Crítica: Godzilla Resurgence (2016) - Sessão do Medo

16 de dezembro de 2016

Crítica: Godzilla Resurgence (2016)


Originário do Japão, o Godzilla apareceu pela primeira vez em um filme de 1954 de mesmo nome, produzido pela empresa Toho. De 54 até 2004, a empresa produziu nada menos que 28 filmes envolvendo o grandalhão - muitos deles eram em crossovers com outros personagens, como King Kong vs. Godzilla (1962), Godzilla vs. Megalon (1973), entre outros.

O monstro, no entanto, só chegou a ficar mais conhecido no Ocidente após a infame e criticada adaptação dirigida por Roland Emmerich (um tipo de Michael Bay dos anos 90). Godzilla (1998) é um filme que até começa bem mas falha exatamente em trazer a essência do gigante para a tela. O nome do personagem o chama de Deus e no filme ele é facilmente derrotado pelos protagonistas e o exército americano (salvador do mundo como sempre). Apesar do sucesso de bilheteria, uma sequência entrou em produção mas nunca chegou a ser realizada. O Rei dos Monstros só apareceria de novo em um projeto americano 16 anos depois...


Godzilla (2014) serviu como um novo reboot, trazendo uma proposta inteiramente nova. O monstro ressurgiria do oceano para combater dois seres alienígenas (essa era a reviravolta do filme). A ideia não me desce até hoje, apesar do filme ter várias cenas bacanas. O filme fez sucesso novamente e a Toho aproveitou para investir num novo longa japonês do monstro - sendo o primeiro longa-metragem do personagem a ser feito unicamente pelo Japão em 20 anos! Foi assim que veio Godzilla Resurgence, ou Shin Godzilla (2016), que é o filme que venho discutir hoje.

A história é a mesma de sempre. Situada em Tokyo, uma criatura emerge do mar, causando pânico e destruição na cidade. Uma coisa interessante é que quando o Godzilla sai, ele não está em sua forma final. É só depois que ele chega até a metade da cidade que ele se "transforma" numa versão próxima a final. Depois de retornar ao mar, ele ressurge no dia seguinte, desta vez maior do que antes.

Fiquei realmente surpreso ao ver os efeitos desse filme. A cada cena de destruição e a cada cena que o Godzilla entrava em ação, era um colírio para os olhos. Lindo de se ver! Além do visual do monstrego estar ótimo (tirando aqueles olhos pequenos e esbugalhados, nossa), a própria essência do personagem está intacta. O gigante está poderoso e graças ao roteiro, sabe passar a impotência que os humanos tem diante dele. Um exemplo que ilustra o que quero dizer é a cena noturna em que o Godzilla solta os raios radioativos.


Outra escolha interessante e que difere das tomadas nos últimos filmes americanos é que Godzilla Resurgence não tem um protagonista definido (Matthew Broderick em 1998 e Aaron Taylor-Johnson em 2014). Aqui vemos vários personagens lidando com o monstro, sendo todos parte do governo, ligados diretamente com iniciativas para poder derrotá-lo.

Em contra partida, essa decisão acaba deixando todos os personagens rasos e sem nenhum tipo de aprofundamento ou carga emocional. "Ah, mas o foco do filme é o Godzilla e não o pessoal". Beleza, mas seria interessante ver pelo menos uma vez algum personagem em um filme de Godzilla que não seja do exército ou que sei lá, salve o mundo derrotando ele. Ainda espero um filme do Godzilla com personagens normais, para mim seria o filme perfeito do monstrão.

Não posso deixar de comentar a trilha sonora do filme, que muitas vezes soa deslocada, antiquada e tira o clima de várias cenas bacanas. A batalha final por exemplo, ficou um pouco tosca com toques de Dragon Ball Z no fundo. Mancada, mas ok.


Godzilla Resurgence conseguiu ser melhor do que os trocentos últimos filmes do Godzilla, trazendo o Rei dos Monstros em toda a sua honra e glória. Ainda que tropece em coisas bobas, não tira o mérito de ser um filme de qualidade!

por Neto Ribeiro

Título Original: Shin Gojira
Ano: 2016
Duração: 120 minutos
Direção: Hideaki Anno, Shinji Higuchi
Roteiro: Hideaki Anno
Elenco: Hiroki Hasegawam, Yutaka Takenouchi, Satomi Ishihara


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