Crítica: A Bruxa de Blair (1999) - Sessão do Medo

28 de abril de 2016

Crítica: A Bruxa de Blair (1999)

Mais conhecido como o principal precursor do found footage no cinema atual, A Bruxa de Blair é um filme cuja reputação já o precede. No entanto, vou logo reforçar que ele não foi o primeiro a utilizar tão técnica para deixar as coisas mais realistas. Antes dele, houve o famigerado Cannibal Holocaust, em 1980, ou até o não tão conhecido mas bem parecido The Last Broadcast (1998), lançado um ano antes do filme aqui em questão. No entanto, o gênero veio a ficar mais famoso depois de 1999 e pegou o jeito de vez após Atividade Paranormal, em 2007.

Tendo consciência disso e vendo que atualmente o gênero já está totalmente esgotado, é meio difícil ver alguém que o assiste pela primeira vez nos dias de hoje e realmente gostar. Isso por que, todos os filmes que vieram depois de A Bruxa de Blair pegaram todos os elementos dele e usaram ao extremo. Nada mais surpreende, bem dizer.

Mas imagine de volta em 1999. A internet tava começando a se popularizar. Um filme aparece por aí, prometendo mostrar arquivos achados em uma câmera que pertencia a três jovens desaparecidos. Para aumentar o mistério, uma grande campanha na internet, com o perfil dos personagens, cartazes de "Desaparecidos", etc, começa a viralizar. E lembrem-se que técnicas como essa não era utilizadas naquela época, então tudo era a primeira vez. E as pessoas lotavam as salas de cinema achando que veria algo real. Até a produção da lenda da famosa Bruxa do título foi bem feita, apesar de um pouco vaga e confusa no filme, devido à tantos detalhes.

Para ajudar nisso, a dupla Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, que comandaram o filme além de assinarem o roteiro, contratou apenas atores desconhecidos, em começo de carreira. Como parte do contrato, os atores também ficaram "fora do radar", para dar mais credibilidade à história. Tudo foi bem planejado e saiu como desejado. Geral acreditava na lenda da bruxa e no desaparecimento dos jovens, que segundo a história, haviam desaparecido em 1994.

Tudo se desenrola após estudantes universitários acharem uma bolsa contendo câmeras, fitas, cadernos e outras coisas enterrados, em 1995. Os objetos pertencem à Heather Donahue, Michael "Mike" C. Williams e Joshua "Josh" Leonard. Notem que eles mantiveram os nomes dos atores, para o bem da "lenda". Os três estavam fazendo um documentário sobre a lenda da Bruxa de Blair, originária da cidade de Burkittsville (que se chamava Blair nos séculos passados).

Tal lenda começa no século 17, onde uma mulher chamada Elly Kedward foi acusada de bruxaria na cidade de Blair, após algumas crianças contar que ela as levava para sua casa, fazer "coisas". Ela é banida e presume-se que ela está morta, devido a um rigoroso inverno. Um tempinho depois, os acusadores de Elly e metade das crianças da cidade desaparecem.

Os famosos bonecos de bruxaria.

No século seguinte, a cidade de Burkittsville é fundada onde ficava Blair. Algumas crianças começam a desaparecer. Tudo fica pior quanto um grupo de procurava uma das crianças desaparece, mas logo são achados desmembrados numa grande pedra chamada "Pedra do Caixão". 

Em 1940, 7 crianças desaparecem da área ao redor a cidadezinha e um homem chamado Rustin Parr se entrega a polícia, um ano depois. Em sua casa, os corpos desmembrados das crianças são encontrados. Segundo relatos, ele tinha um tipo de "ritual" durante o assassinato. Enquanto ele matava uma criança, ele deixava as outras de costas para a parede. Quando terminava, pegava a próxima e por aí vai. Em seu depoimento, ele revela que fez isso para "uma moça fantasma que sempre aparecia perto de sua casa." 

