Crítica: Gritos Mortais (2007) - Sessão do Medo

11 de fevereiro de 2016

Crítica: Gritos Mortais (2007)



"Cuidado com o olhar de Mary Shaw. Ela não tem filhos, bonecos só. E se com ela você sonhar, lembre-se de jamais gritar. Se ela te achar, lembre disso, é a única saída que pode te salvar: silêncio."

Muitos podem considerar o que vou dizer agora meio pretensioso ou até exagerado, mas James Wan é um dos poucos diretores de qualidade atualmente e, por enquanto, é o único que sabe a fórmula exata para provocar medo em um filme de terror. Desde que alcançou a fama dirigindo o primeiro Jogos Mortais em 2004, Wan migrou para o sobrenatural pela primeira vez em 2007, lançando Gritos Mortais (Dead Silence), uma produção que acabou sendo subestimada pela crítica e público, já que é o longa-metragem que menos arrecadou na carreira do diretor. No entanto, a carreira do cineasta chegaria ao ápice ao trazer os excelentes Sobrenatural (Insidious, 2011) e Invocação do Mal (The Conjuring, 2013), dois grandes sucessos de bilheteria.

Levando na capa uma imagem sinistra de uma marionete fazendo sinal de silêncio, Gritos Mortais é aquele típico filme que você entra numa locadora (estou voltando no tempo aqui) e bate logo os olhos nele. O pôster chama muita atenção. E digamos que a atmosfera do filme é mais ou menos essa: curiosidade e medo.


Com um começo bem chamativo, a narrativa nos mostra o jovem Jamie (Ryan Kwanten, o Jason de True Blood) com sua esposa Lisa em sua casa, quando recebem uma grande caixa. Dentro, há um boneco marionete bem esquisito. Após Jamie sair para comprar comida, sua esposa fica sozinha com o boneco. Ao voltar, como já é imaginável, ele encontra Lisa morta na cama, com a boca mutilada.

Quem vira o principal suspeito do caso? O próprio Jamie. Sem provas conclusivas para prendê-lo, o detetive Jim Lipton (Donnie Walhberg, irmão do Mark Walhberg) o manda ficar por perto. Lembrando de uma antiga lenda de sua cidade natal, Jamie resolve retornar até Ravens Fair, que agora é praticamente uma cidade fantasma, com poucos residentes, incluindo o pai dele (Bob Gunton) e sua madrasta Ella (Amber Valletta, Revenge).

Essa lenda conta a história de uma ventriloquista chamada Mary Shaw (Judith Roberts) que viveu no início do século em Ravens Fair, onde tinha um show com seu boneco principal, Billy, o mesmo que foi enviado até a casa de Jamie. Nessa época, um garoto havia sumido após enfrentá-la num espetáculo e os moradores da cidade a mataram, cortando sua língua. A lenda então consta que se você ver o espírito de Mary Shaw, não grite, ou senão ela corta sua língua.


Levando em conta que a primeira vez que vi Gritos Mortais foi antes de ver Sobrenatural e Invocação do Mal, posso dizer que agora que revi após essas duas obras, tive uma nova visão sobre o filme. Nele já podemos notar resquícios de elementos que foram posteriormente introduzidos nos trabalhos de Wan citados, como aquela trilha sonora estranha e bizarra de Sobrenatural ou até mesmo a fotografia presente tanto em Sobrenatural quanto Invocação do Mal.

No entanto o que chama mais atenção é ver que o longa-metragem é o mais explícito de Wan (se desconsiderar Jogos Mortais e levar em conta os que tem tema de espíritos). Isso por que já é notável com os outros dois filmes que o diretor gosta bastante de trabalhar com a sugestão (resultando em cenas incríveis de suspense), mas aqui é algo menos acanhado. Há violência gráfica e as mortes são cheias de sangue, coisa que não vemos nas obras posteriores de Wan.

Nessa cena se pode ver o boneco Billy de Jogos Mortais

O mais interessante é que toda a "mitologia" do filme é bem divertida de acompanhar. Em meio às cenas bem orquestradas (isso é o que Wan sabe fazer de melhor), temos aquela curiosidade de ver a vilã da história, Mary Shaw, mais e mais. Até porque só aquele poema dela (que eu coloquei no início da crítica) já cativa. Aliás, todas as suas cenas são muito bem feitas e posso chamá-las de assustadoras.

No final das contas, não considero de jeito nenhum Gritos Mortais um terror ruim, nem de longe, principalmente se for comparar com os filmes atuais. É um trabalho original e bem orquestrado que apesar de uma reviravolta no final que acho desnecessária, consegue divertir bastante.

por Neto Ribeiro

Título Original: Dead Silence
Ano: 2007
Duração: 89 minutos
Direção: James Wan
Roteiro: Leigh Whannell
Elenco: Ryan Kwanten, Amber Valletta, Donnie Wahlberg, Michael Fairman, Joan Heney, Bob Gunton, Judith Roberts, Laura Regan

4 comentários:

  1. Devo dizer q o final desse filme me deixou muito contente, com certeza dá pra notar elementos de Insidious e Conjuring, amei o plot final, fiquei boquiaberto com toda a "explicação", algo muito utilizado em Jogos Mortais, aqueles flash backs q mostram detalhes, eu adorei o filme e só concretiza q ele é um ótimo diretor, no aguardo de Conjuring 2

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  2. fimes que todo mundo morre é massa, detonando a velha estória que o bonzinho, sobrevive

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    1. Anônimo10/20/2017

      Poxa da spoiler não

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