Crítica: The Walking Dead | 7ª Temporada (2016/2017) - Sessão do Medo

3 de abril de 2017

Crítica: The Walking Dead | 7ª Temporada (2016/2017)


Chegamos ao fim de mais uma temporada. E de forma geral, pode-se dizer que ela foi interessante até, porém, não superou as expectativas das pessoas que esperavam algo mais frenético que as temporadas anteriores. O público ficou muito incomodado com o final da temporada anterior que mostrava o Negan, sadicamente, escolhendo uma pessoa para matar a pauladas da sua tão adorada Lucille. O telespectador ficaria meses com a curiosidade de roer as unhas para saber quem foi a vítima do mais novo super vilão. 

Quando a sétima temporada estreou, ela bateu record em audiência, mostrou a cena mais violenta da série inteira, no episódio 'Chegará o Dia em que você não Estará', nós vemos o porquê de temer o Negan. Rick finalmente sentiu pavor e percebeu que tudo que eles haviam enfrentado até aquele momento, não era a pior coisa que havia acontecido com eles. E não só pelo terror, mas os produtores executivos Robert Kirkman, Gale Anne Hurd, David Alpert, Greg Nicotero e Tom Luse, enfiaram uma faca no coração dos seus fãs mostrando cenas emocionantes envolvendo as vitimas do Negan como a do grupo todo reunido envolta de uma mesa durante um almoço, mostrando algo que nunca iria acontecer... Valeu a pena esperar? Sim, valeu. O problema é que depois desse episódio estrondoso, os outros capítulos começaram a perder ritmo deixando a obra caminhando a passos de tartaruga, coisas que infelizmente já estava se tornando um hábito.  

No episódio seguinte intitulado de 'O Poço' nós vemos o que aconteceu com Morgan e Carol e o surgimento de uma nova comunidade, o famoso 'Reino', grupo muito bem conhecido pelos que leram a HQ. Esse grupo é marcante, principalmente, pelo bondoso rei Ezequiel e a sua tigresa Shiva que ele cria como um animal de estimação.

Com poucas cenas de ação, os episódios que se sucederam focaram mais nas relações entre os personagens e na devastação que Negan fez ao matar membros tão queridos pelo grupo. Vemos um Rick mais submisso e conformado com a situação em que se encontra, por outro lado, essa nova reação do líder de Alexandria não foi bem aceita para pessoas como Michonne que quer lutar, e Rosita que também quer a cabeça de Negan numa bandeja de prata custe o que custar e começa a agir por conta própria. Ainda nessa primeira metade temos algumas histórias paralelas interessantes como: A visão de Spencer que acha que pode ser um líder melhor que Rick; A gradual mudança de liderança de Hilltop que está, involuntariamente, sendo transferida do Gregory para Maggie; A relação entre Negan e Dwight, a ideia de fazer Daryl ser um dos Salvadores, entre outros.    

A série avança um degrau em sua história, fica três episódios parada e depois avança outro degrau. Isso ocorre devido ao fato de que em alguns episódios a série se limita a mostrar a história de um determinado personagem, assim deixando a trama principal de lado. O que dizer do episódio 'Ativos' que mostra Sasha, Jesus e Maggie em Hilltop, ou 'Jure' que mostra o que aconteceu com a Tara e Heath em sua busca por mantimentos? Essa ultima, nos apresentando uma nova comunidade composta unicamente por mulheres uma vez que Negan mandou os Salvadores matarem todos os homens de 12 anos para cima... E por falar nisso, onde diabos está o Heath? 

Por mais estranho que pareça, esses episódios 'parados' são importantes sim para a história como um todo, visto que eles ajudam a desenvolver os personagens, ajudem a preparar o terreno para o que está por vir, e um vez que esses personagens sejam bem desenvolvidos, se tornam empáticos com o público e que quando morrerem, nós possamos sentir essa perda. O problema mesmo se deve as péssimas ideias do roteiro que estão sendo produzidas e editadas da pior forma possível. Seria mais estimulante, interessante se ao invés de focarem um episódio no Reino, outro em Hilltop, outro em Alexandria, outro no Santuário, eles pudessem mostrar um pouco de cada num só episódio deixando tudo menos cansativo, mais dinâmico, atraente e fácil de lembrar.


