Crítica: Doce Vingança 3 - A Vingança É Minha (2015) - Sessão do Medo

30 de setembro de 2015

Crítica: Doce Vingança 3 - A Vingança É Minha (2015)


"A verdade é a seguinte: Se você quer justiça, você mesma tem que fazer."

É imprescindível dizer que Doce Vingança é um dos filmes de terror mais conhecidos no Brasil. É o tipo de filme que até quem não curte filmes de terror já assistiu, por que um amigo que também não gosta de filmes de terror assistiu através da recomendação de um amigo que gosta de filmes de terror. Ele ficou famoso no boca-boca, principalmente por suas cenas pesadas de tortura e gore. Lançado em 2010, o filme é um remake de A Vingança de Jennifer, de 1978, que já não é muito conhecido mas tem a mesma premissa: A escritora Jennifer Hills (Camille Keaton no de 78 e Sarah Butler no de 2010) aluga uma casa de campo isolada para terminar seu novo livro. Mas a mulher acaba sendo estuprada e violentada por um grupo de caipiras da cidade. Os caras a deixam pra morrer e até acham que a mulher está morta. Mas Jennifer reúne forças para se vingar deles.


Com o sucesso estrondoso do remake, o filme ganhou uma sequência, Doce Vingança 2, no ano seguinte. A história era basicamente a mesma do primeiro, com outra protagonista, mas trazia alguns elementos diferentes como o fato da protagonista ser uma modelo, entre outros detalhes, que pouco diferenciou o filme. Apesar de interessante, tal sequência foi desnecessária e não trazia nada de novo. E após tanto sucesso, não podia-se negar que o filme teria uma terceira parte, certo? Mas o que teria de diferente nesse novo filme? Bom, o primeiro passo dos produtores de Doce Vingança 3 foi chamar a protagonista do primeiro filme para dar continuidade à história de Jennifer.

Tanto que o começo do filme relembra os eventos do primeiro, através dos sonhos de Jennifer. Atualmente, Jennifer mudou seu nome para Angela, e está vivendo em Los Angeles. É importante salientar que o roteiro fez um bom trabalho no início do filme mostrando como Jennifer foi afetada pelo estupro. Ela fica sempre na defensiva com homens e não confia mais em ninguém. Como ela diz em uma das cenas: "Todos sempre tem segundas intenções".

Bom, ela se consulta com a psicóloga Lynne (Karen Strassman, As Ruínas) quase que diariamente. Em uma das suas consultas, a psicóloga recomenda que ela comece a frequentar um grupo de apoio a pessoas que foram estupradas. Nesse grupo, há várias pessoas e uma delas é Marla (Jennifer Landon), uma mulher que fala o que pensa, levando à amizade entre as duas.


Marla, assim como Jennifer e várias outras pessoas do grupo, tem raiva dentro de si, por causa da justiça que não foi feita em seus casos de violência. Entre várias conversas entre Jennifer e Marla, vemos isso, em diálogos ácidos sobre a polícia, sociedade, etc. Num certo momento, Marla e Jennifer resolvem dar um susto no padrasto de uma jovem do grupo de apoio que a estupra, mas ninguém acredita nela. Tudo parece estar indo bem, até por que segundo a garota alguns dias depois, ele parou de abusar dela.

Mas tudo muda no momento em que Marla é assassinada pelo ex-namorado. Após uns dias de investigação, o cara sai livre das acusações. É aí que a história começa a andar conforme a franquia, e ao mesmo tempo, contra. Tendo vários motivos, Jennifer resolve fazer justiça com as próprias mãos e vai atrás do cara. Aos poucos, Jennifer começa a fazer isso com outros violentadores. Mas ao mesmo tempo em que a justiça é supostamente feita, o roteiro começa a divergir o certo do errado, criando uma dúvida em nossa cabeça: "Será que ela está fazendo justiça mesmo?".


