Uma Análise do Jogo "Resident Evil 7: Biohazard" - Sessão do Medo

30 de janeiro de 2017

Uma Análise do Jogo "Resident Evil 7: Biohazard"


Antes de começar eu preciso alertar que o texto terá alguns spoilers, eu marcarei a parte em que tiver revelações significantes do roteiro, mas tem imagens que também podem sugerir spoiler, então veja e leia este artigo com cuidado. Se você já jogou e zerou, então está tudo bem.

O fim de janeiro foi do Resident Evil. O ultimo capitulo dos filmes nos cinemas e a sétima parte da franquia de jogos fora lançado... O sexto game teve uma recepção morna por causa da trama e da tentativa da Capcom em tentar agradar tanto os fãs que gostam do survivor horror dos jogos antigos quanto os fãs que gostam da ação desenfreada dos jogos mais recentes.


Então, depois de muito tempo na geladeira, e do lançamento de um Spin off chamado 'Resident Evil: Revelations 2', veio o mais novo capitulo 'Resident Evil 7 Biohazard' no dia 24 de janeiro, dirigido por Koshi Nakanishi. E o que dizer? Para começar, é um ótimo jogo que trás o terror de volta e com algumas boas referencias de filmes de terror, o que torna esse jogo uma experiência única para os fãs.

O jogador controla o protagonista, Ethan, a partir de uma perspectiva em primeira pessoa... A partir de Resident 4, o jogo passou a ser em primeira pessoa onde você é o protagonista, no entanto, nesse sétimo entretenimento você é o protagonista e não vê o rosto dele como nos jogos anteriores, você vê tudo na perspectiva dele, isso é algo novo na franquia. Resident 7 também tem uma variedade de armas para serem usadas, incluindo pistolas, espingardas, lança-chamas, explosivos e motosserras para auxiliarem no combate contra os inimigos, descritos como 'criaturas mutantes'. No entanto, é um dos jogos que menos se tem arma até então.

O novo game traz Ethan Winthers, um cara normal que não tem informações de sua esposa, Mia, há três anos. Só que de repente, o homem recebe uma mensagem da sua esposa e vai atrás dela em algum lugar na cidade de Dulvey no estado da Louisiana. Lá ele se encontra com a família Baker e passa a ter grandes problemas e sérios riscos de morte. Mais tarde o Ethan vai descobrir que a família macabra é o menor de seus problemas. Tudo o que o marido sabia era que Mia Winters desaparecera durante uma viagem a trabalho como babá. Para Ethan, ela estava morta há três anos, e ele já havia aceitado isso.

A família Baker, é um grupo sádico e mortal que adora matar e sequestrar as pessoas que cruzam seus caminhos. As suas ideias destorcidas passam por visões equivocadas de religião e conceitos de família. Essa família trás boas homenagens há dois filmes em particular: O Massacre da Serra Elétrica no momento em que Ethan está amarrado numa cadeira enquanto a família janta, e Jogos Mortais num enigma que Ethan (Assim como Clancy) precisa desvendar para sair de uma armadilha criada por Lucas, o filho dos Baker. E até mesmo algumas ideias inspiradas em Silent Hill... Essas partes referenciando esses filmes são muito divertidas. Todos esses fatores culminam para um game tenha a família Baker como principal destaque da trama, eles tem muita personalidade e carisma, e em parte, isso acaba ofuscando o Ethan que se torna o protagonista menos interessante. 

A família é composta por:

Jack Baker: O patriarca dos Baker é um homem de família. Preocupado em exercer seu papel de pai, Jack irá até as últimas consequências para garantir seu posto. Suas atitudes são violentas, impulsivas e, principalmente, sádicas. É um dos personagens mais carismático do jogo, ao mesmo tempo em que ele é sádico, ele chega a ser engraçado lembrando alguns assassinos como Mick Taylor de 'Wolf Creek'. Ele também possui uma força sobre-humana, além de ser capaz de resistir a golpes de faca e disparos.

