Crítica: Psicose (1960) - Sessão do Medo

13 de outubro de 2016

Crítica: Psicose (1960)


Filme absoluto do gênero. Psicose é uma obra de terror que revolucionou o gênero abrindo portas para os slasher movies cerca de 20 anos dele estourar. Comandado por um renomado diretor cuja fama o precede, sr. Alfred Hitchcock, o longa quase que não saia do papel. A Universal Pictures não queria bancar o filme, que era baseado no livro de Robert Bloch (resenha aqui) e o próprio Hitchcock teve que bancar a produção, chegando a hipotecar sua casa para conseguir o investimento. Para quem não conhece a história por trás do filme, recomendo um filme chamado Hitchcock (2012), onde Anthony Hopkins retrata o diretor antes-durante-e-depois da produção de Psicose. É um olhar interessante e diferente para os fãs de cinema.

Quando decidimos que o segundo tema do Mês Especial de Halloween seria slashers, Psicose foi o primeiro filme que apareceu na minha mente, quando então me dei conta de que ele não tinha sido resenhado aqui no blog.


Esse clássico atemporal conta uma história simples: Marion Crane (Janet Leigh), uma assistente bancária, resolve roubar cerca de $40 mil dólares de seu chefe para pagar dívidas e fugir com seu namorado, Sam (John Gavin). No calor do momento, ela parte para a Fairville, uma cidade fora do estado, onde irá encontrá-lo (sem avisar) com o dinheiro.

Durante a viagem - onde ela até encontra um policial que logo suspeita da moça - ela para num motel à beira da estrada logo após uma tempestade cair. O Motel Bates é gerenciado por Norman Bates (Anthony Perkins) que a atende educadamente. Como o restaurante mais próximo fica longe demais, o cara a convida para jantar com ele. Após o jantar, Marion é brutalmente assassinada no chuveiro pela mãe de Norman, que "conhecemos" anteriormente ao ouvirmos uma discussão entre os dois vinda da casa atrás do motel. 

No livro, Marion só está presente em 2 dos 17 capítulos e foi uma decisão do Hitchcock aumentar sua presença no filme para causar choque no público - estratégia semelhante à usada com Drew Barrymore em Pânico, 36 anos depois. Janet Leigh estampava quase todos os materiais publicitários de Psicose, levando automaticamente a crermos que ela seria a protagonista, a mocinha. Essa subversão é bem bacana pois, na adaptação pro cinema, conhecemos mais ela do que conhecemos no livro. E detalhe: Poucas pessoas tinham lido o livro antes do filme lançar pois Hitchcock comprou todas as cópias disponíveis para que as pessoas não soubessem o final. 


Continuando: Os personagens que assumem os postos de protagonistas são Sam, o namorado de Marion e sua irmã Lila (Vera Miles), que ao notarem uma semana após o assasinato que a moça está desaparecida, resolvem investigar tudo. Junto a eles está o Detetive Arbogast (Martin Balsam), um contratado pelo dono do dinheiro roubado. 

Para adaptar o livro (lançado um ano antes do filme), Hitchcock fez suas próprias mudanças para aumentar um pouco do suspense na história. Exemplos delas são: a própria extensão da história de Marion - que se chama Mary no livro; Norman é descrito como um homem acima do peso, alcoolatra e com fetiches pornográficos (há uma parte em que Lila chega a achar um livro de gravuras sexuais); a morte de Marion é mais violenta no livro, já que a mesma chega a ser decapitada e não esfaqueada até a morte; entre outros detalhes menores. Se quiserem ler o livro, ele foi relançado há uns 3 anos pela Darkside e está em catálogo. A edição é incrível e é uma ótima leitura, recomendo bastante.


O que Hitchcock fez com o filme é uma coisa bem extraordinária. O cara tinha seus caprichos - como querer gravar o filme preto & branco propositalmente - e acertou numa adaptação finedigna que acabaria se tornando um referencial absoluto nos anos seguintes.

Psicose até hoje rende frutos. Primeiramente, 13 anos após o filme uma sequência - Psicose II (1983) - foi lançada, que trazia Norman Bates saindo da instituição psiquiátrica para uma vida normal, tentando trazer o motel de volta ao funcionamento. Na minha opinião, é uma ótima sequência apesar de se distanciar do estilo suspense psicológico do original.

Psicose III veio em 1986 e para mim, é uma continuação bem fraca e que tenta transformar o Norman em um assassino gratuito nos moldes dos slashers dos anos 80, sem um pingo de suspense. Psicose IV: A Revelação (1990), a última continuação ligada diretamente ao filme de 1960 é na verdade um tipo de prequel que mostra a adolescência de Norman e sua relação com a mãe, interpretada por Olivia Hussey. Ela foi lançada na TV e não teve uma recepção muito boa.


Para surpresa de muita gente, em 1998 um remake dirigido por Gus Van Sant foi feito, trazendo Anne Heche no papel de Marion Crane, Julianne Moore no papel de Lila e Vince Vaughn (really?) no papel do Norman Bates. É uma refilmagem que basicamente copia TUDO do original, quase que cena-por-cena, mudando pouquíssimos detalhes e trazendo as cores e técnicas aperfeiçoadas para a história. Crítica aqui.

Desde 2013 fomos presenteados com a ótima Bates Motel, uma repaginação da adolescência de Norman Bates nos dias atuais. Norman é interpretado por Freddie Highmore (que consegue assustadoramente reproduzir o jeito do Anthony Perkins) e sua mãe Norma é interpretada por Vera Farmiga (Invocação do Mal). Em 2017, a quinta temporada estreará e trará alguns eventos do filme de 1960 para a história, como a própria Marion Crane que será interpretada pela cantora Rihanna (?).

por Neto Ribeiro

Título Original: Psycho
Ano: 1960
Duração: 109 minutos
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Joseph Stefano
Elenco: Anthony Perkins, Vera Miles, Janet Leigh, John Gavin, Martin Balsam




Description: Rating: 5 out of 5

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