Crítica: Fim dos Tempos (2008) - Sessão do Medo

24 de fevereiro de 2017

Crítica: Fim dos Tempos (2008)


Atenção: Esse post contém spoilers!

Em várias entrevistas, M. Night Shyamalan sempre afirmou que gostava de apresentar histórias novas para o público (apesar de seu último filme, Fragmentado, se desviar dessa afirmação). Após 5 filmes no suspense, sendo o último o fantasioso - e ruim - A Dama na Água (2006), o indiano traria em sua próxima história algo mais ambicioso. O roteiro de Fim dos Tempos (The Happening) era inicialmente intitulado The Green Effect (O Efeito Verde) e foi entregue em 2007 ainda para várias produtoras, que rejeitaram o filme. A chance de ter o projeto realizado estava na Fox, que pediu que alterasse algumas coisas (entre elas o título), finalmente dando luz verde para que fosse produzido.

A premissa do filme apocalíptico é deveras interessante e que pode chamar a atenção de qualquer um que aprecie um bom suspense: num dia normal, em Nova York, as pessoas começam a se suicidar publicamente. Não há razão, só vários corpos. O "efeito suicida" vai se espalhando pela cidade, deixando mais vítimas. À primeira vista, especula-se que é um gás terrorista, mas esta teoria se desfaz nos eventos a seguir. 


Os nossos insossos personagens são o professor de biologia Elliot (pessimamente interpretado por Mark Wahlberg, Tranformers 4) e sua esposa com tendências fura-olho Alma (Zooey Deschanel, 500 Dias com Ela, também em péssima forma). Os dois, junto com outras pessoas, se destinam à Filadélfia, para se afastarem do caos, no entanto, notícias sobre suicídios em massa na região logo vem à tona. Presos após a parada brusca do trem no meio do caminho, eles com outros sobreviventes tentam descobrir que bosta está acontecendo, enquanto procuram por um lugar seguro.

Enquanto Shyamalan acerta em criar um clima de suspense e apreensão nos entregando um vilão onipresente, ele erra feio, mas feio pra caralho, em dirigir as cenas de interação entre os personagens. Quando você escolhe dois atores não muito preparados - sendo um deles um aspirante a ator pra ser sincero e a outra precisando de uma direção bem guiada - é necessário o máximo de perspicácia para driblar estes detalhes. O excesso de closes em cenas dramáticas só deixam elas mais ridículas, escancarando as péssimas atuações.

Há uma cena em específico que se tornou referência entre os fãs do gênero que é a em que Elliot sai do quarto onde estava cochichando com Alma e dá de cara com a velha maluca da casa, onde ela diz "Eu sei que estão planejando me matar" e ele responde da maneira mais tosca possível "O quê? Não". Para vê-la, clique aqui.


O que eu devo comentar é que, se esses defeitos que citei fossem consertados, ainda há algo que eu mudaria na história, especificamente no final. Irei citar SPOILERS então fiquem avisados. Bom, no fim, Elliot e Alma se encontram separados enquanto uma rajada de vento "suicida" está passando do lado de fora. Eles resolvem se arriscar com "o poder do amor deles" (!!!) e se encontrar. A tomada é meio longa e mostra os dois num campo vindo de cantos opostos, caminhando um em direção ao outro. Para mim, o filme terminaria antes que eles se encontrassem, com a última cena dando uma leve impressão de que eles pararam e por consequência, terem ficado sob efeito da toxina, deixando isso subjetivo para cada um.

Com as atuações se aproximando de uma forma cômica, qualquer investida que o filme tenta fazer para um rumo sério se transforma em piada, e portanto trazendo uma experiência extremamente frustrante já que não há, e repito, NÃO HÁ como levar nada a sério. O que resta é pensar: "Essa foi uma puta oportunidade perdida", aliás, a ideia é incrível.

Mesmo que seja relativo para o público, Fim dos Tempos entrou na lista de mais uma decepção do Shyamalan, que parecia "estragar" boas premissas com reviravoltas frustrantes. Há alguns filmes que não concordo e gosto muito, como Sinais (2002) ou A Vila (2004), mas num geral, acaba sendo um fato. É bom saber que o cara voltou à forma nos seus recentes filmes, A Visita (2015) e Fragmentado (2017).

por Neto Ribeiro

Título Original: The Happening
Ano: 2008
Duração: 90 minutos
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Elenco: Mark Wahlberg, Zooey Deschanel, John Leguizamo, Betty Buckley, Ashlyn Sanchez

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