Marguerite Baker: acha que Ethan não é bem-vindo na casa dos Baker depois de recusar o jantar. Ela tenta mantê-lo afastado a todo custo enquanto guarda a antiga casa dos Baker. Ela não é tão sádica, diria que é mais perturbada.

Junto com o marido e o filho, Marguerite foi dada como desaparecida em 2014. Três anos depois, tem seu nome associado a uma série de 20 sumiços, todos ocorridos ao redor da propriedade dos Baker. Nem mesmo a polícia sabe o que fazer diante do mistério.


Lucas Baker: Lucas é o membro mais jovem da família Baker, é inteligente, adora bolar e construir armadilhas. Em seu tempo livre ele elabora jogos mortais com enigmas para fazer os invasores da propriedade sofrerem das formas mais cruéis possíveis. Em alguns momentos, ele chega a lembrar o Coringa pelo seu jeito 'brincalhão'.

Assim como seus pais, Lucas parece estar diretamente envolvido no desaparecimento de 20 pessoas nos arredores da propriedade dos Bakers. Entretanto, ele próprio também está sumido desde 2014, três anos antes do início do enredo do game, o que permite que ele aja de forma mais tranquila e leve adiante os planos da família, sejam eles quais forem.

Zoe Baker: Zoe é filha de Jack e Marguerite. Ela não é tão integrada à família e vive em um trailer do lado de fora da casa principal da propriedade. Ela tenta ajudar Ethan a encontrar Mia. E conforme o tempo passa, Ethan terá que fazer escolhas difíceis envolvendo ela.

Em vários momentos ela irá ajudar Ethan a se localizar, aparentemente ela tem problemas e precisa que o rapaz a ajude a superá-los. Ela usa uma espécie de GPS para encontrá-lo e entra em contato com ele através de ligações que ela faz para os telefones espalhados pelos cenários. Em um determinado momento você terá que fazer uma escolha envolvendo ela, e essa escolha pode mudar parte da história do jogo.  


Vovó: A misteriosa Vovó da família Baker não parece ter muita disposição para conversar, na verdade, ela não parece ter disposição alguma. Você poderá se encontrar com ela em alguns momentos do jogo, vigiando-o atentamente, mas pode ficar tranquilo que ela não fará mal algum a você durante as suas aparições.

Ela está numa cadeira de rodas e não fala uma palavra sequer... Em determinados momentos, ela aparece e some rapidamente deixando um tom sobrenatural no capítulo.

Além desses problemas, Ethan terá que desvendar um mistério envolvendo uma pequena garota chamada Eveline, garota essa que vive rodeando Ethan e os Baker.

O jogo em si é muito interessante, a cada momento em que o personagem avança, nos ficamos envolvidos em um mistério que até então em nada se parece com a franquia 'Biohazard', em contrapartida, existe um claro regresso ao quesito dos primeiros jogos que foca na sobrevivência e no horror. Em determinados momentos, o personagem controlado precisa se esconder de um membro da família Baker, indefeso e num ambiente sinistro, a tensão e o susto de alguns jumpscares garantem diversão.

Coisas dos jogos antigos reaparecem aqui, o baú para guardar objetos, ervas, salas de save... Tudo graficamente lindo e impecável. E como um bom jogo de terror, não poderia faltar mortes violentas que nesse game estão muito visíveis e cheias de gore.

A história parece não ter muito sentido no começo, mas conforme você avança no jogo você vai ligando as pontas e vai percebendo que a história tem mais de Resident Evil do que se imagina. Ele é cheio de reviravoltas que empolgam e quando acaba dá aquela sensação de 'quero mais', isso é ótimo para um jogo.

Spoilers Abaixo.  

Eu não poderia deixar de mencionar de alguns momentos do jogo das quais terei que fazer spoilers para comentar. Então, se você não jogou e não quer estragar a surpresa, é melhor parar por aqui.

A história deixa ganchos para uma continuação, principalmente com a parte final que trouxe 'bombas' para os fãs: O que aconteceu com o Lucas? Umbrella Corporation voltou? Chris Redfield como novo visual e trabalhando com a Umbrella? Achei tudo isso legal, a questão é se as respostas para tudo isso farão algum sentido. 

