Crítica: Refém do Medo (2016) - Sessão do Medo

18 de fevereiro de 2017

Crítica: Refém do Medo (2016)

(O texto abaixo pode conter spoiler)

Um dos nomes mais fortes do terror/suspense é Naomi Watts. Conhecida pelos fãs do gênero por suas atuações marcantes em "O Chamado" e "Violência Gratuita", o nome dessa loirinha é sinônimo de qualidade, ou pelo menos deveria ser. Mas não é o caso do filme que falaremos a seguir.

Fazia um tempo que Watts não trabalhava nesse meio, até que em meados de 2016 saiu um trailer mega misterioso de um novo suspense que ela estrelaria. Fiz questão de não vê-lo por completo, pois hoje em dia os trailers contam toda a história (na maioria das vezes), mas 40 segundos foi o suficiente pra eu querer conferir o filme.

Na história, Mary Portman (Naomi Watts) é uma psicóloga infantil que manda o seu filho para um internato, em comum acordo com o seu marido, mas o rapaz claramente se mostra contrariado com essa decisão, o que acaba ocasionando um acidente de carro que resulta na morte de seu pai. O filho, Stephen (Charlie Heaton) sobrevive, porém passa a não andar, não falar, perde todos os movimentos e passa a viver em um estado vegetativo. Mary acaba tendo que dividir seu tempo entre cuidar do filho extremamente dependente, e do consultório de psicologia. Até que um dia, um de seus pacientes, o Tom (Jacob Tremblay), um menino de 9 anos, começa a chamar a sua atenção, pois ele é surdo e ela sente que pode ajudá-lo a se desenvolver de uma maneira melhor. Até que um dia esse menininho desaparece de uma maneira muito misteriosa, deixando Mary em desespero. A partir daí coisas inexplicáveis começam a acontecer em sua casa.

Dado o pontapé inicial, a trama começa a se desenrolar de uma maneira promissora, pois o roteiro passeia por alguns estilos com o intuito de enganar o espectador.

De início nós temos um clima de suspense bem bacana, com toques sobrenaturais, depois temos elementos investigativos, mas logo se nota a falta de ritmo e de jeito para manter essa mistura de uma maneira que prenda a atenção de quem assiste. Existem várias "pistas" do que de fato está acontecendo, só que tudo soa de uma maneira estranha.

O cenário é uma casa isolada na zona rural de New England, ambientação massa que poderia agregar à trama, porém é pouco explorada. Grande parte da história se passa dentro de casa, e acabou tendo cenas que pareciam repetidas, totalmente sem timing.

Não vou culpar o roteiro de maneira alguma. Ficou claro aqui que a direção de Farren Blackburn, responsável por "Demolidor" (1ª temporada) não foi feliz. Ela parece confusa, entediante quando devia empolgar, e corrida quando deveria ser algo sentido e não apressado.

Se já não bastasse a inconsistência da narração, surge um plot twist extremamente sem nexo. A justificativa não convence. Me pareceu "O Boneco do Mal", sabe? Jogando na tela uma "surpresa bombástica" na tentativa de salvar uma história mal contada. Infelizmente não surte efeito de jeito nenhum!


Como nem tudo aqui é descartável, devo parabenizar o elenco desse filminho. Naomi WattsCharlie Heaton, Jacob Trembley e Oliver Platt (que não tem tanta importância na trama) estão impecáveis em seus papéis. Mas o destaque mesmo vai para Charlie Heaton.

O ator que ficou mais conhecido por interpretar Jonathan Byers na série "Stranger Things" ainda vai longe, fiquemos de olho nele. O cara consegue segurar o seu papel com muita garra. Desenvolveu muito bem as nuances de um personagem complexo.

De uma maneira geral "Refém do Medo" é uma obra perdida. Tem muita informação, mas nenhuma coesão, chegando a ser absurdo. Pode até funcionar em uma noite chuvosa, mas não espere muito. Tinha tudo pra ser marcante, só que por algum motivo bizarro não funcionou.

Por Lu Souza

Título Original: Shut In
Ano: 2016
Duração: 92 minutos
Direção: Farren Blackburn
Roteiro: Christina Hodson
Elenco: Naomi Watts, Oliver Platt, Charlie Heaton, Jacob Tremblay, Crystal Balint, Alex Braunstein, David Cubitt, Ellen David, Clémentine Poidatz e Tim Post.


Assista ao trailer:



Description: Uma obra perdida. Rating: 2 out of 5

6 comentários:

  1. então vi que entrou "em cartaz" no netflix, resolvi assisti-lo hoje (28/03/2017).
    em resumo, não achei tão ruim não. o tal plot twist que citou, eu achei interessante. tem toda um clima de ciúmes + obsessão dele pela "mãe", achei numa pegada bem "psicose" com pitadas de "Bates motel" e a sequencia final, exatamente aquela cena final lembrou bastante "A órfã", praticamente uma copia né.
    sobre o elenco.. sem dúvidas estão todos de parabéns, sou fã da Rainha Naomi e desde "O quarto de Jack" passei a amar profundamente o garotinho. ele vai longe na carreira.

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  2. Achei um filme bom, mas que se perdeu em alguns detalhes, tinha tudo pra ser uma ótima referência do gênero , explorar o cenário realmente poderia ter ajudado bastante, excelentes atores mas alguns pouco explorados, as duas metades do filme pareciam filmes diferentes, a primeira metade me prendeu muito a atenção, mas a segunda parte ficou muito clichê, a mesma sensação que tive quando assisti MAMA, enfim um filme que eu não assitiria duas vezes.

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  3. O filme garante seu suspense até o final.Uma boa surpresa.Bom filme.

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  4. O filme traz um enredo paralelo a psique humana cheia de paradoxos comumentes dessa nova era, onde os personagens estão interligados de forma catalizadora...(Eita. Me perdi um pouco tentando comentar de forma bonita... --' )

    Aaaahhh mano, o filme é uma merda! (Pronto!) Fraco pra caramba. O roteirista tentou fazer bolo de cenoura e no final saiu de fubá. A massa não cresceu. O recheio grudou no fundo da panela. Desandou tudo! Fui refém do meu sono tentando assistir até o final.

    Será que a Naomi (sempre linda) leu o roteiro antes de assinar pra fazer esse filme? (Tadinha. Tava com preguiça que nem eu acho)

    A Casa dos Sonhos conseguiu ser melhorzinho que esse "Shit" In.

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  5. EU gostei muito do filme,suspense bom de assistir

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