Desde o início, achei estranho a ideia desse filme. Apesar de entender que procurava algo diferente, a premissa simplesmente não parecia um filme da franquia. Mas claro, queria ver como o roteiro se sairia. E até certo ponto do filme, acho durante uns 60 minutos de filme, ele mostra uma história muito interessante de acompanhar, apesar de algumas coisas contraditórias e umas cenas que lembram filmes de comédia. É somente nos últimos minutos que o filme perde o freio completamente e sai dos trilhos.

Quando o filme acaba e os créditos sobem, você começa a analisar o filme em geral. Eu fiz isso, e o que percebi foi que o filme simplesmente desconstrói quase tudo que o primeiro de 2010 trabalhou tanto para conseguir. Sabe, no de 2010, em todas as vezes em que Jennifer matou cada um de seus agressores, eu não tinha dúvida nenhuma de que ela estava fazendo a coisa certa. No entanto, o filme aqui em questão bagunça esse senso, simplesmente por que transforma Jennifer em uma psicopata maluca por justiça.

Entendo até o ponto de vista do roteiro. Em diversas ocasiões, a história nos apresenta motivos para ficar tão furiosos quanto os personagens. Mas nos minutos finais, quando você está completamente imerso na história e parece que ela irá a um patamar mais alto do que já estava, o roteiro vai e transforma tudo em bagunça, tirando toda a razão de Jennifer.


Apesar de não seguir a fórmula usual da franquia, o filme consegue construir um roteiro bem sólido no começo e em boa parte do segundo ato. Ele parece uma mistura de suspense e thriller, mas claro, regado a, devo dizer, um pouco sangue. Mas devo avisar que não é muito sangue. Jennifer apenas mata dois homens no filme inteiro, já que grande parte das cenas violentas do filme se passam na cabeça dela, quando ela quer controlar a raiva. Claro, essas cenas são de fazer qualquer homem chorar. Eu me contorci todo vendo, principalmente, o primeiro assassinato dela no filme. Puta-que-pariu, doeu no fundo da minha alma.

Doce Vingança 3 é um filme que é, acima de tudo, sobre consequências. Enquanto no primeiro Jennifer podia matar a vontade, já que um dos vilões era um xerife, aqui ela tem enfrentar a investigação da polícia. O filme pode trazer algumas cenas gore, mas infelizmente é bem desconstrutivo quanto à ideia da franquia. É como se não honrasse a história do primeiro filme e jogasse tudo pro ar, sabe? Com certeza não é um filme que vai agradar a todos, já que a franquia em si não agrada. Muitos dos fãs gostam dos filmes por conta da grande violência e muitas cenas de morte, mas acho que até eles irão se decepcionar. É um filme que quer fazer muito com o razoável, e acaba fazendo pouco.

por Neto Ribeiro

Título Original: I Spit on Your Grave 3
Ano: 2015
Duração: 91 minutos
Direção: R.D. Braunstein
Roteiro: Daniel Gilboy
Elenco: Sarah Butler, Jennifer Landon, Doug McKeon, Gabriel Hogan, Harley Jane Kozak, Michelle Hurd


Description: Rating: 2 out of 5

16 comentários:

  1. Eu adorei o filme! Adorei mesmo!

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  2. Só não entendi bem o final. Ela ia à psicóloga, enquanto matava. Foi presa. Mas continuava a consultar a mesma? Não vi sentido. Além de ela matar na imaginação. O filme não passou bem essa ideia de loucura, se era a intenção

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    1. Provavelmente a psicóloga foi chamada pelo tribunal para cuidar dela, já que a esse ponto, a polícia já sabia que ela era Jennifer Hills e tinha sido estuprada e os crimes que ela fez foram relacionados ao trauma.

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    2. A terapia dela sempre foi ela estando presa, por isso estava smp com cobertor, n percebeu? So no final que revela que era uma terapia na cadeia,qnd tira o cobertor e revela o uniforme, oq bagunca isso e a terapeuta falar sobre ela entrar numa terapia em grupo, e no inicio ela entra, isso q n entendi mt bem.