O Lucas não estava sob a influência de Eveline, então podemos ocncluir que ele é um sádico por natureza e que pode dar muito trabalho para as organizações anti-bioterrorismo como a BSAA. O fato dele ainda estar vivo pode ser sinal de que veremos ele causando problemas no futuro e que, em minha opinião, tem potencial para ser um vilão divertido com as suas engenhocas mirabolantes. 

A Umbrella Corporation está de volta, mas dessa vez, diferente. A logomarca mudou e agora pessoas como Chris estão trabalhando com ela... Chris é um personagem do bem e íntegro, passou boa parte de sua vida lutando contra a Umbrella, dessa forma, podemos afirmar que ele está numa versão 'boazinha' da Umbrella criada por algum propósito desconhecido ainda. 


A mudança da aparência do Chris foi sem dúvidas um dos pontos mais controversos do jogo. Em nada o personagem se parece com aquele mostrado nos jogos 'Resident Evil 5 e 6', então uma dúvida pode surgir a partir disso: Será que aquele homem era mesmo o Chris Redfield apesar do nome dele aparecer nos créditos do jogo? Se a resposta for 'Sim'... Então, porque mudaram tão drasticamente o visual dele? Vale lembrar que além da aparência, o dublador do personagem também mudou, além disso, Chris é o personagem que mais sofreu modificações no decorrer de seus 8 jogos principais.


É possível que as respostas para essas perguntas venham através de conteúdo adicional. A DLC "Not a Hero" parece ser estrelada por esse "Chris Redfield", como indicado pela imagem que aparece após o jogo ser completado. E se o Chris realmente foi para o lado negro da força, será o maior banho de água fria nos fãs em muito tempo. 


De uma coisa é certa, muitas teorias vão aparecer até o lançamento de conteúdo, e se esse cara realmente for o Chris ou não, podemos ter certeza que a cabeça de muitos fãs irão dar um nó, também podemos esperar uma importância significativa desse personagem para o futuro da franquia.  

Fim dos Spoilers

Outros Personagens:

Além dos personagens principais, ainda temos algumas aparições extras na histórias.

Peter Walken: Um dos personagens da demo Begining Hour e também com participação na versão final de Resident Evil 7, Peter é um jornalista frustrado, apresentador do programa "Sewer Gators", transmitido pela internet. Ao lado de sua equipe, ele viaja pelos Estados Unidos em busca de casas mal assombradas e mistérios relacionados a assassinatos e violência.

Foi isso que o levou à residência dos Bakers, um local onde moradores relatavam enxergarem aparições sobrenaturais, enquanto os proprietários desapareceram completamente. A curiosidade e o trabalho levaram Peter e sua equipe a se tornarem vítimas da família.

Andre Stickland: Membro da equipe do programa "Sewer Gators", Andre era o responsável por pesquisar as localidades bizarras que seriam exploradas pelo show. É ele quem fica sabendo sobre os mistérios e supostas aparições na propriedade dos Bakers, e leva a equipe da atração até lá, onde todos se tornam vítimas da família.

Presente na demo Begining Hour e também com participação na versão final de Resident Evil 7, Andre é o primeiro a morrer, sendo encontrado empalado por, supostamente, Jack no porão da casa. Seu cadáver é encontrado por Clancy, o que acaba levando à captura dele e também do apresentador Peter.

Clancy Javis: Protagonista da demo Beginin Hour, Clancy é o câmera do programa Sewer Gators, apresentado por Peter. Ele vai com o âncora e o roteirista, Andre, para a casa da família Baker, onde, supostamente, uma série de aparições sobrenaturais têm acontecido, após o desaparecimento de Jack, Marguerite e Lucas.

O trabalho, inclusive, foi sua estreia na equipe do show, e ele não poderia ter escolhido momento pior para começar. Durante as gravações, ele encontra o corpo de Andre empalado e é capturado por uma figura que parece ser Jack. Apesar de seu status após isso ser desconhecido, acredita-se que ele esteja morto assim como os outros membros da equipe de Sewer Gators.

