Crítica: Venom (2005) - Sessão do Medo

31 de maio de 2016

Crítica: Venom (2005)


Lançado em 2005 com direção de Jim Gillespie (Eu Sei o que Vocês Fizeram no Versão Passado) e produção de Kevin Williamson (roteirista da trilogia Pânico), Venom é uma tentativa - frustrada - de trazer o estilo de slashers dos anos 80 de volta à tona, algo que não aconteceu já que mesmo com suas qualidades o filme repete os mesmos erros dos slashers posteriores a Pânico e Eu Sei o que Vocês Fizeram no Versão Passado, com rostinhos bonitos de atores inexpressivos e uma trama previsível pelo excesso de clichês. Falando assim, parece que nada se salva no filme, mas não é por ai, o filme tem boas ideias e boas cenas, mas fica muito aquém do que poderia de fato ser: um retorno aos anos 80. A ideia inicial de Kevin Williamson era criar um novo ícone do terror, no estilo Jason ou Michael Myers, o que também foi uma tentativa frustrada que poderia ter dado certo se os erros fossem reparados. Toda a ideia de um caminhoneiro morto-vivo assassino ressuscitado por magia negra é interessante e poderia render fácil uma franquia de filmes nas mãos certas, mas isso não aconteceu.

O filme segue um grupo de jovens em uma cidadezinha de Luisiana, cercado por florestas e pântanos, tal grupo é formado por Eden (Agnes Bruckner, conhecida no terror por vários papéis em filmes do gênero), o namorado dela Eric (Jonathan Jackson), a melhor amiga Rachel (Laura Ramsey, de O Pacto e As Ruínas), Tammy (Bijou Phillips, conhecida por papéis em O Albergue 2 e o remake de It's Alive) que só aparece em cena pra ser irritante e gritar, amiga dela Patty (Davetta Sherwood) também bem irrelevante no enredo, Sean (D.J. Cotrona), que logo no começo descobrimos que é filho bastardo do caminhoneiro Ray (Rick Cramer), que mais tarde será a grande ameaça do filme. Temos também Cece (Meagan Good, outro rosto conhecido no gênero), neta de uma praticante de magia negra da região que faz rituais para tirar espíritos maus do corpo das pessoas, usando cobras para extrair tais espíritos.

Certa noite ela está carregando uma mala cheia dessas cobras em seu carro e por uma coincidência que só acontece em filme, ela sofre uma acidente na mesma ponte em que estavam Eden, Eric e o caminhoneiro Ray ao mesmo tempo. O carro fica suspenso na ponte e o trio tenta ajudar. Ray entra no carro e consegue salvar a avó de Cece. Mesmo salva do lado de fora do carro ela pede desesperada para que ele pegue a mala no banco traseiro do carro. Um carro suspenso perto de cair no lago. O quê Ray faz? A coisa mais idiota que alguém poderia fazer, ele entra no carro pra pegar a mala e o esperado acontece: o carro cai no lago após ele abrir a mala e ser picado por várias cobras que se enrolam em seu corpo enquanto o carro afunda no lago, matando Ray afogado. A avó de Cece também morre devido ao acidente na ponte (algo que nem ao menos é explicado, em uma cena ela está viva, corta para a ambulância chegando ao local e levando o corpo).

Acaba que Cece é a unica que sabe o que havia na mala e o que poderia acontecer com que tivesse contato com a mesma. Dias passam e Ray volta dos mortos possuído pelos espíritos que haviam na mala, matando qualquer pessoa que entra em seu caminho de forma aleatória e implacável. Cece recorre a magia negra para tentar salvar o restante do grupo.

Eden e Ray, a mocinha e o assassino, antes do jogo de gato e rato.
Em resumo: a ideia de Venom é boa, mas infelizmente o filme não sai do lugar comum. O destaque fica só por conta de cenas envolvendo magia negra - algo que é ignorado da metade pro final - e uma morte criativa envolvendo um empalamento em uma árvore, sem contar o assassino que é promissor e poderia sim ter rendido uma franquia.

O uso de CGI em cenas que não haviam necessidade também incomodam um pouco. Cobras digitais nem um pouco realistas e uma cena envolvendo uma corrente sendo atirado no pescoço de um dos personagens que mais tarde é puxado pela janela com a mesma. Vi o filme em 2005 e revi esse ano pra resenhar aqui no Blog e posso dizer, mesmo que 11 anos seja pouco tempo, o filme envelheceu um pouco, exatamente pelo uso de CGI nessas cenas que eu mencionei.  O CGI ficou datado e as cenas envolvendo as cobras parecem ter saído de alguma produção do SyFy Channel. Os efeitos práticos de maquiagem se mantiveram bem, cortesia do Patrick Tatopoulos que trabalhou em boas produções de Hollywood, incluindo o clássico Drácula de Bram Stoker (1992).

Venom merece uma conferida, não é inovador, nem é tão bom quanto poderia ser, mas é um filme divertido se for ver de forma despretensiosa como vários slashers lançados nos últimos anos.


3 comentários:

  1. Parabéns pela ótima análise, realmente o filme poderia ter ido muito além do que foi, e ter se tornado um filme memorável. Gostaria de saber se vocês aceitam novos colaboradores para o blog.

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    1. Por enquanto não, Lisvaldo.

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  2. Entendo! De qualquer forma gostaria de parabenizar à todos pelo ótimo conteúdo disponibilizado aqui no blog. Estarei sempre visitando e comentando sobre o que gostei ou não.

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