O problema com relação aos episódios é que eles continuaram num ritmo lento depois que a segunda metade veio ao ar no inicio de 2017 depois de dois meses de pausa, não empolgando o público com o que estava vendo. Essa segunda parte começou bem até, Rick finalmente se deu conta que eles precisam lutar, e também mostrando o grupo de Alexandria tentando conseguir aliados com Hilltop e o Reino para a guerra que eles vão enfrentar contra os Salvadores. Nós temos umas sequências muito boas envolvendo os zumbis que agora são apenas um pequeno detalhe frente a ameaça que os Salvadores representam.


No episódio 'Novos Melhores Amigos' Rick e seus aliados encontram um novo grupo de pessoas num lixão, eles haviam sequestrado Gabriel e roubaram todos os mantimentos que Rick e Aaron pegaram num barco. Esse grupo é liderado pela esquisita mãe do lixão Jadis. A partir desse episódio o público, além de perceber um declínio no ritmo da história, também notou uma péssima cena que dá um close em Rick sorrindo com o lixão atrás dele, sem duvidas umas das cenas mais mal feitas da série, pelo menos entra no top 5.

Ainda na parte dos efeitos péssimos, no Episódio 'Diga Sim!' que acompanha Rick e Michonne em busca de armas para o grupo do lixão, há um momento em que Rick vê um cervo... Pense num bicho mal feito. E isso chega a ser ridículo já que foram péssimos efeitos para um cervo. Se formos comparar o animal desse episódio com o da segunda temporada que Otis baleou acertando fragmentos do tiro em Carl, existe uma diferença enorme na qualidade, e isso é o pior, são efeitos para coisas desnecessárias. TWD nunca foi um exemplo de série com efeitos impecáveis, mas no seu inicio tudo era mais discreto e bem pensado do que agora, o que impressiona mesmo são as maquiagens dos zumbis e de alguns machucados que continuam num ótimo nível de qualidade até o momento.

Uma coisa interessante é como o Negan foi retratado nessa season, mesmo com as altas curvadas para trás, caras e bocas que o ator Jeffrey Dean Morgan atribui ao vilão, ele nos dá um personagem simples de se entender, o que é bom. Nós percebemos que ao mesmo tempo em que ele é um louco sádico e sem coração, ele é um homem exigente e com princípios que não admite que suas regras sejam quebradas, regras essas que ajudam num convívio mais social entre os Salvadores, regras como: 'Proibido estupro', assim, mantendo a integridade das mulheres do Santuário. Então se olharmos para o lado dos aliados de Negan, ele pode ser visto como o líder que o novo mundo precisa, sabe fazer amigos e sabe como fazer os inimigos morrerem de medo, e ele gosta disso. Mas, se olhar para o lado do resto mundo como Alexandria, Hilltop, Oceanside, Reino, ele é o vilão perfeito.   

Como era de costume na história do TWD, quanto mais próximo do fim de temporada, a ação, mortes e dramas vão se intensificando. No episódio 'O Outro Lado', percebemos um leve aumento no drama, principalmente entre Sasha e Rosita que mesmo tendo atritos, vão juntas para uma missão suicida tentar matar Negan enquanto Daryl e Maggie se escondem dos Salvadores que estão em Hilltop, assim, sendo um episódio em que muitos assuntos pendentes vieram a tona dando peso ao capítulo. O episódio 'Algo Que Eles Precisam' mostra o grupo de Alexandria invadindo Oceanside para pegar as armas e tentar convencer o grupo a se unir a Rick na causa. Mesmo com um pouco de ação, se mostrou abaixo das expectativas se levarmos em conta que esse é o penúltimo episódio da temporada.

