Crítica: Brilho Eterno (2016) - Sessão do Medo

11 de fevereiro de 2017

Crítica: Brilho Eterno (2016)


Hoje venho falar de um suspense mega diferentão. Trata-se de "Brilho Eterno" (Always Shine), da diretora Sophia Takal, responsável pelo segmento “Second Honeymoon” da antologia "V/H/S/".

O longa teve sua estreia mundial no Tribeca Film Festival no dia 15 de Abril de 2016, e depois teve um lançamento limitado no finalzinho do ano passado, sendo considerado por muitos um dos melhores filmes indies daquele ano.

Em "Always Shine", duas melhores amigas, Anna e Beth, decidem fazer uma viagem de fim de semana para as montanhas de Big Sur, na Califórnia, para tentar uma reaproximação e restabelecer uma amizade abalada por anos de competição e inveja. Mas o confronto das duas revela reações inesperadas, trazendo a tona verdades ocultas sobre as duas e seu relacionamento, e mudando a vida delas para sempre.

Logo de início nós somos apresentados às personalidades totalmente distintas de Anna e Beth. Anna é totalmente meiga, delicada e misteriosa. E apesar de ter um certo sucesso como atriz, chegando a ser reconhecida na rua, parece não estar satisfeita com a vida que leva.


Já Beth, é vista como estressada, afoita, parecendo sempre estar desesperada por um bom papel e querendo chamar atenção, e ao contrário da amiga, não consegue trabalhos relevantes.

Esse é o pontapé inicial para as diferenças e intrigas começarem a surgir. Há inúmeros fatores interessantes que o roteiro trabalha, e que faz o espectador ir se envolvendo e entrando na cabecinha de cada personagem. Vemos a admiração de uma para com a outra, alguns desentendimentos... e as situações são sempre acompanhadas de uma atmosfera de paranoia. O espectador não tem certeza das reais intenções de cada uma.


A proposta inicial parece até de uma novela, amigas competindo pra ver quem é melhor, porém o roteiro vai muito além disso. Ele faz uma crítica sutil e muito classuda à maneira como a mulher é tratada, pois quase sempre a sociedade impõe que você seja de determinado modo para conseguir ser bem vista. Só que aqui ele foi trabalhado no ponto de vista de uma mulher em relação à outra, usando o meio artístico como pano de fundo.

Muito disso nós percebemos no próprio título do filme, Always Shine, que traduzido é algo como "sempre brilhante". É um trocadilho com a questão da fama e do ser mulher. A frase que aparece logo no início, também diz muito sobre a história:

É um direito de nascimento de uma mulher ser atraente e encantadora. De certo modo, é seu dever. Ele é o vaso de flores da mesa da vida.

É importante dizer que a direção de Takal é totalmente focada no clima. A trilha instrumental usada é de grande valia para criar um perfeito clima de suspense psicológico. O visual limpinho também conta muito, pois ele vai contra toda a perturbação psicológica das protagonistas. Mentes conturbadas, e ambientação tranquila e iluminada, totalmente o oposto.


Aliás, devo destacar com louvor as atuações deste filme. A dupla de atrizes, Mackenzie Davis e Caitlin Fitzgerald está fantástica em cena. As duas conseguem extrair o máximo das personagens, que são bem complexas e cheias de camada. São atuações extremamente profundas.

"Always Shine" lembra um pouco "The Neon Demon", por ser conceitual, e abordar temas relevantes de uma maneira um tanto diferente. Se você quer um thriller psicológico fora da casinha, que se diferencie e entregue algo mais experimental, "Always Shine" é a pedida certa pra você.

Por Lu Souza.

Título Original: Always Shine
Ano: 2016
Duração: 85 minutos
Direção: Sophia Takal
Roteiro: Lawrence Michael Levine
Elenco: Caitlin Fitzgerald, Mackenzie Davis, Alexander Koch,Colleen Camp, Jane Adams, Khan Baykal, Lawrence Michael Levine, Michael Lowry, Mindy Robinson Robert Longstreet.



2 comentários:

  1. Anônimo2/21/2017

    parece ser muito interessante.

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    1. Olá.

      Eu assisti sem esperar nada e curti muito. Depois que vc conferir, volte aqui e deixe sua opinião. Abraço! :)

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