Intrigante, certo? É sobre essa história que o trio planejava fazer o documentário. Para isso, eles foram até a cidade de Burkittsville, para entrevistar os moradores. Em seguida, eles foram até a "Pedra do Caixão", para gravar algumas cenas, onde Heather, que servia como narradora do projeto, explicaria um pouco da lenda. No entanto, nunca mais voltaram. O que aconteceu com os jovens, ou pelo menos parte disso, foi explicado ao acharem as fitas.

A infame cena do desabafo de Heather

Nelas, vemos que eles se perderam e passaram dias na floresta. À noite, quando acampavam, ouviam barulhos lá fora e presumiam que eram moradores da cidade, insatisfeitos pela presença dos jovens. No entanto, Josh desaparece sem deixar vestígios. No último dia de filmagens na fita, Heather encontra uma trouxa jogada na frente da tenda, onde ela descobre um pano cheio de sangue, junto de alguns dentes e um pedaço de língua. Para não piorar a situação, ela não diz nada à Michael.

No entanto, à noite, enquanto estão dormindo, os dois escutam gritos, que parecem ser de Josh. Saindo na escuridão com suas câmeras, eles são levados até uma casa em ruínas. Lá, continuam ouvindo os gritos. O desespero é instalado, enquanto Heather e Michael procuram pela casa abandonada. Michael vai até o porão do lugar, deixando Heather para trás. Aos gritos, ela desce e encontra Michael encostado de costas para a parede. Com um batido, a câmera é derrubada e o filme chega ao fim.

Primeiro, A Bruxa de Blair é um filme que trabalha muito com a técnica da sugestão, que ao invés de mostrar alguma coisa e dá um susto idiota, tenta construir um suspense em volta dos detalhes. Por conta disso, pode-se faltar uma pequena coisinha que com certeza mudará a opinião de todos: diversão. A experiência é mais algo sobre sentidos, apreensão, tem todo aquele clima sabe?

Alguns detalhes da história aumentam toda a atmosfera do filme, como por exemplo, a simbologia. Aqueles galhos enfeitados que os personagens acham, como se fossem bonecos, na floresta inteira, é algo bem interessante, apesar de não muito explicado. Outro detalhe é os montes de pedras que eles acham cuidadosamente empilhados.

Como falado, tudo está nas entrelinhas. Imagino naquela época, quando a sequência Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras foi anunciada. Apesar de acrescentar algumas coisas à mitologia da história, o filme não é uma continuação do primeiro e usa o método da metalinguagem, onde os personagens assistiram ao filme original, mas num contexto em que o trio continua desaparecido. Daí, o novo grupo vão se aventurar na floresta mostrada no longa. O filme é considerado por muitos péssimo e até reconheço isso, mas talvez seja válido o bastante para uma conferida. Só tem uma coisa, o filme não tem nenhum sentido nem razão pra existir.

Para a surpresa de todos, em 2016 foi lançada uma sequência oficial chamada Bruxa de Blair (sem o "A"), mostrando o irmão de Heather adentrando as matas de Black Hills atrás da irmã desaparecida. É um filme mais explícito, comercial e que acabou mostrando demais (tem até a bruxa!!!). No entanto, ele explica algumas coisas do primeiro filme e explora novos conceitos. Temos duas críticas sobre ele no blog (aqui e aqui).

Recomendo os dois filmes a você, se achou tudo interessante. That's it, bye.

Ps: Desculpem pelo texto gigante, me empolguei um pouco, rs.
por Neto Ribeiro

Título Original: The Blair Witch Project
Ano: 1999
Duração: 81 minutos
Direção: Daniel Myrick, Eduardo Sánchez
Roteiro: Daniel Myrick, Eduardo Sánchez
Elenco: Heather Donahue, Joshua Leonard, Michael C. Williams



Description: Rating: 5 out of 5

Um comentário:

  1. Lembro que vi o documentário na época. Passou na tv por assinatura aqui, mas ainda não era tão popular. Eu, bobo, na época acreditei direitinho e fui assistir o filme com a certeza de que era tudo verdade!

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