Crítica: Carrie, a Estranha (1976) - Sessão do Medo

8 de agosto de 2016

Crítica: Carrie, a Estranha (1976)


"Ela não era um monstro. Era só uma garota."

Completando 40 anos de seu lançamento esse ano, Carrie - A Estranha ainda é um dos filmes mais completos do gênero terror. Até hoje, sua história é adorada e sempre homenageada em outras produções, sejam em adaptações ou até em projetos que nada tem a ver com o filme.

Tal história se originou da mente de Stephen King. Carrie foi o primeiro romance dele a ser publicado e também o primeiro a ser adaptado pros cinemas. Muitos não sabem mas após terminar o livro, King não gostou do resultado e jogou o início da história no lixo. Sua esposa, Tabitha, leu o as páginas e o convenceu a finalizar e ir até uma editora. Graças a ela temos um dos maiores escritores do nosso tempo, sem dúvidas o maior escritor de terror da geração.

O livro, publicado dois anos antes do filme, é uma narrativa que utiliza documentos, trechos de livros, relatos de jornais, etc, para contar a história de Carrie. Era basicamente um mockumentary em forma de livro, rs.

O filme, por consequência, veio por se tornar um clássico do gênero, um verdadeiro referencial. O melhor é que, mesmo depois de 40 anos, continua incrível. Dirigido por Brian DePalma, um dos maiores diretores da época, Carrie tem vários elementos que fazem com que a história não envelheça, sendo portanto sempre fácil de apresentar (ou adaptar) para as novas gerações.


Primeiramente, por tratar de um assunto que nunca consegue sair de "moda": o bullying. Aqui temos Carrie White, interpretada pela incrível e maravilhosa Sissy Spacek. Ela é uma garota tímida e convenhamos, estranha, que sofre nas mãos das colegas populares de sua escola. Os eventos do filme são desencadeados alguns dias antes do baile de formatura. Pela primeira vez, Carrie menstrua, no vestiário feminino, sem saber do que se trata. Desesperada, ela logo se vê sendo aterrorizada pelas garotas, que jogam absorventes nela.

Após o ocorrido, conhecemos a vida da nossa protagonista dentro da própria casa. Ela vive com sua mãe, Margaret White (Piper Laurie, Twin Peaks), uma fanática religiosa. Outro assunto que ainda rende muito atualmente, a pressão da religiosidade e afins. Carrie vive um inferno dentro e fora de casa. Ao saber do ocorrido, Margaret pune Carrie, dizendo que a menstruação foi coisa do Diabo, que ela virou uma mulher devido ao pecado. Para puni-la, Margareth a tranca num quarto minúsculo cheio de terços, crucifixos, velas e bíblias, onde Carrie tem que rezar até estar perdoada. As cenas nesse quarto sempre são bem estranhas, principalmente pela presença de uma estátua de Jesus que assusta mais que o filme em si.

Em meio ao caos que é sua vida, Carrie descobre que tem poderes telecinéticos. Enquanto isso, ela é convidada a ir ao baile por Tommy Ross (William Katt, A Casa do Espanto), namorado de Sue Snell (Amy Irving, A Fúria), que está arrependida pelo o que sua amiga Chris Hargensen (Nancy Allen, Poltergeist III) faz com Carrie.


Mesmo desconfiada, Carrie aceita o convite ao perceber que as intenções de ambos são sinceras. O que ninguém esperava é que Chris estivesse tramando uma vingança contra Carrie, já que a mesma foi barrada do baile devido aos eventos que se seguiram ao ataque no banheiro.

É aí que o filme realmente mostra ao que veio e entrega um terceiro ato incrível. A vingança era fazer com que Carrie fosse coroada rainha do baile, só para que um balde de sangue de porco caísse sobre sua cabeça, humilhando-a na frente de toda a escola. No entanto, ninguém sabia dos poderes da garota. Involuntariamente, Carrie entra em um estado catatônico, despejando sua fúria através dos poderes. Ela coloca fogo na quadra inteira, tranca as portas para que ninguém saia e mata quase todos!

A montagem da cena do baile é, no mínimo, fantástica. A partir do momento em que Carrie entra em transe, a tela é dividida em duas. Vemos Carrie de um lado, influenciando tudo com o seu olhar bizarro. Do outro, vemos o caos que se desenrola dentro do ginásio, com incêndios iniciando, pessoas sendo eletrocutadas, esmagadas por equipamentos, etc. É realmente uma cena muito bem dirigida, além de contar com a estridente trilha sonora que toca toda vez que Carrie faz algo com sua mente.


O que faz do filme uma obra tão boa e carismática, creio eu, é sua protagonista, Sissy Spacek, que não era muito conhecida na época e resolveu se arriscar no teste. A atriz é naturalmente "estranha", de certa forma, o que dá uma dose a mais de carisma e realismo à sua atuação e personagem. Um exemplo disso é quando ela está conversando com sua mãe, tentando fazê-la entender que não há nada de errado nela.

Não é a toa que Carrie até hoje rende tanto. É, como falei no início, uma história que apesar de tudo, consegue sempre ser atual. Aliás, é um dos filmes que mais recebe homenagens, mesmo fora do seu gênero. Vários outros projetos (filmes, séries, novelas, etc) sempre reverenciam a famosa cena do baile. Recentemente postei na página uma compilação que você pode ver aqui.

Em 2002, houve uma tentativa de transformar o livro em uma série. No entanto, o piloto foi rejeitado pelos produtores e acabou sendo lançado como um filme, estrelado por Angela Bettis e Patricia Clarkson, no papel de Carrie e Margaret, respectivamente. Já em 2013, foi lançado o problemático remake com Chloe Moretz e Julianne Moore nos papéis. O que aconteceu foi uma verdadeira decepção, com um filme fraco e sem muito impacto.

por Neto Ribeiro

Título Original: Carrie
Ano: 1976
Duração: 98 minutos
Direção: Brian DePalma
Roteiro: Lawrence D. Cohen
Elenco: Sissy Spacek, Piper Laurie, John Travolta, Amy Irving, Nancy Allen, William Katt, Betty Buckley, P. J. Soles



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