Crítica: Presos no Gelo III - O Início (2010) - Sessão do Medo

31 de outubro de 2015

Crítica: Presos no Gelo III - O Início (2010)


Depois do sucesso dos dois primeiros filmes da franquia norueguesa Fritt Vilt, lançada por aqui como Presos no Gelo, era esperado que um novo capítulo seria lançado. No entanto, a história tinha sido finalizada no ótimo Presos no Gelo II, portanto os produtores foram inteligentes em não forçar nada em mais uma continuação onde o vilão de alguma forma ressuscita e continua matando. Então, o que eles fazem? Uma prequel.

Fator utilizado também no remake O Massacre da Serra Elétrica (onde anos depois fizeram O Início), uma prequel não é tão fácil quanto aparenta. O roteirista tem que ter muito cuidado para não deixar pontas soltas, manter a história contundente e acima de tudo, manter o nível dos filmes anteriores. Infelizmente, Presos no Gelo III (que ganhou o subtítulo O Início) não consegue fazer isso.


O filme se passa cerca mais de 20 anos antes do primeiro e a cena inicial é mostrando a história do garoto, que foi levemente mencionada no primeiro também, através de umas cenas rápidas perto do final. Os pais dele o odiavam e assim o pai tentou matá-lo. Depois de ficar desaparecido, eles assumiram que o garoto havia morrido, mas ele foi resgatado por um homem que morava perto. O mesmo o convenceu a voltar no hotel e assassinar os pais.

12 anos após esses eventos, um grupo de seis amigos resolvem visitar o hotel abandonado antes que o inverno chegue, pegando carona com um policial, cujo irmão é o mesmo que resgatou o garoto, mas ninguém sabe que ele está vivo. Ao chegarem no hotel, eles desistem da ideia de passar a noite e vão acampar perto. No dia seguinte, dois deles sumiram e aos poucos eles começam a ser perseguidos por um homem encapuzado no meio dos bosques.


O principal problema dessa prequel é o seguinte: a sensação que dá ao assistir o filme é que estamos vendo algo vindo de um universo completamente diferente dos dois primeiros filmes. É como um filme independente, solto, completamente novo, sem qualquer relação com Presos no Gelo 1 e 2, por que decidiram mudar toda a personalidade, tanto da história, quanto do assassino. Além de que, é inteiramente desnecessário.

Os dois primeiros filmes dão vislumbres suficientes do assassino para que entendamos sua história, sem precisar explicar o óbvio. E vemos que, ele só matou os jovens no primeiro filme por que eles invadiram o hotel. Aqui, o assassino vira um tipo de açougueiro sanguinário, que tem um próprio quarto de tortura; um tipo de Leatherface norueguês.

O roteiro não se dá o trabalho de servir como prequel, pois o filme poderia muito bem ser uma sequência. Além de não seguir sua proposta - mostrar como o assassino virou assassino -, ele simplesmente joga um bando de jovens sendo perseguidos pela floresta por um assassino encapuzado, morrendo um a um.


E muitos perguntaram: mas e o gelo? Se eles estão "Presos no Gelo", por que não tem gelo no filme? É simplesmente um básico erro de coincidência na tradução, tal como Se Beber Não Case. O título original do filme é Fritt Vilt, que ainda não entendi porque, mas nos EUA foi lançado como Cold Prey, que significa Presa Fria - uma referência às vítimas estarem num lugar frio enquanto são perseguidas pelo assassino. Portanto, relevem um pouco esse erro do título.

Por fim, Presos no Gelo III - O Início é um filme que pode ser facilmente ignorado. Considere apenas os dois primeiros e irão conhecer uma duologia ótima de slasher. É a ovelha negra da familia.

por Neto Ribeiro


 

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