Crítica: Revelação (2000) - Sessão do Medo

20 de janeiro de 2017

Crítica: Revelação (2000)


O primeiro filme de terror do Robert Zemeckis, já um grande nome em Hollywood após dirigir a trilogia De Volta Para o Futuro (1984, 1989, 1990), Forrest Gump (1994) e Contato (1997), é um thriller de primeira, no maior clima Supercine que traz duas grandes estrelas nos papéis principais: Michelle Pfeiffer (Scarface) e Harrison Ford (Indiana Jones) fazem um casal que tentam reconstruir o casamento após uma traição.

Conheci o filme por meio da comédia Todo Mundo em Pânico 2 (2001), que parodia algumas cenas desse aqui, mas não sabia nada da história além das duas linhas que escrevi no parágrafo anterior. Fui ver o filme totalmente no escuro, não vi trailer (nem recomendo, é essencial) e o que vi realmente surpreendeu. Eu não sabia o que esperar da história, não sabia que caminhos ela tomaria ou não, portanto foi uma experiência bem agradável. Se você deseja ver o filme, recomendo que faça o mesmo.


Cuidado: A partir daqui o post contém alguns spoilers leves. Recomendo pular para os últimos parágrafos se ainda não assistiu.

Então, Revelação acompanha um casal, Claire (Pfeiffer) e Norman (Ford). A única filha deles acabou de ir pra faculdade, deixando-os sós, principalmente Claire pois Norman, um médico, passa o dia trabalhando na universidade. Um dia Claire escuta sua vizinha chorando e falando coisas estranhas sobre o marido (James Remar), como se estivesse assustada com ele. Claire fica imediatamente desconfiada do cara, principalmente quando eventos posteriores a fazem achar que ele a matou.

A história toma um rumo sobrenatural quando Claire começa a ver uma moça em reflexos de água (na banheira ou quando está perto de um lago, por exemplo). Ela acredita que o espírito seja da vizinha, tentando contatá-la para que ela encontre seu corpo. Se você viu o trailer sabe que isso é só pra despistar, pois a vizinha aparece sã e salva, deixando Claire parecer que está ficando louca. Se não era a vizinha, então quem é a moça que a persegue?

Infelizmente, essa sinopse cobre toda a primeira hora do filme, que trabalha com um mistério lento e envolvente, então se você viu o trailer, ou leu uma sinopse pela internet, vai achar a primeira hora massante, pois já sabe que tudo aquilo não é a história final. Eu não sabia disso, então achei bastante caprichada. O resto do filme então foca na resolução do mistério enquanto Claire se envolve numa trama em que não sabe mais o que é verdade e o que é mentira. 


O enredo de Revelação, aos olhos de alguém que acompanhou o gênero nos últimos cinco anos, pode ser pouco original e até meio clichê, por ser um filme sobrenatural leve mas não menos competente. A assombração é apenas um acessório na história e não chega a ser sua principal chave de reprodução, portanto nada de jumpscares gratuitos (talvez alguns, mas os considerei bem sutis).

O foco é no suspense e em como a personagem Claire lida com a situação que tem em mãos. O seu próprio marido, com quem passou quase 20 anos juntos, é um possível suspeito na trama e as pistas e relatos que ela consegue nunca se batem, portanto, tudo parece um beco sem saída cheio de mentiras. Tudo prepara o terreno para um final muito bem escrito e também bem dirigido. Também pode-se notar várias odes à Psicose (1960), desde o nome do personagem de Ford até a infame cena da banheira.

Talvez ele possa incomodar a alguns pois o mesmo funciona como uma montanha russa, dando a impressão de que não há apenas um final mas três. A história aparenta ter chegado ao seu clímax, há agitação, depois morna, depois chega a um clímax, espera, ainda não é o clímax. Isso não me incomodou muito, me fez ficar mais imerso na história, mas foi apenas uma ressalva.


Continuando... Não é por quê é um filme de suspense que Robert Zemeckis deixaria de ser habilidoso em seus jogos de câmera. Em sua produção anterior, Contato (1997), o mesmo realizou uma cena maravilhosa estrelada pela Jena Malone e que é rapidamente homenageada numa cena do final de Revelação. Ele também tem outras cenas bem ágeis em que a câmera gira por dentro do carro, voltando para fora e depois entrando de novo. É uma daquelas cenas que você realmente se pergunta: "Como conseguiram fazer isso?". Outras são mais simples mas também muito eficientes, como a ótima cena da banheira, onde o close no rosto assustado de Pfeiffer deixa a cena mais afobante.

Para finalizar a resenha sem querer estendê-la muito, este filme aqui foi uma bela Revelação para mim e é um dos filmes que mais me deixou satisfeito ultimamente, pois o mesmo tem uma história bem contada, com início, meio e fim, além de utilizar argumentos e detalhes na história que eu realmente gosto. O clima de Supercine foi a cereja do bolo.

PS¹: Na cena final, se prestar atenção na neve, poderá ver um rosto se formando enquanto a tela escurece.

por Neto Ribeiro

Título Original: What Lies Beneath
Ano: 2000
Duração: 130 minutos
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Clark Gregg
Elenco: Michelle Pfeiffer, Harrison Ford, Diana Scarwid, Amber Valletta, Miranda Otto, James Remar

2 comentários:

  1. Clima de Supercine , P MIM é um fator negativo é mais do mesmo !

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  2. Pra mim não. Quando estou sem fazer nada no sábado à noite, tento logo ver qual é o filme em Supercine, que Às vezes traz boas filmagens.

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