Crítica: A Casa do Diabo (2009) - Sessão do Medo

25 de junho de 2016

Crítica: A Casa do Diabo (2009)

Converse pelo telefone. Termine seu dever de casa. Veja TV. Morra.

Muitos podem não conhecê-lo pelo nome, mas Ti West já vem reservando seu lugarzinho no gênero do terror independente há um bom tempo. No entanto, para alguns que o conhece, ele pode ser um motivo de fuga. Isso por que seus filmes são conhecidos por serem mais lentos que o normal. Apesar disso, o cara é bem caprichado e dirigiu filmes como esse aqui, Hotel da Morte (2011), um dos segmentos do primeiro V/H/S (2012) e também The Sacrament (2013). Apesar disso, o cara também tem no currículo o péssimo trash Cabana do Inferno 2 (2009), mas todo mundo tem uma sujeirinha para jogar para debaixo do tapete.

O filme que realmente o catapultou para os holofotes foi o The House of the Devil, ou A Casa do Diabo. Ele serve de releitura e homenagem aos filmes dos anos 70, pré-slashers, onde grande parte das produções continham elementos satânicos, junto com muito sangue e suspense. Como se a história não bastasse, a produção investe muito no visual, o que faz com que ele seja facilmente confundido com um filme daquela época!


Trilha sonora datada; filmagens realizada com uma câmera 16mm, mesma câmera usada para as filmagens de O Massacre da Serra Elétrica (1974); por conseguinte, a fotografia é saturada para que a imagem pareça com algo dos anos 70; a edição manda bem também nesses quesitos; o figurino e maquiagem; e até a própria protagonista Jocelin Donahue parece ter saído dos anos 70 apenas para fazer o filme, sendo que ela lembra bastante a Margot Kidder em várias cenas!

Agora vamos para a história: Ela é bem comum, ainda mais hoje em dia. Nos anos 80, acompanhamos uma jovem, Samantha Hughes, interpretada por Jocelin Donahue (do inédito Summer Camp) que para pagar o seu novo apartamento, resolve se candidatar para trabalhar de babá para os Ulman, um casal que possuem uma grande mansão afastada de tudo. Chegando no local, Samantha descobre que ela terá que apenas ficar na casa enquanto a mãe da sra. Ulman dorme no quarto no andar de cima. Apesar de estranhar, ela não recusa após o sr. Ulman adicionar mais dinheiro ao pagamento.

A noite começa normal e essa parte do filme é bem lenta. O que dá uma agitada às coisas é quando, numa cena rápida, vemos a amiga de Sam, Megan (Greta Gerwig antes de virar atriz urban conceitual) sendo brutalmente assassinada por um estranho após a mesma ter ido dar uma carona para ela até a casa. No fundo Samantha sabe que há algo errado e vai percebendo que ela pode estar em perigo.

No final das contas, os donos da casa fazem parte de um culto satânico que faria um sacrifício naquela noite, pelo fato de um eclipse estar acontecendo. E Samantha era a vítima escolhida para o ritual!


Como já falei, o ponto alto do longa é o visual sofisticado e ao mesmo tempo retrô, sabendo exatamente reproduzir o clima dos anos 70/80. No entanto, o suspense não fica por trás. Com a ajuda do visual "velho", The House of the Devil deixa a pessoa desconfortável e ao mesmo tempo tenso, procurando saber como é que a história vai acabar.

Quando chegamos no final, o filme tira o pé do freio e vira um verdadeiro banho de sangue, com entranhas, miolos, sangue explodindo por todos os lados. Aliás, é uma sequência muito interessante de acompanhar. No entanto, uma coisa que incomoda é que tudo acontece muito rápido. Enquanto o longa demorou para mostrar para o que veio, acabou passando o clímax um pouco depressa, o que tira a sensação de satisfação completa.

De uma forma geral, A Casa do Diabo remete muito à O Bebê de Rosemary (1968), clássico que também trabalha com elementos satânicos e uma protagonista inocente. Todo o desenvolvimento pode se tornar cansativo para alguns, no entanto o projeto inteiro é uma carta de amor aos filmes de terror das décadas passadas!

por Neto Ribeiro

Título Original: The House of the Devil
Ano: 2009
Duração: 95 minutos
Direção: Ti West
Roteiro: Ti West
Elenco: Jocelin Donahue, Tom Noonan, Mary Woronov, Greta Gerwig, A.J. Bowen, Dee Wallace


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