Crítica: Invocação do Mal 2 (2016) - Sessão do Medo

14 de junho de 2016

Crítica: Invocação do Mal 2 (2016)


Enfim a sequência de um dos melhores filmes de terror do século XXI, está nos cinemas. E o que dizer sobre ele?

O primeiro filme, lançado em 2013, foi um sucesso estrondoso, baseado em fatos reais, ele conseguiu assustar o público de uma forma que poucos filmes haviam feito até então. Para você ter uma ideia, ele teve um orçamento de 20 milhões de dólares, e arrecadou cerca de 318 milhões de dólares... É claro que com tamanho sucesso, uma sequência era algo muito provável. Aliás, uma curiosidade do filme é que essa parte 2 já estava nos planos antes mesmo do lançamento do primeiro filme, isso é algo pouco comum para filmes do gênero.

Enfim, em 2016,  “The Conjuring 2” ou “Invocação do Mal 2”, foi lançado, os fãs do gênero estavam loucos para ver esse filme, na verdade, as expectativas eram tão grandes quanto a premissa que ele tinha anexada ao sucesso do filme original. 

Particularmente eu adquiri raiva do primeiro Invocação, era tanta gente falando dele que parecia que o "The Conjuring" era o único filme de terror existente no mundo. Eu compreendo que é um longa metragem de qualidade e que fez o que pouquíssimos filmes conseguem fazer, assustar... Mas, cheguei a um ponto em que não conseguia mais ouvir falar em Invocação do Mal, eram muitos comentários como: "Você já viu o Invocação do Mal?", "invocação do Mal é o melhor filme de terror de todos os tempos", "Assistindo Invocação pela milésima vez", e se fosse só isso, tudo bem, mas são 30, 40 pessoas falando a mesma coisa, aí enjoa mesmo. Por conta disso, adquiri uma repulsa ao filme e por essa razão, a crítica que vos apresento não é feito por um fã da franquia.

A sequência volta a ser dirigida pelo James Wan, esse cara com certeza se eternizou como uma das maiores referências nos filmes de terror, ele é responsável por: “Jogos Mortais”, “Gritos Mortais”, “Sobrenatural”, e claro, “Invocação do Mal”.... No elenco estão os talentosíssimos Patrick Wilson e Vera Farmiga interpretando mais uma vez o casal Warren que dessa vez partem para um caso na Inglaterra.
Assim como o original, essa segunda parte também é baseada em fatos reais, dessa vez, num dos casos paranormais mais documentados da história... ‘O Caso do Poltergeist de Enfield’ ocorrido em 1977... Eu adoro ler sobre essas coisas, e quando soube que essa história seria a inspiração para 'The Conjuring 2', foi tipo um “uau” para mim, eu precisava ver isso no cinema.
Além desse caso, o filme abordou um pouco (mais ou menos da mesma forma em que a Annabelle fora mostrada no primeiro), a famosa história da casa de Amityville... Temos artigos tanto do caso de Amityville quanto do caso do Poltergeist em Enfield, você pode saber mais sobre eles aqui embaixo.

