Crítica: Vestida Para Matar (1980) - Sessão do Medo

14 de janeiro de 2017

Crítica: Vestida Para Matar (1980)


Não me faça ser uma garota má novamente!

(O texto abaixo contém spoiler) 

Brian De Palma é um diretor muito interessante e um tanto inspirado. Responsável por clássicos como "Carrie, a Estranha" (1876), "Scarface" (1986), muitos o consideram uma espécie de plagiador, por suas obras serem totalmente influenciadas, inspiradas pelo grande Alfred Hitchcock. Desde "Dublê de Corpo" (1984), sendo considerado uma versão apimentada de "Janela Indiscreta" (1954), como "Vestida Para Matar" uma versão atualizada do clássico Psicose.

Entendo esse título "plagiador" como equivocado, tendo em vista que suas obras conseguem se diferenciar apesar das inúmeras referências. Digamos que são versões mais sensuais do que víamos nas mãos do diretor inglês, Hitchcock.

Em "Dressed to Kill", um terapeuta de Manhattan, o Dr. Robert Elliott, enfrenta o momento mais aterrorizante de sua vida, quando um assassino psicopata começa a atacar as mulheres de sua vida - usando uma navalha roubada de seu escritório. Desesperado para encontrar o assassino antes que outra pessoa seja ferida, Elliott logo se vê envolvido em um mundo de escusos e perturbadores desejos.

Kate, uma das pacientes mais importantes do Dr. Elliot (Michael Cane), está totalmente insatisfeita com sua vida sexual. O diretor faz questão de mostrar isso logo na cena inicial do filme, onde Kate tem relação sexual com outro homem (parece mais um estupro) enquanto seu marido se barbeia. Isso tudo em um sonho que acontece no banheiro de sua casa, mas precisamente no chuveiro.

                              
Depois que a dona de casa frustrada se consulta, ela decide ir à um Museu e acaba encontrando um estranho atraente com quem segue numa aventura sexual. Terminado isso, Kate vai embora para sua casa (pelo menos é o que pretendia), porém uma figura aparentemente feminina aparece e a mata a navalhadas dentro de um elevador. A partir desse assassinato é que a trama se desenvolve e o suspense começa.

Essa é mais uma referência clara... De Palma resolve matar a tal protagonista logo na primeira meia hora de filme, o mesmo acontece em "Psicose". Inclusive as referências não param por aí! Desde o conceito em torno do assassino, até uma cena que antecede o desfecho...

Aqui não temos uma investigação policial tão presente, apesar de acontecer, e sim as próprias vítimas começam a investigar por conta própria. Nesse caso a prostituta Liz (Nancy Allen), e o filho de Kate.


No roteiro assinado pelo próprio De Palma, somos apresentados à um jogo de gato e rato bem instigante. Com uma direção totalmente focada no clima, contando com uma trilha musical super climática, "Vestida Para Matar" consegue ter uma atmosfera de pesadelo, e ainda ser um suspense sensual com pitadas de slasher. Temos os dois estilos num único filme.

Há um cuidado em confundir o espectador em torno da identidade do assassino. O que pra mim não foi tão bem trabalhado, pois não há tanto espaço para suposições. A sua identidade não desperta tanta dúvida no espectador. Não têm muitas opções de personagens para você ficar se perguntando: Quem será que matou a Kate? Ainda sim dá um certo impacto quando isso é revelado. Imagine então nos anos 80, o quão chocante deve ter sido.

Também ressalto a temática abordada no longa, no caso a transexualidade e a dupla personalidade do assassino. O diretor fala sobre isso de uma maneira interessante, conseguindo transformar esse assunto em uma ótima premissa para um longa de suspense.

Fã assumido de Hitchcock, Brian De Palma consegue fazer de "Vestida Para Matar" uma obra estilosa, seduzente, e por que não dizer, diferente. É daqueles filmes feitos pra se assistir num sábado a noite. Um verdadeiro clássico.
Por Lu Souza


Título Original: Dressed To Kill
Ano: 1980
Duração: 105 minutos
Direção: Brian De Palma
Roteiro: Brian De Palma
Elenco: Michael Cane, Nancy Allen, Angie Dickinson.




Description: Rating: 4 out of 5

Nenhum comentário:

Postar um comentário