Crítica: O Lamento (2016) - Sessão do Medo

11 de dezembro de 2016

Crítica: O Lamento (2016)


"Veja as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e veja, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vês que eu tenho."
- Lucas 24:39

Previsto para chegar aos cinemas brasileiros no fim de Dezembro (dia 22 para ser mais específico), O Lamento (The Wailing) é uma produção sul-coreana que chegou de supetão e surpreendeu a crítica especializada, que rasgou elogios ao thriller sobrenatural. E o Sessão não poderia deixar de concordar e nem mesmo deixar o filme passar em branco aqui no blog. Se tiver a chance de vê-lo no cinema, por favor, veja!

Com 2 horas e 36 minutos de duração (isso mesmo, nobody said it was easy), o filme acompanha a história de uma pacata aldeia que vê sua rotina virada de cabeça para baixo após a chegada de um misterioso homem. Assassinatos brutais começam a ocorrer, seguindo de uma doença que infecta a pessoa responsável pelo crime. O desajeitado oficial de polícia Jong-Goo (Kwak Do-won) investiga os casos e acaba descobrindo que sua filha Hyo-jin (Kim Hwan Hee) pode ser a próxima responsável por um massacre, fazendo com que o mesmo contate um xamã (uma espécie de exorcista oriental) para curá-la da maldição.


A trama é basicamente isso que descrevi, mas consegue se desenvolver monstruosamente com vários outros detalhes, que no final se juntam e transformam o filme na maravilha que ele é. É um filme longo? Sim, claro. Mas para minha surpresa, a história nunca fica cansativa. Ela sempre traz elementos interessantes que faz com que você fique encucado com ela. Tem coisa melhor que isso?

A direção de Na Hong-Jin (O Caçador, 2008), que também assina o roteiro, é precisa, perfeccionista e sabe como comandar o longa da forma necessária. Ele trabalha bastante com sugestões, um clima incômodo, um filme atmosférico que joga cenas impressionantes na tela e depois decorre sobre elas, até chegar no seu ápice, um final maravilhoso que arrepiou minha alma. No início, me senti meio emburrado com a trama, vários detalhes avulsos eram apresentados na história e minha esplêndida mente não sabia como eles iriam convergir. Mas no final, tudo deu certo e quando os créditos subiu eu não podia deixar de ficar boquiaberto.

O mais bacana é que, assim como o protagonista, o público se sente perdido em meio à trama. Não sabemos sobre o que tudo aquilo é afinal, não sabemos em quem confiar, é uma confusão que nos deixa totalmente às cegas. É incrível ver como isso teve efeito. 


É interessante ver como no final das contas, O Lamento é um filme com um conceito comum nos filmes ocidentais do gênero, o mal puro, mas que apresenta um novo ponto de vista sob uma cultura diferente. Um exemplo é a figura do xamã, que como falei acima, é um tipo de exorcista oriental. No entanto, suas técnicas são diferentes da que já estamos acostumados e o filme sabe brincar justamente com estes detalhes, o que o torna um experiência diferente e bastante satisfatória.

O que temos aqui é um filme genuinamente assustador. Eu fiquei totalmente imerso na história e puta que pariu, que história. Perdoem meu palavriado, mas não tenho outras palavras. Algumas pessoas podem se incomodar com o humor inserido no protagonista, que é um bobão e parece ter saído diretamente de um episódio d'Os Trapalhões, mas acho que a necessidade dele era apenas fazer com que o personagem se tornasse mais atrativo e carismático com o público e não o típico policial frio, noir-zista que vemos em qualquer filme com história semelhante.

Não é o primeiro e nem vai ser o último filme sul-coreano que nos surpreenderá no terror. O país trouxe diversas produções maravilhosas como Medo (2003), O Hospedeiro (2006), Eu Vi o Diabo (2010) e até mesmo o recente Invasão Zumbi (2016), um dos melhores filmes de mortos-vivos dos últimos anos. O Lamento é só mais exemplo excepcional de que podemos ter filmes de terror excelentes e diferentes.

Ps¹: O ator que fez o japonês atuou bem pra caralho!!!
Ps²: A fotografia desse filme merecia um Oscar.

por Neto Ribeiro

Título Original: Goksung
Ano: 2016
Duração: 156 minutos
Direção: Na Hong-Jin
Roteiro: Na Hong-Jin
Elenco: Kwak Do-won, Hwang Jung-min, Chun Woo-Hee, Jun Kunimura, Kim Hwan Hee




Description: É só mais exemplo excepcional de que podemos ter filmes de terror excelentes e diferentes. Rating: 4.5 out of 5