Crítica: O Perigo Bate à Porta (2017) - Sessão do Medo

27 de abril de 2017

Crítica: O Perigo Bate à Porta (2017)


Muita gente já ouviu falar na Família Manson, certo? Eles eram uma seita que atuou no fim dos anos 60 nos Estados Unidos e que era liderada por Charles Manson. Os membros geralmente eram adolescentes rebeldes que saíam de casa e se juntavam ao grupo. O pessoal ganhou notoriedade mundial quando começaram a realizar assassinatos, sendo o mais famoso deles o de Sharon Tate, atriz em ascensão e esposa do diretor Roman Polanski. O caso chocou geral principalmente pelo fato de Tate estar grávida e ter sido torturada antes de ser morta, junto com mais quatro amigos.

Wolves at the Door, ou O Perigo Bate à Porta, é uma produção que se inspira livremente no brutal caso ocorrido em 1969 e adapta os eventos para uma história que acaba sendo, acima de tudo, desapontante. Sob o posto da direção está John R. Leonetti, responsável por Annabelle (2014) e pelo vindouro 7 Desejos (2017). Leonetti parece repetir algumas abordagens de Annabelle no filme aqui em questão, até pelo fato do spin-off de Invocação do Mal ter usado a história da Família Manson em sua abertura.

A ótima Katie Cassidy, conhecida entre os fãs de terror pelos trabalhos em Natal Negro (2006) e A Hora do Pesadelo (2010), estrela o filme num papel equivalente à Sharon Tate, embora seu sobrenome não seja mostrado. Sharon, uma atriz grávida de 8 meses, junta-se com mais três amigos em sua casa em Los Angeles para a despedida de Abigail (Elizabeth Henstridge), que está partindo para Boston no dia seguinte. O grupo de amigos só não esperava enfrentar os psicopatas da família Manson que decidiram invadir a casa e fazer deles as próximas vítimas.


É importante notar que todos os personagens do filme foram baseados nas vítimas e relacionados ao caso, tendo até os mesmos nomes. Claro que foi um crime muito brutal, mas se não fosse mostrar como aconteceu decentemente, deixassem quieto. O roteiro passa grande parte do tempo preparando o terreno com um suspense para algo que simplesmente não chega. O clímax parece ter sido retirado, é inexistente. O que é bem chato por que antes disso eu cheguei a ficar tenso em algumas cenas. Também é chato por que a ausência de um desfecho faz com que o filme pareça apenas desnecessário.

A direção de John R. Leonetti embora funcione em algumas cenas parece ainda estar presa à Annabelle, fazendo com que certas sequências remetam à filmes sobrenaturais e não home invasion, como objetos mudando de lugar num piscar de olhos e barulhos constantes na casa. Sem falar nos atacantes que mais parecem ninjas se movendo pelo casarão nem ninguém, e destaco, ninguém perceber. 

Sem falar que algumas decisões do roteiro - e dos personagens - simplesmente não parecem críveis. Vou tomar como exemplo a cena em que Abigail se depara com uma das moças no corredor da casa e vai avisar à Sharon. As duas então procuram pela moça e a encontram do lado de fora da casa. O que elas fazem? Voltam pra dentro da casa achando que a louca estava apenas chapada. Fingem que simplesmente está ok uma desconhecida estar rondando pela sua propriedade, certo?

É uma pena por que a história daria para fazer um ótimo filme de home invasion. Mas o roteiro falho e a direção meio perdida desperdiçou a oportunidade com um longa incompleto. Não que precisasse de violência explícita, blood and guts, até por que sabemos que há vários suspenses de primeira que não utilizam gore. Mas uma finalização mais completa da história daria o filme pelo menos uma nota na média ou acima dela.

por Neto Ribeiro

Título Original: Wolves at the Door
Ano: 2017
Duração: 72 minutos
Direção: John R. Leonetti
Roteiro: Gary Dauberman
Elenco: Katie Cassidy, Elizabeth Henstridge, Adam Campbell, Miles Fisher, Spencer Daniels


Description: Rating: 2 out of 5

4 comentários:

  1. Mais uma decepção de 2017! Um filme claramente feio as pressas, que acabou desperdiçando uma mega história! A pessoa tem que ser muito cara de pau pra criar um "roteiro" desse, e a outra pra aceitar produzir isso.