Assim como Ethan, nós não vemos o rosto do Clancy, mas algumas fotos da produção de como é o seu rosto, fora divulgadas.

David Anderson: É um policial que está investigando a residência dos Bakers, em um momento do game, ele se encontra com Ethan e entrega para o nosso protagonista uma faca.  

A sua participação no jogo é bem curta, mas guarda um dos momentos mais interessante desse capítulo.





O jogo não é só beleza, existem alguns problemas que devem ser evidenciados. O primeiro é o tamanho do jogo, provavelmente ele é o mais curto desde o Code Veronica, isso é uma pena. Outra coisa é a quantidade de inimigos, tirando os chefões, existem uns 4 inimigos no jogo, e levando em conta o histórico de inimigos em cada jogo da franquia, aqui é bem limitado... Não é algo necessariamente ruim, mas é cansativo. Ethan não é um personagem tão imponente como os outros protagonistas da franquia, ele é um civil que sabe criar e lidar com armas poderosas e vai atrás de sua mulher num local horroroso e sofrendo a vários perigos e ferimentos, e em nenhum momento ele diz 'Eu te amo' para ela. A personalidade dele não foi bem desenvolvida, talvez pelo fato de nós não vermos o rosto dele em nenhum momento durante o jogo, e isso é desfavorável ao game.

Rosto do Ethan.
Acredito que se a franquia seguir o ritmo mostrado por esse capítulo, será uma renovação interessante e mais intensa para o público, e com certeza teremos mais jogos assim, vamos torcer para que eles sejam tão bons quanto. E no mais é isso, gente, Resident Evil 7 é um ótimo jogo de terror com várias referências aos filmes que ajudaram a consagrar o gênero e vale sim a pena jogar.

Ficha Técnica

Jogo: Resident Evil 7: Biohazard.
Desenvolvedor: Capcom.
Diretor: Koshi Nakanishi.
Produtor: Masachika Kawata.
Escritor: Richard Pearsey.
Compositor: Akiyuki Morimoto.
Plataforma: Microsoft Windows, PlayStation 4, Xbox One
Série: Resident Evil.
Data de lançamento: 24 de janeiro de 2017.
Gênero: Survival horror, thriller psicológico.


PS: Já ouviram a musica tema do jogo? É ótima para um tema de horror e faz jus ao estilo do game. Escute abaixo!

   
Por: Michael Kaleel.

3 comentários:

  1. Quando se trata de Resident Evil, me considero um grande fã dessa franquia nos games. Tive a oportunidade de conferir o sétimo numerado da saga e apesar de ter achado legal o clima de terror, o gameplay em primeira pessoa que ficou bom apesar do meu pessimismo no começo e outros elementos da velha guarda voltando, em termos de enredo honestamente achei que Resident Evil 7 deixou muito a desejar. Primeiro, não é profundo e nem original, é simplesmente um cara indo atrás de salvar uma mulher em tal lugar, super clichê; sem falar que fizeram uma salada de frutas, pegando Outlast, Jogos Mortais, O Massacre da Serra Elétrica entre outros, bateram no liquidificador e saiu RE 7. O Ethan também é um personagem sem passado, mal tem desenvolvimento e é muito "robótico" inúmeras coisas bizarras acontecem ao redor dele e ele não tem reação a nada. A única coisa que ficou boa no enredo foi o plot twist que rolou no final porque de resto, o máximo que se pode ver é um ou outro eater egg. Enfim, de qualquer forma, gostei bastante do sessão do medo, conheci há pouco tempo

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  2. Anônimo6/12/2017

    sinto em dizer que esse não é o primeiro resident em primeira pessoa e sim o resident evil survivrl do ps1, não zerei o jogo ainda mas até agora tenho gostado muito, me sinto jogando um survival horror mesmo nao como o 5 ou o 6 que era pura ação sem terror algum

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    1. Sim, os suviver são em primeira pessoa mesmo. No entanto, não fazem dos jogos principais. Por isso não inclui eles. Eles são jogos "opcionais", assim como os outbreaks.

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