Crítica: Halloween 6 - A Última Vingança (1995) - Sessão do Medo

14 de março de 2016

Crítica: Halloween 6 - A Última Vingança (1995)


Era anos 90 e as famosas e principais franquias de terror estavam se desgastando já que todo mundo estava de saco cheio de ver o mesmo filme toda vez. A história de Michael Myers estava parada desde 1989, quando Halloween 5 - A Vingança de Michael Myers foi lançado. A partir daí, outras franquias tentavam vender seus filmes para uma nova geração. Foi então que surgiu The Curse of Michael Myers (A Maldição de Michael Myers), que foi lançado por aqui como A Última Vingança (um titulo que acho até melhor, pra ser sincero).

O já famoso produtor da franquia Moustapha Akkad, responsável por literalmente manter as histórias de Michael Myers vivas nos anos 80 resolveu produzir A Última Vingança após Daniel Farrands, um grande fã da série, escrever um roteiro para o sexto filme e apresentá-lo a um dos produtores de Halloween 5, que ao ficar impressionado com a escrita de Farrands, arranjou uma reunião com Akkad pra discutir os detalhes. Isso tudo aconteceu em 1990, sendo que o filme passou por vários problemas legais envolvendo os direitos da franquia pra poder sair do papel, em 1995 já


O filme saiu de vez dos trilhos quando os produtores decidiram refazer o longa quase que por completo após a má-recepção de uma exibição teste, o que fez o roteiro todo se bagunçar mais ainda, além da morte de Donald Pleasence, durante as regravações.

Halloween 6 começa com uma cena confusa e bastante pretensiosa pra quem conhece a franquia: vemos uma mulher grávida que logo descobrimos ser a Jamie Lloyd dos Halloween 4 e 5, agora já adulta, sendo levada por algumas pessoas misteriosas para um tipo de seita, onde ela entre em trabalho de parto. Com a ajuda de uma das enfermeiras, ela consegue fugir junto com o bebê. Não demora muito para Michael aparecer e sair atrás dela. Algumas cenas depois, Jamie consegue esconder o bebê numa rodoviária mas acaba sendo morta por Michael em seguida, que acaba não achando a criança. O filme então nos apresenta os novos personagens que irão comandar a história - além do Dr. Loomis (Donald Pleasence), que volta para combater Michael.

Temos agora já crescido o Tommy Doyle (interpretado aqui por Paul Rudd em começo de carreira), o garoto que Laurie Strode cuidou na noite em que foi atacada por Michael no primeiro Halloween. Ele cresceu desconfiado de tudo e já se preparava para o retorno de Michael. Na casa de Myers vivem os parentes de Laurie, incluindo Kara (Marianne Hagan) e seu filho Danny. Eles três, junto com Dr Loomis, irão ser os principais personagens do filme.

Voltando ao bebê, quem encontra ele é Tommy, que ouviu Jamie falando no rádio antes de morrer. Ele tenta levar a criança ao hospital, mas não consegue e acaba levando-o para casa. Por conta disso, no dia de Halloween (que coincidência), Michael vai atrás deles, tentando recuperar o bebê. Em meio a toda essa cachorrada, ainda há a seita druida, que é relacionada a Michael, mas ninguém sabe por que. Nem vai saber, por que a história fica tão bagunçada que nada é explicado.

Como já falei e refalei, a burrada principal do roteiro é tentar criar uma mitologia para Michael Myers, como se ele fosse controlado por uma seita druida! Se teve gente que ficou incomodada com Rob Zombie querendo fazer uma história background pro Michael no remake de 2007, é por que não assistiu esse aqui. Se o que fazia do Michael uma figura a se temer é que ele era o mal em pessoa.


O que me deixa mais chateado em relação a esse filme é que ele realmente tinha nas mãos a chance de ser um dos melhores da franquia. Tirando todo o plot da seita, é perceptível que a história tinha tiradas boas. Você pode perceber isso vendo algumas cenas do longa, que são muito bem feitas. Exemplos: a cena em que Kara tá tentando entrar na casa de Tommy enquanto Michael anda em direção a ela, uma clara referência àquela cena do filme original em que ocorre o mesmo com Laurie; a cena do hospital em que Kara, Tommy e Danny estão tentando se esconder de Michael, enquanto ele anda pelos corredores; entre outras.

Além dessas cenas, outra coisa que o filme acertou foi nas mortes. Algumas são bem violentas, outras são mais estilosas (vide que tais são off-screen). Mas no geral, elas foram a melhor coisa do filme. Também curti a trilha sonora. Parece que eles pegaram os instrumentais do original e deram uma repaginada com toques de rock, o que em algumas cenas deram um toque diferente.

Por pouco, A Última Vingança não acabou a franquia. Três anos depois veio o ótimo H20, mostrando que a história ainda tinha dignidade e repaginou tudo. Apesar de que em 2002, Ressurreição veio e quase fez a mesma coisa que o filme aqui em questão. Para resumir, esse não é um filme que na minha opinião não merece tanto ódio. Há algumas coisas que podem ser aproveitadas, apesar dos apesares. 
por Neto Ribeiro

Título Original: Halloween 6 - The Curse of Michael Myers
Ano: 1995
Duração: 88 minutos
Direção: Joe Chappelle
Roteiro: Daniel Farrands
Elenco: Donald Pleasence, Paul Rudd, Marianne Hagan, Mitch Ryan


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