Crítica: Doce Vingança 3 - A Vingança É Minha (2015)


"A verdade é a seguinte: Se você quer justiça, você mesma tem que fazer."

É imprescindível dizer que Doce Vingança é um dos filmes de terror mais conhecidos no Brasil. É o tipo de filme que até quem não curte filmes de terror já assistiu, por que um amigo que também não gosta de filmes de terror assistiu através da recomendação de um amigo que gosta de filmes de terror. Ele ficou famoso no boca-boca, principalmente por suas cenas pesadas de tortura e gore. Lançado em 2010, o filme é um remake de A Vingança de Jennifer, de 1978, que já não é muito conhecido mas tem a mesma premissa: A escritora Jennifer Hills (Camille Keaton no de 78 e Sarah Butler no de 2010) aluga uma casa de campo isolada para terminar seu novo livro. Mas a mulher acaba sendo estuprada e violentada por um grupo de caipiras da cidade. Os caras a deixam pra morrer e até acham que a mulher está morta. Mas Jennifer reúne forças para se vingar deles.


Com o sucesso estrondoso do remake, o filme ganhou uma sequência, Doce Vingança 2, no ano seguinte. A história era basicamente a mesma do primeiro, com outra protagonista, mas trazia alguns elementos diferentes como o fato da protagonista ser uma modelo, entre outros detalhes, que pouco diferenciou o filme. Apesar de interessante, tal sequência foi desnecessária e não trazia nada de novo. E após tanto sucesso, não podia-se negar que o filme teria uma terceira parte, certo? Mas o que teria de diferente nesse novo filme? Bom, o primeiro passo dos produtores de Doce Vingança 3 foi chamar a protagonista do primeiro filme para dar continuidade à história de Jennifer.

Tanto que o começo do filme relembra os eventos do primeiro, através dos sonhos de Jennifer. Atualmente, Jennifer mudou seu nome para Angela, e está vivendo em Los Angeles. É importante salientar que o roteiro fez um bom trabalho no início do filme mostrando como Jennifer foi afetada pelo estupro. Ela fica sempre na defensiva com homens e não confia mais em ninguém. Como ela diz em uma das cenas: "Todos sempre tem segundas intenções".

Bom, ela se consulta com a psicóloga Lynne (Karen Strassman, As Ruínas) quase que diariamente. Em uma das suas consultas, a psicóloga recomenda que ela comece a frequentar um grupo de apoio a pessoas que foram estupradas. Nesse grupo, há várias pessoas e uma delas é Marla (Jennifer Landon), uma mulher que fala o que pensa, levando à amizade entre as duas.


Marla, assim como Jennifer e várias outras pessoas do grupo, tem raiva dentro de si, por causa da justiça que não foi feita em seus casos de violência. Entre várias conversas entre Jennifer e Marla, vemos isso, em diálogos ácidos sobre a polícia, sociedade, etc. Num certo momento, Marla e Jennifer resolvem dar um susto no padrasto de uma jovem do grupo de apoio que a estupra, mas ninguém acredita nela. Tudo parece estar indo bem, até por que segundo a garota alguns dias depois, ele parou de abusar dela.

Mas tudo muda no momento em que Marla é assassinada pelo ex-namorado. Após uns dias de investigação, o cara sai livre das acusações. É aí que a história começa a andar conforme a franquia, e ao mesmo tempo, contra. Tendo vários motivos, Jennifer resolve fazer justiça com as próprias mãos e vai atrás do cara. Aos poucos, Jennifer começa a fazer isso com outros violentadores. Mas ao mesmo tempo em que a justiça é supostamente feita, o roteiro começa a divergir o certo do errado, criando uma dúvida em nossa cabeça: "Será que ela está fazendo justiça mesmo?".


Desde o início, achei estranho a ideia desse filme. Apesar de entender que procurava algo diferente, a premissa simplesmente não parecia um filme da franquia. Mas claro, queria ver como o roteiro se sairia. E até certo ponto do filme, acho durante uns 60 minutos de filme, ele mostra uma história muito interessante de acompanhar, apesar de algumas coisas contraditórias e umas cenas que lembram filmes de comédia. É somente nos últimos minutos que o filme perde o freio completamente e sai dos trilhos.

Quando o filme acaba e os créditos sobem, você começa a analisar o filme em geral. Eu fiz isso, e o que percebi foi que o filme simplesmente desconstrói quase tudo que o primeiro de 2010 trabalhou tanto para conseguir. Sabe, no de 2010, em todas as vezes em que Jennifer matou cada um de seus agressores, eu não tinha dúvida nenhuma de que ela estava fazendo a coisa certa. No entanto, o filme aqui em questão bagunça esse senso, simplesmente por que transforma Jennifer em uma psicopata maluca por justiça.

Entendo até o ponto de vista do roteiro. Em diversas ocasiões, a história nos apresenta motivos para ficar tão furiosos quanto os personagens. Mas nos minutos finais, quando você está completamente imerso na história e parece que ela irá a um patamar mais alto do que já estava, o roteiro vai e transforma tudo em bagunça, tirando toda a razão de Jennifer.


Apesar de não seguir a fórmula usual da franquia, o filme consegue construir um roteiro bem sólido no começo e em boa parte do segundo ato. Ele parece uma mistura de suspense e thriller, mas claro, regado a, devo dizer, um pouco sangue. Mas devo avisar que não é muito sangue. Jennifer apenas mata dois homens no filme inteiro, já que grande parte das cenas violentas do filme se passam na cabeça dela, quando ela quer controlar a raiva. Claro, essas cenas são de fazer qualquer homem chorar. Eu me contorci todo vendo, principalmente, o primeiro assassinato dela no filme. Puta-que-pariu, doeu no fundo da minha alma.

Doce Vingança 3 é um filme que é, acima de tudo, sobre consequências. Enquanto no primeiro Jennifer podia matar a vontade, já que um dos vilões era um xerife, aqui ela tem enfrentar a investigação da polícia. O filme pode trazer algumas cenas gore, mas infelizmente é bem desconstrutivo quanto à ideia da franquia. É como se não honrasse a história do primeiro filme e jogasse tudo pro ar, sabe? Com certeza não é um filme que vai agradar a todos, já que a franquia em si não agrada. Muitos dos fãs gostam dos filmes por conta da grande violência e muitas cenas de morte, mas acho que até eles irão se decepcionar. É um filme que quer fazer muito com o razoável, e acaba fazendo pouco.

por Neto Ribeiro

Título Original: I Spit on Your Grave 3
Ano: 2015
Duração: 91 minutos
Direção: R.D. Braunstein
Roteiro: Daniel Gilboy
Elenco: Sarah Butler, Jennifer Landon, Doug McKeon, Gabriel Hogan, Harley Jane Kozak, Michelle Hurd


Description: Rating: 2 out of 5