Crítica: The Boogeyman (1980) - Sessão do Medo

13 de julho de 2016

Crítica: The Boogeyman (1980)


Não se deixe levar pelo titulo, "The Boogeyman" não tem nada a ver com aquela atrocidade produzida por Sam Raimi em 2004. O filme em questão é uma produção de mesmo titulo lançado em 1980 com direção de Ulli Lommel e que acabou caindo no esquecimento depois da péssima recepção na época do lançamento.

A crítica na época malhou bastante o filme alegando que o mesmo tinha semelhanças demais com dois filmes lançados pouco tempo antes, no caso,  Halloween - A Noite do Terror (1978) e Amityville - A Cidade do Horror (1979).

Não vou negar, o filme tem sim MUITA semelhança com os filmes da franquia Amityville, e poderia facilmente ser vendido como um filme da franquia - ainda mais depois que a série partiu pra ideia de objetos amaldiçoados - e também tem uma clara influencia de Halloween em vários momentos, mesmo que o enredo seja completamente distinto do filme de John Carpenter.

Posso dizer com 90% de certeza que o maior erro de The Boogeyman foi ser vendido como algo que não é: um slasher. O filme é até hoje apontado por muitos como um slasher, mesmo sendo claramente um filme sobrenatural nos moldes de Amityville. Inclusive, a primeira vez que eu ouvi falar desse filme foi em uma documentário bem bacana sobre slashers chamado "Going to Pieces: The Rise and Fall of the Slasher Film (2006)" contando o auge do subgênero.


O filme começa com uma abertura que lembra ligeiramente Halloween, onde dois adultos estão dando uns pegas em um sofá e tudo é mostrado pelo POV de uma criança, nesse caso, duas crianças, Lacey (Suzanna Love) e Willy (Nicholas Love), os filhos de chocadeira vitimas do namorado sádico da mãe alcoólatra, que chega a amarrar Willy na cama enquanto transa com a namorada em outro quarto. A pequena Lacey ao ver o irmão amarrado vai até a cozinha e pega uma faca, em seguida corta as cordas e dá a faca para o irmão.

Do mesmo jeito que o Michael Myers vai até o quarto da irmã em Halloween, Willy vai até o quarto da mãe, onde a encontra transando com o namorado. O que acontece é o esperado: Willy mata o cara a facadas em frente a um espelho. Um pequeno detalhe que eu notei nessa cena é que o grito da mãe foi extraído diretamente do Halloween. É a o grito da Jamie Lee Curtis em uma das cenas de Halloween. Quem reviu Halloween tantas vezes quanto eu vai notar isso.

Willy e Lacey (20 anos depois)
20 anos se passam. Willy, assim como o Michael Myers em Halloween parou de falar e Lacey se sente atormentada mesmo depois de tantos anos E é assombrada pelas lembranças daquela noite. Decidida a acabar com as lembranças, ela faz a coisa mais estupida que alguém poderia fazer: Ela vai visitar a antiga casa em que ocorreu o assassinato e chegando lá tem um acesso de raiva e quebra o espelho antigo espelho do quarto - espelho esse que continua o espirito do homem que Willy matou - e acaba libertando o tal espirito e desencadeando uma onda de mortes sobrenaturais.

A sensação que fica durante todo o filme é de estar vendo uma reprise de algum filme que a gente já viu e conhece bem. Não há nada de novo aqui! Mas quem tá reclamando? O filme acaba sendo bom exatamente por repetir tudo que a gente gosta em um filme nesse estilo. Mortes sangrentas, enredo absurdo, exageros, trilha sonora e visual tipico dos anos 80. O diretor copia John Carpenter não só no estilo e em várias cenas, mas também na trilha sonora bem parecida com aquelas compostas pelo Sr. Carpinteiro ao longo da carreira.

Espelho, espelho meu...
Lá em cima eu mencionei Amityville, e o filme te vários elementos de um filme da franquia: objetos se movendo sozinhos, pessoas sendo possuídas, mortes causadas por uma força sobrenatural e um padre sendo vitima ao tentar afastar o mal. Inclusive, não pude deixar de notar que a casa é idêntica ao do filme de 1979, se bobear a mesma casa foi usada como cenário. Confira a imagem abaixo e me diga se não é parecido:

"Oi. Com licença, é aqui que estão gravando o novo filme da franquia Amityville?"
Embora eu não considere o filme um slasher, ele tem cenas que parecem ter saído diretamente de um, com destaque pra uma cena em que um personagem aleatório tem uma lança enfiada na parte de trás da cabeça com tanta força que acaba saindo pela boca. Temos também jovens aleatórios que aparecem pra transar perto de um lago e são mortos antes mesmo de você saber quem são eles. Outro momento copiado descaradamente de Halloween é o lance do "Assassino" ser um stalker que fica observando as vitimas e vemos tudo pelo ponto de vista dele e escutamos a respiração ofegante, muito semelhante a do Michael Myers. O único problema é que nesse ponto o filme não funciona, já que o "assassino" nada mais é que uma força invisível sem forma, muito mais parecido com um poltergeist do que com um assassino em série propriamente dito.

O filme trás no elenco o veterano John Carradine em um papel de certo destaque, o resto do elenco é composto por atores desconhecidos que não conseguiram uma carreira muito longa em Hollywood. Suzanna Love que faz a protagonista Lacey, conseguiu alguns papéis em outros filmes de terror, incluindo as duas continuações Boogeyman 2 (1983) e Return of the Boogeyman (1994).

"The Power of Christ Compels You!"

O diretor Ulli Lommel depois dos anos 2000 se especializou em dirigir filmes ruins feitas direto pro mercado de Home Video e alguns rip-offs como Assassino do Zodíaco e Dalia Negra. Seu ultimo filme foi Baseline Killer de 2008.

Boogeyman chegou a ser lançando em VHS no Brasil com o titulo em português "Força Assassina", caso raro onde o titulo nacional é mais apropriado que o titulo original. Infelizmente o filme continua inédito em DVD e Blu-ray. Lá fora o filme foi lançado em duas versões: a de cinema com 82 minutos de duração e a versão sem cortes lançada no Reino Unido com 85 minutos de duração.

Vale uma conferida! Consegue ser melhor que várias continuações de Amityville e melhor que vários slashers rip-offs de Halloween lançados na mesma época.


Título: The Boogey Man (Original)
Ano produção:1980
Direção: Ulli Lommel
Roteiro: David Herschel e Ulli Lommel
Ano: 1980
Duração:82 minutos
Elenco:  Suzanna Love
Nicholas Love
John Carradine


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