda Estamos Aqui, ou We Are Still Here foi um filme que estreou no festival americano SXSW e acabou recebendo críticas muito positivas. Quando vi o trailer, o filme me animou muito e pensei "não tem como esse me decepcionar". E não me decepcionou: We Are Still Here é um puta filme!
Depois de perder o filho adolescente num acidente automobilístico, Paul e Anne se mudam para os pacatos campos de New England para iniciar uma nova vida. Entretanto, o casal logo descobre que a aparentemente pacífica cidade para a qual se mudaram esconde um terrível e obscuro segredo, e que a o casarão onde vivem é habitado por uma outra família - de fantasmas...
Essa é a sinopse do filme. E como podem perceber, ela é bem típica. Se vocês fossem escolher um filme pra assistir só pela sinopse, esse com certeza seria o último que escolheriam, pois parece ser mais do mesmo. Mas não é! Vou tentar ao longo do post falar o menos de spoilers possível, para que vocês assistam sem saber o que esperar.


Não estou dizendo que o filme é original. Na verdade, ele não é e tem um milhão de clichês. Mas o que o faz ser bom é que ele usa esses clichês ao seu favor. O último filme que fez isso foi Invocação do Mal e se saiu muito bem. Ele não é aquele tipo de filme que nos minutos finais nos joga uma reviravolta bombástica que muda todo o sentido dele. Mas ainda assim, ele consegue se destacar por ser um filme simples e bastante eficaz.

Outra coisa que fez com que o filme se saísse bem é que ele não enrola. Durante os 30 primeiros minutos, ele só prepara o terreno para tudo que vai acontecer. E então o desfecho final vem com aquele massacre e bum! Te pega desprevenido. Achei aquela cena final muito mas muito boa! Tem a dose certa de gore e a direção ajuda muito. Falando em direção, o diretor Ted Geoghegan fez um excelente trabalho. Se não fosse ele, o filme não seria tão bom quanto foi. Deu pra ver que ele buscou bastante referências nos filmes do Lucio Fulci.

A ambientação do filme e o visual setentista dele é uma das melhores coisas. Ele nunca explica se o filme se passa nos tempos atuais ou nos anos 70 e nos resta deduzir. As pistas vão do vestuário dos personagens à detalhes como a televisão do casal ser daquelas bem antigas. O estilo dele me lembrou o de The House of the Devil, que por sinal tem os mesmos produtores.

Acho que o ponto fraco do filme são as atuações, que parecem muitos vezes caricatas. Os personagens não são aprofundados como deveriam (talvez propositalmente) e o público acaba não criando um vínculo com eles e nos deixa no pensamento de que não ligamos para o que acontece a eles. O roteiro tenta a todo custo fazer com que os personagens se tornem importantes, mas eles não conseguem. No entanto, dá para ver que o elenco tenta se esforçar em papéis tão substanciais, principalmente a Barbara Compton (Você É O Próximo) que está incrível!


We Are Still Here pode não reinventar o gênero ou algo do tipo, mas é um daqueles filmes que cumpre o que promete. É um filme que posso chamar de simples e ainda assim, assustador. Ele sabe quando jogar sustos, sabe quando jogar suspense e sabe como jogar um pouco de sangue (ok, um monte). Muitos não irão concordar com minha opinião de ter dito que é o melhor do ano, mas gosto é gosto. Espero que encontre alguns com a mesma opinião.

Nota: 9

por Neto Ribeiro