Amityville: A Mansão do Diabo

A Verdadeira História do Caso do Poltergeist em Enfield. 
Voltando ao Invocação 2, o filme viaja para o ano de 1976/1977, e segue a história de uma família composta pela matriarca, Peggy Hodgson e seus quatro filhos: Janet, Margaret, Johnny e Billy. Essa família começa a ser atormentada pelo espírito do ultimo morador da casa. Se fosse só isso, seria fácil demais.... No entanto, de alguma forma, o espírito tem muita influência sobre Janet que passa a sofrer a fúria dessa entidade. Enquanto isso, Lorraine tem os seus próprios demônios a atormentando... E uma visão faz ela pedir para o seu marido e ela pararem de investigar esses casos sobrenaturais que os tornaram famosos.
Demora um pouco para que os Warren se envolvam no caso de Enfield, a priori, nós somos apresentados a família Hodgson que lentamente vai percebendo a presença de uma entidade na casa até que ela toma proporções enormes.
Eu gostei muito da forma de como eles usaram a mídia para falar sobre o caso do poltergeist em Enfield, afinal, a história tinha que chegar de alguma forma até os Warren que estavam do outro lado do Atlântico norte nos Estados Unidos. Além disso, ocorre uma quebra de clichê muito interessante durante esse primeiro momento. Todo mundo que entrava na casa, via algum fenômeno sobrenatural como o caso da polícia que vai atender ao chamado de Peggy que alegava que tinha alguém na casa e dos jornalistas que  foram entrevistar a família depois de ouvir relatos de testemunhas. 
Eu não poderia deixar de comentar um ponto muito interessante e importante para a historia, a questão da farsa. Veja bem, todos esses casos sobrenaturais (incluindo os casos de Amityville com a família Lutz e de Enfield) tem uma versão 'farsante', e 'Invocação 2' dá espaço na medida certa para que isso seja desenvolvido na trama. Podemos ver isso em questões como: A casa ser extremamente velha e a Peggy pedir uma moradia nova para o governo britânico alegando que a sua residência atual era assombrada. Pela personagem Anita Gregory (personagem de Franka Potente) que permanece cética quanto aos fenômenos paranormais e tenta a todo o custo provar que tudo não passa de uma armação de Peggy e de sua filha, Janet. E até mesmo por um vídeo gravado onde um suposto poltergeist que destruiu um cômodo da casa era, na verdade, Janet agindo.

A terceira parte do filme realmente foca num terror ágil e agoniante. Em determinado momento a câmera muda e nós passamos a ver o que um dos personagens vê, nessa hora a gente fica pensando que a qualquer momento, algo vai aparecer e vai lhe dar aquele susto de pular da poltrona. Alias, o filme tem ótimas cenas de  jumpscare (é aquele susto repentino, tipo, você está numa boa e de repente vem aquela monstro horrível com aquele barulho enorme que faz você pular), em quase todos eu me assustei pesado, os únicos que não pulei da cadeira, foi porque já tinha visto no trailer e já esperava por aquilo, mas é muito bom ver que Wan consegue nos assustar em momentos totalmente inesperados, a cada susto, era um sorriso no rosto. O confronto final pode dividir opiniões, alguns vão achar fraco, outros vão achar ótimo. Eu achei aceitável e bem conclusivo, ou seja, tem começo, meio e fim, algo que geralmente os filmes de terror evitam.

A fotografia do filme é propositalmente escura, em alguns momentos nós chegamos a pensar que alguma coisa vai pular de um canto escuro sendo que bem do lado têm raios solares entrando por uma janela. As técnicas de filmagens são interessantes, e olha que existem várias aqui. Em certos momentos a câmera fica atrás dos personagens dando a entender que alguma coisa está atrás deles, em outro momento nós temos uma visão em primeira pessoa que nos deixa muito apreensivos. Temos câmeras que dão giros de 180 graus em um cômodo, e você fica com medo dela dar de cara com algo assustador... E por aí vai.

E é claro que eu não poderia deixar de falar da estrela da vez, Madison Wolfe, que interpreta a Janet... Essa menina sofre muito e, pelo menos eu, fiquei triste pelo que acontecia com ela, tipo, eu peguei empatia pela garota. A Madison faz um trabalho brilhante que vai além de ter medo e gritar. 


Na verdade, todos os personagens tem o seu momento de destaque no longa, os Warren conseguem desenvolver a relação entre eles de uma forma muito maior do que a vista no primeiro filme, Patrick Wilson tem mais conteúdo para trabalhar, Vera Formiga está mais a vontade com a sua personagem. Isso tudo conta pontos para o filme.

No entanto, nem tudo são flores. Eu preciso dizer que "menos, é mais"... E infelizmente, em determinados momentos, o filme usa o CGI para tentar assustar, mas acaba se tornando algo artificial demais e o medo que a cena deveria dar, se transforma em apenas uma cena bizarra mau feita. Para dar uma sensação mais realista e assustadora, eles podiam ter escalado um ator com aquele físico característico, seria muito melhor. 