O último episódio da temporada mostrou o que é The Walking Dead de verdade, embora a primeira metade tenha sido conversas e conversas (como é de costume na série), a segunda metade é exatamente o que os fãs esperam, ação, mortes, atitudes inesperadas, e muito mais. Diferente do episódio final da sexta temporada, esse aqui tem começo, meio e fim, embora tenha dado pequenos ganchos para a oitava temporada, não é nada que nos faça se corroer de raiva como aconteceu na temporada anterior. Quem não gostou de ver o Carl tomando a iniciativa, dos sonhos de Sasha, do Rick rebatendo o que Negan disse que ia fazer com ele e seu filho ou das comunidades entrando em ação?... Quem diria que o Padre Gabriel deixaria de ser uma pessoa odiada para alguém simpático até, ou que o Eugene se tornaria uma das pessoas mais odiadas, talvez perdendo para a mãe do lixão Jadis.   


Não existe uma fórmula perfeita para agradar todos os fãs da série, no entanto algumas coisas podem ser melhoradas, outro problema que a série precisa resolver, é a questão da previsibilidade... Todo personagem sem relevância que ganha um partição maior ou um diálogo imponente, vai morrer no mesmo episódio. Aconteceu com o Dale, Denise, Benjamin e Richard. Não adianta querer dar destaque a um personagem se ele vai morrer 15 minutos depois, é perda de tempo. 

O primeiro episódio foi facilmente um dos melhores de The Walking Dead, mas apenas três episódios que prendem a atenção numa temporada inteira não é o suficiente, é complicado de continuar seguindo, talvez esse seja o motivo da queda progressiva de audiência, TWD com esse ritmo lento não está agrandando. A série não precisa ter 16 episódios se ela pode contar uma história boa com 12 episódios. E ter uma temporada com toda essa quantia de capítulos, mas com apenas 3 ou 4 episódios divertidos e que prendem atenção. 

Com o fim da sétima temporada, nós podemos esperar coisas boas da oitava. Agora a guerra começou e todos sabem em qual lado vão lutar... Rick tem muitos aliados, mas eles se dividem em duas comunidades relativamente distantes umas das outras e os Salvadores estão em maior número. Enquanto tem o grupo do lixão ao lado de Negan (mesmo que por conveniência), temos o grupo de Oceanside tendendo a ir para o lado do Rick. Dwight está de olho em todos os passos de Negan enquanto Eugene se mostrou um grande traidor que pode ou não dar uma reviravolta em sua história. Visto que as cartas estão na mesa podemos esperar mais ação e mortes no futuro. Por todos esses motivos a nota para essa temporada é: 6,0.
Ficha Técnica  


Produtor(es): Jolly Dale, Caleb Womble, Paul Gadd, Heather Bellson.

Produtor(es) executivo(s): Frank Darabont, Gale Anne Hurd, David Alpert, Robert Kirkman, Charles H. Eglee, Glen Mazzara
Scott M. Gimple, Greg Nicotero, Tom Luse.

Elenco: Andrew Lincoln, Jon Bernthal, Sarah Wayne Callies, Laurie Holden, Jeffrey DeMunn, Steven Yeun, Chandler Riggs, Norman Reedus, Lauren Cohan, Danai Gurira, Michael Rooker, David Morrissey, Melissa McBride, Scott Wilson, Michael Cudlitz, Emily Kinney, Chad L. Coleman, Lennie James, Sonequa Martin-Green, Jeffrey Dean Morgan, Alanna Masterson, Josh McDermitt, Christian Serratos

Sinopse da série: Baseada na história em quadrinhos escrita por Robert Kirkman, 'The Walking Dead' se transformou através de suas temporadas no maior sucesso mundial quando se trata de séries. A história, situada logo após um apocalipse zumbi, gira em torno de um grupo de sobreviventes liderados pelo policial Rick Grimes (Andrew Lincoln), que vai em busca de um lugar seguro para viver. Neste cenário, os conflitos pessoais dos sobreviventes representam um perigo tão maior do que o que os rodeia, que alguns estão dispostos a fazer o que for necessário para sobreviver.

por Michael Kaleel

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