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    3. Ela estava presa desde o começo. O lance da psicóloga falar sobre a terapia em grupo, foi em relação a uma terapia lá mesmo na prisão e quando era citado algo relacionado a parte de Jennifer antes de ser presa foi só relembrando, como se a psicóloga estivesse abordando o passado. A profissional apenas estava avaliando a condicional dela. Achei esse twist bem legal!

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  3. Também achei o final um pouco decepcionante, "pessimista", já que os dois primeiros filmes eram como um "female empowerment". Esse aqui decepcionou quando a Jennifer começou a agir como uma "maluca". Mas tem uma uma coisa a ser pensada, o filme reflete bem a realidade: o trauma e a ira que consomem uma vítima pela impunidade aos verdadeiros criminosos. Mas acho que poderiam ter deixado essa ideia mais "visível" e até aceitável de algum jeito.

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  4. eu gostei do filme ele e bem legal mais ja que teve o 3 continuando o Primeiro quem sabe não tem o 4 Continuando o Segundo ;) pq o segundo acabou parecendo que ia ter uma continuação mais eo gostei do filme 3 mais uma coisa estou em duvida qual das duas mata com mais como posso dizer com mais estrategias sei la eu gosto mais jennifer e Voçeis?

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  5. Anônimo5/30/2016

    “He who fights with monsters should look to it that he himself does not become a monster . . . when you gaze long into the abyss the abyss also gazes into you”
    Friedrich Nietzsche

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  6. Gostei do filme,gostei do final.Pra quem nao intendeu,no filme toda hora que ela ve uma pessoa,ela imagina-a matando-os.No final do mesmo geito,ela ve aquelas mulheres na cesto de estupro.E no final ela tem um flash back,ou seja ela so imagima matando aquelas pessoas,presta atenção quando ela mata a psicologa,a CARa dela fica cheia de sangue,da ela vira e nao tem sangue nenhum.

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  7. Durante o filme ela estava presa aguardando a condicional, eu entendi q ela cometeu esses crimes após sair na condicional,provavelmente ela foi presa por outro motivo lá ninguém sai em.dois anos tendo cometido dois assassinatos eles usam dessa artimanha para tentar confundir o Espectador ela toma um tiro q provavelmente foi fatal. Resumindo ela sai já condicional e procura o grupo de apoio em momento nenhum com a Psico é mencionado assassinatos e sim raiva

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    1. Sua ideia é a que mais faz sentido até agora. Realmente, a linha do tempo desse filme é bem confusa. Só fica estranho a parte que ela está machucada na psicóloga, pois o cara da academia ainda não teria batido nela (?).

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  8. Nn gostei muito confuso, sem sentindo

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  9. Achei interessante e meio confuso.
    Não dá pra entender se ela estava na condicional antes ou depois, pois ela estava trabalhando. E a polícia também não sabia o nome real dela etc.
    Achei as cenas de morte desse 3 bem pesadas, arrepiou a alma mesmo, isso eu gostei... Kkk

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  10. Anônimo4/28/2017

    Gostei da sua análise e concordo em partes. Mas você esqueceu de citar o mais importante, o filme traz uma ferrenha crítica a "justiça", a polícia em geral, ao sistema. Pois ninguém fez justiça às vítimas, mas moveram céus e terra pegar a ela, que apesar de ter feito justiça com as próprias mãos no primeiro filme, ainda sofria e continuava perturbada. Infelizmente a forma que ela encontrou de voltar a ser feliz e ter esperanças foi fazendo justiça pelas vítimas do grupo, e foi a Marla gatilho para isso. Ou seja, ela virou uma psicopata desde quando se vingou no primeiro. Achei o filme incrível! 1 e 3, já o 2 não curti.

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  11. Amei o filme muito👏👏 muito bem elaborado

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