Crítica: O Pássaro Sangrento (1987) - Sessão do Medo

3 de março de 2017

Crítica: O Pássaro Sangrento (1987)


Se você não conhece O Pássaro Sangrento, provavelmente entrou pra ler o post por conta dessa foto... curiosa. Bom, sempre conheci esse filme por essa imagem, mas achava que o filme era tosco ou algo do tipo e realmente não sei por quê resolvi assisti-lo. Talvez por quê meu subgênero favorito de terror, os slashers, seja um gênero em decadência e sempre acabo vendo uns exemplares, bons ou ruins, de vez em quando.

Acontece que o filme não é ruim, nem tosco. Na verdade foi uma grata surpresa! Esse giallo/slasher ítalo-americano, também conhecido como Deliria ou Stagefright (vou me referenciar a ele sob esse título), é um daqueles filmes que tinha tudo para dar errado e cair no esquecimento (o que infelizmente, aconteceu), mas graças a uma boa direção, se torna um filme bom, sacou? A direção em questão é do italiano Michele Soavi, que viria a dirigir também A Catedral (1989), A Filha do Demônio (1991) e Pelo Amor e Pela Morte (1994), esse último sendo considerado seu melhor filme. Antes disso, ele era frequente colaborador de Dario Argento, trabalhando como diretor assistente em filmes como Tenebrae (1983), Demons (1985) e Phenomena (1985).



A trama de Stagefright é simples e não muito original: temos uma equipe de atores ensaiando para uma peça musical dirigida pelo ganancioso Peter (David Brandon). Falta uma semana para a estréia da produção e o investidor Ferrari (Piero Vida) está acompanhando o ensaio para garantir que tudo saia nos conformes. A nossa final girl é a Alicia (Barbara Cupisti), uma atriz/dançarina esforçada que devido à falta de compreensão de Peter, acaba torcendo o tornozelo e resolve sair escondida do ensaio junto com sua amiga Betty (Ulrike Schwerk) à um hospital psiquiátrico, o único por perto, para cuidar do machucado.

Lá, Alicia acaba dando de cara com um paciente preso chamado Irving Wallace. No caminho de volta, Betty fala que Wallace era um psicopata que brutalmente esquartejava suas vítimas. O que elas não sabiam era que o cara conseguiu matar um enfermeiro e se escondeu no banco traseiro do carro das meninas. Quando chegam no teatro, Alicia entra e Betty acaba sendo assassinada por Wallace.

Ao acharem o corpo, o lugar enche de policiais e jornalistas e Peter vê na situação uma oportunidade para o estrelato, já que o público adoraria ver uma peça onde uma das atrizes foi assassinada dias antes. Ele pede a Ferrari um extra pra agilizar as coisas, fazendo com que a peça estreie não uma semana, mas três dias depois. Para isso, ele pede para sua confidente, Corinne (Loredana Parrella) esconder a chave do teatro, onde eles ficariam ensaiando a noite inteira para por em prática a ideia. O porém é que o Wallace estava escondido dentro do lugar e quando ele mata Corinne, a equipe se encontra presa já que a mesma era a única que sabia onde estava a chave. Para completar, o cara pega a fantasia do assassino da peça, que envolve uma grande máscara de coruja, para sair fazendo suas vítimas!


O filme demora um pouco a decorar, há muitos personagens e o roteiro tenta pelo menos dar uma base de cada um para você não confundir uns com os outros (no início eu confundia). Depois disso, ele se desenrola sem delongas, não tendo pena de matar os personagens das piores (ou seria melhores?) maneiras possíveis.

Como eu falei no início do post, costumava achar que o filme era tosco por conta da fantasia do assassino, que eu vinha apenas por fotos, mas realmente me surpreendi quando vi ele em ação, pois parecia muito era bizarro! Muitas cenas só funcionam por conta da direção caprichada do Soavi, algumas como uma em que uma personagem é serrada ao meio ou até mesmo à essa que eu coloquei abaixo, uma pintura renascentista macabra!

Se for pra fazer vista grossa, algumas coisas me incomodaram mas no resultado geral não foram muito graves. A primeira são as péssimas atuações dos personagens secundários. E não venha com "Ah, é slasher, não é necessário, só tão lá pra morrer!". A segunda, que na verdade me fez sentir um alien, foi a trilha sonora, que só li elogios e não achei tão boa. Em algumas cenas, ela é eficiente, estridente e ajuda muito na tensão. Em outras é cartunesca, deslocada e tira totalmente a tensão. Então...

Agora pro fundamental: as mortes. São boas, bem feitas, fortes, muito desmembramento e tal. Os efeitos visuais estão ótimos mas quero dar destaque pra sonoplastia. Em algumas cenas onde haviam facadas ou algo do tipo, notei que eles ampliaram o som da "arma branca" machucando a carne e deu um aspecto bem realista para algumas mortes.


Pra finalizar a crítica, gostaria de deixar uma curiosidade: enquanto pesquisava sobre o filme, descobri que havia planos de fazer um remake dele no fim dos anos 90, dirigido pelo Joe D'Amato, que acabou falecendo. Ele disse que havia duas ideias para a refilmagem: a primeira seria passada numa estação de TV que reabre depois de vários anos, onde um apresentador assassinou sua esposa após descobrir que ela o estava traindo. Com a reinauguração, mortes ocorreriam e o assassino vestiria uma fantasia cheia de lâmpadas ao invés da máscara de coruja. A segunda ideia seria passada em um cruzeiro com destino à Barcelona, onde o assassino teria sido um violinista louco. Ambas as histórias parecem típicas de slashers oitentistas e confesso que assistiria se rolasse. 
por Neto Ribeiro

Título Original: Stagefright
Ano: 1987
Duração: 86 minutos
Direção: Michele Soavi
Roteiro: George Eastman, Sheila Goldberg
Elenco: Barbara Cupisti, David Brandon, Mary Sellers, Robert Gligorov, Jon Ann Smith

Um comentário:

  1. esse é foda demais... ja nao se fazem mais filmes assim...

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