    A história real é mega brutal e perturbadora. Não que eu quisesse que o filme mostrasse todos os detalhes da mesma forma, mas gente, o que foi apresentado aqui é algo extremamente superficial e amador.

    Até admito que tem momentos tensos, um jogo de gato e rato interessante, um clima de desespero durante boa parte e uma ótima trilha sonora, mas é tudo tão preguiçoso...

    De maneira geral dá pra assistir num sábado à noite sem ter oq fazer!

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  2. Adoro ver as criticas desse site, constantemente concordo com elas.
    "Claro que foi um crime muito brutal, mas se não fosse mostrar como aconteceu decentemente, deixassem quieto. O roteiro passa grande parte do tempo preparando o terreno com um suspense para algo que simplesmente não chega. O clímax parece ter sido retirado, é inexistente. O que é bem chato por que antes disso eu cheguei a ficar tenso em algumas cenas. Também é chato por que a ausência de um desfecho faz com que o filme pareça apenas desnecessário." Exatamente a impressão que dá.

    O roteiro desse filme tem muitas decisões erradas. Acho que o protagonismo deveria ser da Sharon, por motivos óbvios. E também ver uma grávida lutando pela vida seria incrível e diferente. Agora só me recordo de A Invasora, onde isso ocorreu - e muito bem, por sinal. Criaram uma trama entre a Abigail e o Wojciech (?? - que porra de nome é esse?) para nos fazer sentir algo pelos personagens, o que chega a contecer por alguns curtos momentos, mas achei Sharon e Jay tão jogados, que ao meu ver, deveriam ser os protagonistas. O momento ápice seria a morte da Sharon que nem sequer vemos. Pra mim nem ficou subentendido que ela morreria naquela tal cena, só percebi que ela já tinha morrido, quando o filme acabou.
    Eu, particularmente, tive três motivos para ver esse filme: Família Manson, Katie Cassidy e Miles Fisher. Um quase não aparece no filme e quando está em cena, faz papel de bobão. A outra, apesar de ser uma incrível atriz, está muito mal dirigida. Em momento nenhum ela me passou a impressão de que estava realmente grávida. Eu já acompanhei uma gravidez, uma mulher de 7/8 meses não consegue fazer certos movimentos com muita facilidade. Ela se virava, levantava, andava como se o filho fosse feito de algodão. E o terceiro motivo foi tratado com muita levianidade. Os assassinos pareciam apáticos, mecânicos e sem vida, uma mistura dos canibais de Wrong Turn com os mudinhos de Os Estranhos. Eles são pessoas: falam, correm, se comunicam uns com os outros, não são tão quietos, não aparecem e desaparecem do nada... As pessoas também levavam facadas e marteladas, depois de cinco minutos parecia que a dor ia embora.
    Não achei o filme ruim - não é essa a palavra que eu usaria -, mas é fraquíssimo. A direção as vezes dava uma mancada, mas o problema é o roteiro. Eles não tinham que criar uma história, ela já estava pronta. Já tinham os assassinos, o motivo, as vítimas, o início e o fim, só precisam do recheio. Faltou mais tensão, mais perseguição, mais coerencia, um pouco mais de agilidade... Faltou muita coisa. Dava para pegar aquela casa e transforma-la numa armadilha. Era grande e espaçosa, tinham em mãos um bom cenário para explorar.

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    1. Obrigado, Hollis! Então, é exatamente isso. Parece que fizeram o filme de brincadeira e quando se cansaram, decidiram lançar só por lançar, sem terminar o jogo. É uma decepção.

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  3. Anônimo6/27/2017

    Não entendi uma coisa.....porque não mataram o William? eles sabiam da existência do William. alguém pode me explicar?

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