Crítica: Cujo (1983) - Sessão do Medo

17 de janeiro de 2016

Crítica: Cujo (1983)


Os anos 1980 foram uma verdadeira mina de ouro para Stephen King. Após a bem recebida adaptação de Carrie - A Estranha em 1976, muitos estúdios brigavam para adaptar as histórias de King, portanto, muitos de seus livros/contos ganharam versões cinematográficas naquela década, o verdadeiro auge, época de clássicos como O Iluminado, Colheita Maldita, The Dead Zone, Cemitério Maldito e Cujo, o filme desta análise. Apenas o conhecia de nome, mas nunca me lembrei de assisti-lo. Certo dia, quando estava vendo a série Friends, num episódio em que dois personagens estavam assistindo-o, tive o impulso de procurá-lo.

O filme é baseado no livro de mesmo nome de King, que foi lançado há muito tempo aqui no Brasil,. Hoje em dia, contudo, é difícil de achar cópias do mesmo, já que não foi relançado. Como de costume na mente de King, a história resgata um elemento do cotidiano e o transforma em algo assustador: um cão de estimação chamado Cujo que é mordido por um morcego e aos poucos vai se transformando numa fera sedenta por sangue.


Enquanto isso, conhecemos a família Trenton, os protagonistas (que para deixar claro, não são donos do Cujo como muitos pensam). Embora pareça uma família feliz, Donna (Dee Wallace) trai Vic (Daniel Hugh Kelly) com seu melhor amigo, ao mesmo tempo que a agência de publicidade que Vic trabalha sofre problemas, fazendo com que ele viaje, deixando Donna sozinha com o seu filho de quatro anos, Tad (Danny Pintauro).

Continuando, o carro deles já estava com alguns problemas, fazendo com que Donna vá até um mecânico que mora numa casa meio isolada, mas cobra mais barato. Antes, no filme, eles já tinham ido a esse mecânico, que é o dono de Cujo, um São Bernardo. Agora, não há ninguém em casa, porque eles viajaram. Foi a partir daí que o filme me surpreendeu. Como fui vê-lo quase às cegas, simplesmente assumi que o cachorro iria de alguma forma aparecer na casa da família, ter umas cenas de perseguições à lá Nas Garras do Tigre, mas a história me pegou completamente de surpresa. Para começar, Cujo aparece quando Donna e seu filho chegam na casa do mecânico e tenta atacá-los. No entanto, Donna entra dentro do carro, ficando presa e sem saída, já que a casa é afastada, e se sair do carro, sabe que o cachorro tentará atacá-la.


A partir daí, há uma transição a um daqueles survival movies, que se concentram principalmente em mostrar como personagens se viram em uma determinada situação. Passa dia e passa noite, mas Donna continua presa no carro com seu filho, o que foi uma escolha certa e bem adaptada do roteiro.

Alguns de vocês podem se perguntar: "quem é que pode ter medo de um cachorro?". Esse é outro ponto bem interessante. O filme começa com a cena que Cujo é mordido por um morcego após perseguir um coelho até uma toca. Enquanto a história dos protagonistas é desenvolvida, vemos o cachorro aos poucos se transformando. Ele vai ficar quieto e triste até ficar violento, matar posteriormente seu dono e um amigo dele. O ápice chega já no final, quando ele tenta a todo custo entrar no carro, com a aparência toda machucada e parecendo que saiu de um pesadelo.

O segundo e terceiro o ato se passam quase que inteiramente no carro (há algumas cenas em que Vic começa a ver que há algo de errado ao chegar em casa). Toda a ambientação é incrivelmente real. Enquanto os personagens enfrentam o calor e a falta d'água - com o garoto chegando a ter convulsões -, eu me senti na mesma situação deles.

Uma dica para quem for assistir, prefiram ver pela manhã/tarde do que à noite. A obra é considerada como o 58º filme mais assustador pela "Bravo", e eu não vejo razões para contestar. Cujo é tenso, bem feito e consegue colocar mais medo do que parece. O único problema considerável é a demora para decolar, mas uma vez que decola, não cai mais.

Curiosidades

• Stephen King já confirmou que escreveu o livro enquanto enfrentava seus problemas de alcoolismo, portanto não se lembra de ter escrito!

• Cinco cães da raça São Bernado foram usados para o filme, mais um cão robótico e um homem fantasiado.

• Para fazerem os cães atacarem o cão, a produção colocou os brinquedos favoritos deles dentro do veículo.

• King também considera a atuação de Dee Wallace no filme a melhor de suas adaptações, incluindo a de Kathy Bates em Misery, pela qual ganhou o Oscar.

• Danny Pintauro, que interpretou Tad, tinha apenas 6 anos na época das gravações e não sabia ler. Para decorar suas falas, ele tinha ajuda da mãe que sempre estava presente no set.

por Neto Ribeiro

Título Original: Cujo
Ano: 1983
Duração: 93 minutos
Direção: Lewis Teague
Roteiro: Don Carlos Dunaway Lauren Currier
Elenco: Dee Wallace, Daniel Hugh-Kelly, Danny Pintauro, Ed Lauter, Christopher Stone


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