Alguns pontos do filme como a ligação da assombração dos Warren com o caso da família Hodgson, ficam subtendidas, e você precisa ligar os pontos para fazer sentido. Não estou falando de furo no roteiro... Acontece que simplesmente não tem ninguém no filme que explique o acontecido do tipo: "Isso aconteceu porque você fez isso e gerou aquilo..." (O que é muito bom). Então você precisa ter atenção para entender as conexões (Não fazer piadas, não conversar, não ficar ligando o celular durante o filme), e se não fizer isso... A ligação dos Warren com o caso do Poltergeist de Enfield, pode ficar confusa. E se você faz isso... Feio, muito feio, menino mau. 

O filme é grande, tem um pouco mais de duas horas e mesmo assim eu queria ter visto mais casos da Janet, como o fato dela simplesmente saltar da cama enquanto estava dormindo, ou o fato dela praticamente flutuar em cima de uma mesa, se segurando apenas com uma mão (fatos documentados na história real). 

No geral, Invocação do Mal 2, é um ótimo filme, está bem ali pertinho do primeiro no quesito qualidade, é sem duvidas melhor que o 'Annabelle'. O filme não é original, tem cenas clichês como o garoto que resolve ir atrás de um barulho para saber o que está acontecendo e aquele momento que você sabe que vai acontecer algo assustador, mas a película soube usar o clichê a favor dele, em muitas cenas você fica realmente tenso... E esse cuidado não torna o filme 'mais do mesmo'. Ah sim, o filme tem algumas sacadas bem legais que no final formam um todo nos dando um reviravolta interessante.

E para terminar, digo que esse longa é uma boa pedida para amantes de filmes de terror, eu que como disse antes, adoro pesquisar sobre esses casos reais, ao ver o filme, pude dizer várias vezes: "Eu li sobre isso, aconteceu de verdade"... "Essa cena representa uma foto tirada pelos Warren na história de verdade...", então a minha interação com o filme foi muito divertida e proveitosa. É um caso raro onde uma sequência está a altura ou próximo da qualidade do original (para mim, superou). E que se vier "Invocação do Mal 3", que ele seja feito com cuidado e com muito carinho, pois o público está ficando mais exigente e um filme com uma qualidade menor que 'Invocação do Mal 1 e 2', é inaceitável, nota: 9,0.

Uma curiosidade sobre a produção do filme é que um padre foi chamado para abençoar o set de filmagem antes mesmo das gravações começarem, só por precaução. 

Outra curiosidade é que algumas fontes confirmaram que o diretor James Wan recebeu uma oferta "que poderia mudar sua vida" para dirigir o próximo 'Velozes e Furiosos' (o oitavo, no caso), após ele ter dirigido, com sucesso, "Velozes e Furiosos 7". No entanto, ele recusou por amor à série de terror. No mais, é isso. Até a próxima, pessoal.
Titulo original: The Conjuring 2
Ano: 2016.
Duração: 133 Minutos.
País: Estados Unidos.
Diretor: James Wan.
Elenco: Patrick Wilson (Ed Warren), Vera Farmiga (Lorraine Warren), Madison Wolfe (Janet Hodgson), Frances O'Connor (Peggy Hodgson), Lauren Esposito (Margaret Hodgson), Benjamin Haigh (Billy Hodgson), Patrick McAuley (Johnny Hodgson).

Sinopse: Sete anos após os eventos de Invocação do Mal (2013), Lorraine (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson) desembarcam na Inglaterra para ajudar uma família atormentada por uma manifestação poltergeist na filha. A trama é baseada no caso Enfield Poltergeist, registrado no final da década de 1970.



Por: Michael Kaleel.

Description: Rating: 4.5 out of 5

4 comentários:

  1. Ja foi confirmado que haverá um Spin off chamado "The Nun" (A Freira) sobre a freira que aparece no filme.... e vale acrescentar que essa freira foi idéia do JW de uma hora pra outra,o "vilão" do filme,seria algo numa forma demoníaca com chifres ou algo do tipo.... Parabéns pela crítica como sempre !

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  2. Anônimo6/30/2016

    filme fraco, mas poderia ser pior

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  3. Anônimo6/30/2016

    não chegou nem perto do primeiro, na verdade foi uma replica mau feita,ou seja faltou criatividade para o autor do filme!!!!!!!!!!!!!!!!

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