Crítica: A Forca (2015) - Sessão do Medo

6 de agosto de 2015

Crítica: A Forca (2015)


Jason tinha um facão. Freddy tinha uma luva. Charlie tem uma forca. É isso que diz um dos trailers do filme A Forca, nova "modinha" dos filmes de terror que ganhou ampla divulgação e agora está fazendo sucesso, comparando o vilão do filme à dois ícones do horror. É perceptível ver que esse sucesso se deu graças à melhor campanha de marketing para um filme de terror desde a de A Bruxa de Blair, que parou o cinema em 1999, mostrando a pseudo-história-real de 3 jovens desaparecidos em uma floresta cercada por uma lenda de uma bruxa. E dá pra ver que A Forca se inspirou no filme (o nome dos personagens serem os mesmos dos atores e ter até uma cena bem parecida entre os dois filmes).

Esse filme, do qual eu gosto muito, ajudou a trazer o subgênero found-footage à luz de Hollywood, mas foi só depois de Atividade Paranormal, que o estilo começou a encher o saco. Grande exemplo disso são filmes como A Forca. Filmes fracos com sustos idiotas e forçados que acabam recebendo mais atenção no público brasileiro (e afora também) do que outros ótimos filmes. Mas claro, sendo farofa, o povo compra. É nisso que se baseia a distribuição de filmes de terror no Brasil, sendo raros os casos em que filmes de qualidade são lançados. Tudo que se tem que ter um grande estúdio apoiando-o. Veja como a Warner deu força para A Forca.


Seguindo o estilo de A Bruxa de Blair, as cenas que vemos no filme são "reais", e estão sobre os cuidados da polícia de Beatrice (cidade em que o filme se passa). Com isso em mente, somos introduzidos ao filme por meio de uma filmagem de uma peça escolar em 1993. Quem está filmando são os pais do adolescente Charlie, um dos atores da peça, que logo terá que encenar um enforcamento. No entanto, a plataforma construída para a cena tem algum erro e acaba matando o garoto.

20 anos depois, somos apresentados aos personagens do filme: Ryan é o típico jogador de futebol popular, que namora com a líder de torcida popular Cassidy e que humilha todos que lhe convém. Ele pega uma câmera para filmar o seu melhor amigo, Reese, que está participando de uma nova versão da peça A Forca (a mesma do Charlie) apenas pra se aproximar de Pfeiffer, uma garota que ele gosta.

Tentando ajudar o amigo, Ryan arma um plano para matar dois coelhos com uma pedra só: destruir o set para que Reese não atue mais na peça, e também para que Pfeiffer fique desolada, ficando vulnerável para que Reese a console e algo possa rolar. Durante à noite, Ryan, Reese e Cassidy vão para escola e destroem o set, mas se deparam com Pfeiffer, que diz ter visto o carro de Ryan. Só que a escola misteriosamente se tranca, deixando os quatro trancados. Enquanto acham pistas sobre a morte de Charlie em 1993, coisas estranhas começam a acontecer na escola. Logo, eles começam a ser perseguidos pelo espírito de Charlie, que procura vingança.


Eu já fui assistir o filme com expectativa lá embaixo e isso me ajudou a não quebrar a cara. Isso é uma coisa que todos devem fazer ultimamente, pois, se um filme for ruim você não se decepciona, e se o filme for bom, você se surpreende.

Além do Charlie, A Forca não apresenta nada novo. São só gritaria, correria e um personagem que passou cola Super Bond na câmera e na mão, pois não solta nem quando vai morrer. Então já dá para ver que o filme é mais um found footage apenas bem-divulgado. Confesso que senti falta da presença do grande ponto do filme, o Charlie. As cenas em que ele apareceu foram realmente boas. No entanto são poucas.

O filme termina com um final típico da Blumhouse (maior produtora de terror independente da atualidade). Se você assistiu A Entidade, Amizade Desfeita, Sobrenatural, Atividade Paranormal e outros trocentos filmes da produtora, verá que é a mesma coisa. No entanto, ele se torna meio imprevisível visto a como o filme ia, entende? Só que, particularmente, achei meio forçado.



O filme é mais um amontoado do mais do mesmo. Atores péssimos gritando pra câmera e sustos provocados pelo aumento repentino de som. Sinceramente, acho que os dois maiores problemas do cinema de horror atual são: 1) Os diretores acharem que jumpscares fazem o filme assustador e 2) O uso de CGI exagerado em monstros/criaturas/demônios (mas isso não convém ao filme). Infelizmente, eles estão deixando de criar uma atmosfera assustadora (que tem, sem dúvidas, mais eficácia) para criar uma cena que apenas faz a pessoa dar um pulo.


A Forca não é assustador. Não é nada. Então, vá assistir outro filme que tem mais futuro.

PS: Poucas pessoas sabem mas A Forca é um projeto antigo de 2011, que seria lançado em 2012 por uma produtora independente. O filme teve dois nomes de produção, Stage Fright e Superstition e chegou até a ganhar cartazes. No entanto o projeto foi comprado pela Blumhouse e foi quase todo regravado.

por Neto Ribeiro

Título Original: The Gallows
Ano: 2015
Duração: 81 minutos
Direção: Travis Cluff, Chris Lofing
Roteiro: Travis Cluff, Chris Lofing
Elenco: Reese Mishler, Pfeifer Brown, Ryan Shoos, Cassidy Gifford

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