Crítica: Exorcista - O Início (2004) - Sessão do Medo

8 de junho de 2016

Crítica: Exorcista - O Início (2004)

AVISO: O post contém alguns spoilers do filme.
O que esperar de um projeto de promete contar os eventos prévios a um dos filmes mais impactantes e importantes da história do cinema de horror? Prequels (pré-sequências) não são algo raro hoje em dia, mas uma das primeiras a lançar a moda foi Exorcista - O Início, que tinha o árduo trabalho de honrar o filme que carregava o nome, O Exorcista, clássico absoluto do gênero lançado em 1973, baseado num livro de William Peter Blatty.

Antes dela, tivemos o ótimo Amityville II - A Possessão (1982), mas a ideia de mostrar uma parte implícita de uma história só pegou mesmo após 2004, já que tivemos depois O Massacre da Serra Elétrica - O Início (2006), O Enigma de Outro Mundo (2011), entre outros...

Portanto, uma prequel tem o dobro de esforço de uma sequência ou remake, isso por que, tem que se ter um cuidado maior, já que estamos complementando uma história já formada. Não se pode ter buracos na narrativa pra não prejudicar a storyline, certo?


No entanto, Exorcista - O Início não procura se conectar com O Exorcista tanto assim. Seu propósito é apenas contar como o Padre Merrin (interpretado em 73 por Max Von Sydow) se encontrou com o demônio Pazuzu antes dele possuir Regan MacNeil (Linda Blair). Por isso, vemos uma história diferente, interessante e nova, mas que não faz tanto juz ao nome que carrega. Sinceramente, não considero um filme ruim, mas seria melhor se tivesse sido lançado como um filme original, sem ser ligado à franquia. Talvez, a recepção não tivesse sido meio decepcionante, semelhante à Rua Cloverfield 10 (2016) e seu parente Cloverfield (2008).

É até interessante ver que pra que fosse concluído, o filme teve vários problemas de produção. Na verdade a primeira versão dele foi concluída mas descartada pela Warner Bros. O filme foi refeito e lançado. Quando viu que não fez tanto sucesso, a distribuidora então pegou a versão descartada e lançou como Domínio - Prequela de O Exorcista em 2005, acreditam? Falo até um pouco sobre ela mais a frente.


Em ambas as versões, a premissa é a mesma. O ex-padre e arqueologista  Merrin (interpretado por Stellan Skarsgard) é contratado para supervisionar uma escavação de uma igreja cristã encontrada subterrada na África. O Vaticano manda também o padre Francis (James D'Arcy) para ajudar. Ao chegar lá, ele descobre que a igreja foi construída pouco tempo depois da morte de Cristo. Mas estranhamente, a igreja é projetada para baixo e não para cima (como maioria das igrejas são construídas, apontando para o céu).

Para completar, ele acha um terreno subterrâneo embaixo da igreja, onde fica um templo pagão dedicado a ninguém mais ninguém menos que Pazuzu, o demônio que possui Regan em O Exorcista. No vilarejo próximo à Igreja, coisas estranhas começam a acontecer: mortes bizarras, desaparecimentos e um garoto que aparenta estar possuído são só algumas delas.

O mais interessante é que, em 80% da produção, ele tem uma história original e não-convencional, o que provavelmente fez muitas pessoas o acharem chato. Isso por si só já é uma grande qualidade, então não se pode tirar o mérito dele. Enquanto vai chegando no final, o filme vai se tornando um pouco mais comercial, sendo essa a principal razão de terem colocado a possuída à lá Reagan no desfecho final - detalhe que o roteiro inicial não tinha isso. Até por que, pra chamar atenção em um filme que leva o nome d'O Exorcista no título, muita gente esperava ver pelo menos umas cabeças girando 360º graus, certo?

Padre Merrin e a estátua do Pazuzu
O que tira o impacto dos últimos 20 minutos é simplesmente o uso porco do CGI mal feito. Algumas ideias são boas, como a cena em que Sarah está em cima do grande crucifixo e gira a coluna de um jeito impossível pra pessoas não-possuídas. Mas o CGI é tão mal feito que perde muita credibilidade.

O resultado disso tudo foi um filme pessimamente recebido, apesar de que na minha opinião grande parte desse ódio tenha sido puro preconceito, mas é aquele ditado né... Com a má recepção e a bilheteria abaixo do esperado, a Warner Bros teve a "genial" ideia de pegar aquela versão descartada que eu mencionei antes e dar ao diretor dela, Paul Schrader, cerca de 30 milhões (fora os 50 usados para O Início) para terminar o filme.

Em 2005 foi lançado em circuito limitado Dominion - A Prequel to The Exorcist, que contava com a versão inicial da história. No entanto, o filme não pôde ter uma pós-produção completa e parecia apenas uma versão workprint do longa, com efeitos não finalizados e com uma trilha sonora deslocada. Muitos consideram Dominion uma versão um pouco melhor do que O Início, mas não compartilho desse pensamento.

O negócio de Exorcista - O Início é que, diferente de seu originário, ele não dá medo. Pelo contrário, a história dele nem procura muito desenvolver tal quesito. Mas não é por isso que o filme seja ruim. É interessante, cheio de simbolismo e apesar de forçar a barra algumas vezes (tipo o fato da igreja aparentemente ter sido o lugar onde Lúcifer caiu quando foi expulso do céu), é um filme que fica na média.
por Neto Ribeiro

Título Original: Exorcist - The Beginning
Ano: 2004
Duração: 113 min 
Direção: Renny Harlin
Roteiro: Alexi Hawley
ElencoStellan Skarsgård, Izabella Scorupco, James D'Arcy, Ralph Brown, Julian Wadham, Andrew French, Ben Cross


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