Crítica: O Caseiro (2016) - Sessão do Medo

17 de outubro de 2016

Crítica: O Caseiro (2016)


Você acredita em fantasmas? 

Fico bastante feliz em ver que o cinema brasileiro está abrindo as portas novamente para o gênero terror e suspense. Nos últimos anos ficou um pouco mais frequente ver algumas produções do tipo sendo lançadas - ainda que o resultado de muitas delas não seja muito positivo. O Caseiro é uma delas mas que acabou se sobressaindo um pouco no meu ponto de vista.

Estrelado por Bruno Garcia, o filme mostra Davi, um professor de psicologia que tem como especialidade do sobrenatural - já escreveu até um livro sobre o assunto. Após uma aula, uma estudante, Renata (Malu Rodrigues) o aborda, pedindo a opinião do cara sobre um caso em sua família.

A irmã mais nova da jovem aparece com machucados e apesar de falar que foi brincando, a família não acredita. O pai das garotas, Rubens (Leopoldo Pacheco), acredita que possa se tratar do fantasma do antigo caseiro da família, que se suicidou há quarenta anos e cujo corpo foi encontrado pelo próprio Rubens. Interessado, Davi pede para passar um fim de semana com a família para investigar o caso.


Ainda que toda a base sobrenatural desse suspense pareça genérica, o filme em si procura fugir dos clichês do gênero. Isso é o que diferencia O Caseiro de outros exemplos recentes. A história é bem contada e não tem em momento nenhum os insuportáveis jumpscares. Aliás, o personagem-título pouco aparece (o que é bom), pois aumenta o mistério: será que existe mesmo um fantasma ou há alguém real por trás de uma farsa?

A conclusão da história ainda guarda algumas reviravoltas que eu não esperava então foi uma boa surpresa e um modo legal de finalizar tudo. Ainda achei que poderiam ter optado por algo mais intimista, mais implícito, mas não foi um final ruim.

A direção de Julio Santi é certeira e conduz muito a narrativa, que é batida mas bem trabalhada. O filme em sim não se parece muito com um filme de terror, é mais um suspense investigativo com toques sobrenaturais e pode acontecer de muitos acharem o filme ruim por esperar outra coisa dele. O elenco também se sai muito bem, principalmente o Bruno Garcia que foi a escolha certa para o papel de protagonista. Outra coisa legal é que, diferente do recente protótipo de slasher O Escaravelho do Diabo, o filme não ficou muito novelizado, o que é um grande ponto para a produção.


Apesar disso, o filme é meio fraco. Não acho que isso tenha sido culpa de um único departamento. É bem-feito, tem uma produção caprichada e uma história legal mas é só isso. Então você pode olhar para o copo meio vazio ou meio cheio. Para um país cujo grande parte da produção cinematográfica é baseada em comédias com os mesmos atores e a mesma história SEMPRE, O Caseiro é um bom acerto num gênero relativamente novo nas tentativas.

Não o assista com tom julgador, o filme não merece isso e acaba se saindo melhor do que muitos outros exemplares do gênero. Espero que esse investimento no terror continue nos próximos anos. Com a prática, vem a perfeição, certo?

por Neto Ribeiro

Título Original: O Caseiro
Ano: 2016
Duração: 88 minutos
Direção: Julio Santi
Roteiro: Joao Segall
Elenco: Bruno Garcia, Malu Rodrigues, Leopoldo Pacheco, Denise Weinberg, Pedro Bosnich


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